Workshop inédito na Bahia debate responsabilidade da imprensa na cobertura de segurança pública

Jornalistas, profissionais das forças de segurança e representantes de instituições acadêmicas participaram nesta quinta-feira (26/02/2026), na Bahia, do workshop “De olho na segurança – O papel da mídia na cobertura segura das ações de segurança pública”, iniciativa inédita no estado voltada ao debate sobre ética, responsabilidade social e critérios técnicos na cobertura jornalística de operações policiais. O encontro buscou fortalecer o diálogo institucional entre imprensa e órgãos de segurança, discutir procedimentos de divulgação de informações sensíveis e promover reflexão sobre os impactos da cobertura mediática em contextos de investigação e operações policiais.

O evento reuniu profissionais de diferentes áreas da comunicação e da segurança pública, com foco na qualificação da cobertura jornalística de temas ligados à criminalidade, investigações e ações policiais, um campo marcado pela pressão do tempo real e pela necessidade de precisão informativa.

Jornalistas destacam necessidade de reflexão sobre práticas profissionais

Com mais de uma década de atuação na cobertura policial, o repórter Muller Nunes afirmou que o workshop ofereceu um espaço relevante para análise crítica da rotina jornalística.

Segundo ele, a dinâmica intensa das redações e a frequência de ocorrências policiais muitas vezes dificultam momentos de avaliação sobre os próprios procedimentos profissionais.

“Quem cobre segurança pública vive a rotina intensa das ocorrências e, muitas vezes, não tem tempo para avaliar procedimentos”, afirmou o jornalista.

Para Nunes, iniciativas como essa também contribuem para aproximar jornalistas e profissionais das forças de segurança, permitindo maior compreensão sobre os limites e responsabilidades de cada área.

A discussão abordou temas recorrentes na cobertura policial, como uso responsável de informações sensíveis, preservação de investigações em andamento, segurança de agentes e impacto social da divulgação de dados incompletos ou imprecisos.

Transparência e responsabilidade na comunicação institucional

O diretor da Academia da Polícia Civil da Bahia (Acadepol), Jackson Carvalho, ressaltou que a relação entre comunicação social e segurança pública exige compromisso com critérios rigorosos de verificação e transparência.

De acordo com o dirigente, a divulgação inadequada de informações pode gerar consequências diretas tanto para investigações quanto para a segurança da população.

“Precisa existir transparência, credibilidade, lisura e compromisso tanto dos profissionais de segurança pública quanto dos profissionais de comunicação”, afirmou.

Carvalho destacou que informações divulgadas sem apuração adequada podem comprometer operações policiais, além de gerar impactos negativos para comunidades e indivíduos envolvidos em investigações.

O debate também abordou a necessidade de protocolos claros de comunicação institucional entre órgãos policiais e imprensa, de modo a garantir fluxo informativo responsável e confiável.

Checagem rigorosa ganha relevância em ambiente digital

A repórter Silvânia Nascimento, que atua em portal de notícias, enfatizou que o crescimento do jornalismo digital ampliou a velocidade da circulação de informações e, consequentemente, os riscos associados à divulgação de conteúdos não verificados.

Segundo ela, o ambiente digital exige procedimentos ainda mais rigorosos de checagem, especialmente em temas sensíveis como segurança pública.

“Em tempos de fake news e imediatismo, a checagem rigorosa das informações é indispensável, especialmente no jornalismo online, onde o impacto de cada publicação é imediato”, destacou.

A discussão incluiu reflexões sobre responsabilidade editorial, combate à desinformação e impactos da cobertura policial nas redes sociais, onde conteúdos podem ganhar ampla repercussão em poucos minutos.

Segurança pública e imprensa como responsabilidades complementares

Durante a abertura do evento, o diretor-geral de Operações da Polícia Civil da Bahia, Jorge Figueiredo, classificou o workshop como um momento relevante de diálogo institucional.

Para ele, a iniciativa simboliza um avanço na cooperação entre os dois setores.

“O evento representa um marco aqui no estado da Bahia. É um workshop que representa algo muito especial para a gente, que é a maturidade institucional de termos caminhando lado a lado: a imprensa e a segurança pública”, afirmou.

Figueiredo destacou que imprensa e forças de segurança exercem papéis distintos, porém complementares, ambos voltados à prestação de serviço à sociedade e ao fortalecimento da segurança pública.

Segundo ele, a troca de experiências permite alinhar expectativas, esclarecer procedimentos operacionais e ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados por cada área.

Formação continuada e qualificação da cobertura policial

A realização do workshop insere-se em um conjunto de iniciativas voltadas à formação continuada de profissionais da comunicação e da segurança pública.

Especialistas presentes no encontro destacaram que a cobertura policial envolve equilíbrio entre transparência informativa, preservação de investigações e respeito aos direitos individuais, especialmente em casos que envolvem suspeitos ainda não julgados.

Entre os temas discutidos estiveram:

  • critérios de divulgação de operações em andamento
  • responsabilidade na identificação de suspeitos
  • proteção de agentes e vítimas
  • impacto da cobertura mediática em investigações
  • combate à desinformação em temas de segurança pública

O evento também reforçou a importância de protocolos institucionais de relacionamento entre redações e assessorias de comunicação de órgãos de segurança, considerados fundamentais para garantir precisão informativa.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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