A China consolidou sua posição como maior força marítima do mundo em número de embarcações, com mais de 370 navios e submarinos, segundo dados do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O avanço integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento militar e projeção de poder no cenário internacional.
Em artigo publicado na segunda-feira (16/03/2026), o presidente Xi Jinping destacou a necessidade de acelerar o desenvolvimento da economia marítima, das tecnologias navais e da infraestrutura portuária, reforçando o papel central do domínio dos mares na política estratégica do país.
A expansão naval chinesa ocorre em um contexto de crescente competição geopolítica, especialmente na região do Indo-Pacífico, onde interesses econômicos e militares se sobrepõem.
Produção acelerada amplia capacidade naval
A construção em larga escala de embarcações é um dos principais fatores que sustentam o crescimento da frota chinesa. Entre 2019 e 2023, estaleiros do país lançaram 39 navios de guerra, incluindo destróieres, fragatas e embarcações anfíbias.
Essa capacidade é apoiada pela liderança da China na indústria global de construção naval civil, o que permite integração entre produção comercial e militar, ampliando a eficiência logística.
O objetivo é garantir presença contínua em alto-mar, ampliar capacidade de resposta e fortalecer a atuação em áreas estratégicas, incluindo zonas de disputa territorial.
Porta-aviões e tecnologia ampliam poder militar
A modernização da frota inclui investimentos em porta-aviões, considerados ativos estratégicos para projeção de poder. O Fujian, incorporado em novembro de 2025, introduziu o uso de catapultas eletromagnéticas, permitindo o lançamento de aeronaves mais pesadas e com maior alcance operacional.
Além dele, o porta-aviões Shandong tem sido empregado em missões no Pacífico Ocidental, incluindo deslocamentos no Mar das Filipinas e exercícios próximos ao Estreito de Taiwan.
Estimativas indicam que a China pode ampliar sua frota para até nove porta-aviões, o que ampliaria significativamente sua capacidade de atuação global.
Estratégia no Indo-Pacífico amplia tensões
A atuação chinesa busca ultrapassar a chamada “primeira cadeia de ilhas”, uma área estratégica que inclui Japão e Filipinas, historicamente associada à contenção da influência marítima chinesa.
A presença naval em regiões como o Mar da China Meridional e o Mar da China Oriental tem sido intensificada, com foco em dissuasão regional e afirmação territorial.
Em dezembro de 2025, a mobilização de mais de 100 navios militares e da guarda costeira foi interpretada como um teste de coordenação em larga escala, ampliando a atenção de analistas internacionais.
Investimentos sustentam expansão militar
O crescimento da capacidade naval é acompanhado por aumento nos investimentos em defesa. Para 2026, a China anunciou um acréscimo de 7% no orçamento militar, alcançando cerca de € 250 bilhões.
Os recursos são direcionados à modernização das Forças Armadas, incluindo desenvolvimento tecnológico, ampliação da frota e fortalecimento de operações marítimas.
A estratégia busca consolidar a presença chinesa em rotas comerciais e áreas de interesse geopolítico, reforçando a influência do país no cenário internacional.
Disputa com EUA redefine equilíbrio global
Apesar de a China já superar os Estados Unidos em número de embarcações, os norte-americanos ainda mantêm vantagens como porta-aviões nucleares, rede global de bases militares e გამოცდილ em operações navais.
No entanto, a rápida expansão chinesa tem gerado preocupações entre países da região, diante do aumento da presença militar em áreas disputadas.
Especialistas apontam que o avanço da China contribui para redefinir o equilíbrio de poder no Indo-Pacífico, elevando o risco de tensões e possíveis incidentes entre potências.
*Com informações da RFI.








Deixe um comentário