Agência Internacional de Energia Atômica pede moderação em meio ao conflito no Irã e alerta para risco radiológico

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Rafael Grossi, afirmou nesta segunda-feira (02/03/2026) que não há indícios de danos nas instalações nucleares do Irã após os ataques realizados por Estados Unidos e Israel, mas advertiu que não se pode descartar o risco de um vazamento radiológico com graves consequências. A declaração foi feita durante reunião de emergência do Conselho de Governadores da agência, convocada a pedido de Irã e Rússia, em meio à escalada militar no Oriente Médio.

Segundo Grossi, os complexos monitorados incluem a Usina Nuclear de Bushehr, o Reator de Pesquisa de Teerã e outras estruturas ligadas ao ciclo do combustível nuclear. Até o momento, de acordo com a Aiea, não houve aumento nos níveis de radiação acima dos padrões naturais em países vizinhos ao território iraniano.

Monitoramento nuclear e comunicação interrompida

Durante a sessão extraordinária do Conselho de Governadores, composto por 35 Estados-membros, o chefe da agência informou que continuam os esforços para estabelecer contato com as autoridades nucleares iranianas. Contudo, não houve resposta oficial até o momento, o que limita a verificação independente da situação das instalações.

Grossi ressaltou que a Aiea mantém vigilância técnica permanente, mas enfatizou que o cenário permanece sensível. Ele reiterou que, embora não existam evidências de danos estruturais significativos, a instabilidade militar eleva o grau de risco em torno de usinas e reatores ativos.

A agência já havia declarado, no sábado anterior, que não conseguiu confirmar se Teerã suspendeu o enriquecimento de urânio após os bombardeios registrados durante a guerra de 12 dias ocorrida em junho entre Irã, Israel e Estados Unidos.

Ataques e justificativas estratégicas

O primeiro ataque conduzido por forças americanas e israelenses ocorreu na manhã de sábado e foi apresentado como ação preventiva diante do programa nuclear e do desenvolvimento de mísseis balísticos iranianos. Washington classificou a ofensiva como parte da chamada “Operação Fúria Épica”.

Autoridades norte-americanas sustentam que a operação foi motivada pela recusa do Irã em aceitar o compromisso de enriquecimento zero de urânio, condição considerada essencial para impedir eventual avanço rumo à capacidade armamentista nuclear.

No mesmo contexto, o diretor da Aiea mencionou que o Irã lançou mísseis e drones contra países do Golfo, incluindo Barém, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, ampliando o alcance regional do confronto.

Apelo à diplomacia e contenção

Diante do agravamento do cenário, Grossi defendeu o retorno imediato à diplomacia e às negociações entre Teerã e Washington como único caminho viável para assegurar garantias de longo prazo de que o Irã não desenvolverá armas nucleares.

Ele também pediu que todas as partes envolvidas exerçam “máxima contenção” para evitar uma escalada militar de maiores proporções. Segundo o dirigente, qualquer dano relevante a instalações nucleares poderia desencadear impactos ambientais e humanitários significativos, com possibilidade de evacuação de áreas extensas.

O alerta reforça a dimensão técnica do conflito, que ultrapassa o campo militar e atinge diretamente a segurança radiológica internacional — um dos pilares centrais do regime global de não proliferação nuclear.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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