Avante aciona TRE Bahia e pede suspensão de pesquisa da Séculus por supostas irregularidades metodológicas

O partido Avante protocolou nesta terça-feira (03/03/2026) representação no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) solicitando a suspensão imediata da pesquisa eleitoral registrada sob o nº BA-09740/2026, realizada pela Séculus Consultoria e Assessoria. A legenda alega a existência de irregularidades metodológicas, estatísticas e financeiras no levantamento e requer a concessão de liminar para impedir sua divulgação até que sejam esclarecidos os pontos questionados.

Segundo a petição, a pesquisa não detalha informações consideradas essenciais para a validade do plano amostral, como a especificação das cidades e bairros pesquisados, além do número de entrevistados por localidade. O partido sustenta que essa ausência comprometeria a transparência e a conformidade com as exigências previstas nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), podendo afetar a lisura do processo eleitoral.

A representação também questiona o questionário aplicado aos eleitores e a forma de apresentação dos nomes dos pré-candidatos no material utilizado durante as entrevistas. De acordo com o Avante, haveria diferença de proporção gráfica no chamado “disco” apresentado aos entrevistados, com destaque maior ao nome de ACM Neto, em comparação ao de Jerônimo Rodrigues, o que poderia influenciar a escolha do eleitor.

Questionamentos sobre o plano amostral e transparência

No pedido encaminhado ao TRE-BA, o partido argumenta que a ausência de detalhamento territorial e quantitativo dificulta a verificação da representatividade da amostra. Em pesquisas eleitorais, o plano amostral deve indicar, entre outros aspectos, a distribuição geográfica dos entrevistados, o método de seleção e a estratificação por sexo, idade, renda ou escolaridade, conforme exigido pela regulamentação eleitoral.

Para o Avante, a suposta omissão dessas informações abre margem para dúvidas quanto à fidedignidade dos dados divulgados. A legenda afirma que a divulgação de levantamento com inconsistências poderia influenciar o eleitorado, especialmente em cenário pré-eleitoral, no qual pesquisas costumam ter impacto relevante na formação de opinião pública.

O pedido de liminar busca impedir a publicação dos resultados até que o Tribunal analise o mérito da ação. Caso o TRE-BA entenda haver indícios suficientes de irregularidade, poderá determinar a suspensão da divulgação, aplicar multa ou exigir correções no registro da pesquisa.

Forma de apresentação dos candidatos é alvo de contestação

Outro ponto central da representação diz respeito ao material visual utilizado durante a coleta de dados. O partido afirma que a disposição gráfica dos nomes dos pré-candidatos no disco apresentado aos entrevistados apresentaria diferença de proporção, com maior destaque para ACM Neto.

Segundo a argumentação, a eventual desproporção visual poderia induzir respostas, ferindo o princípio da isonomia entre os concorrentes. A legislação eleitoral exige neutralidade na apresentação dos nomes, de modo a evitar qualquer forma de direcionamento implícito.

Até o momento, não houve manifestação pública da Séculus Consultoria e Assessoria sobre as alegações apresentadas na ação judicial.

Histórico de desempenho do instituto em 2022

A representação também menciona o desempenho do Instituto Séculus nas eleições de 2022 para o Governo da Bahia. Naquele pleito, levantamentos divulgados pelo instituto indicavam vantagem significativa de ACM Neto (União Brasil) sobre Jerônimo Rodrigues (PT) ao longo da campanha.

O resultado final das urnas, entretanto, foi favorável a Jerônimo Rodrigues. O episódio é citado pelo Avante como elemento adicional para questionar a confiabilidade metodológica do instituto, embora erros de projeção não configurem, por si só, irregularidade formal.

A legislação eleitoral estabelece que pesquisas devem observar critérios técnicos específicos, mas não prevê sanções automáticas em razão de discrepâncias entre levantamentos e resultado final das eleições.


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