Conflito no Oriente Médio pode elevar exportações de combustíveis do Brasil e impactar vendas de alimentos, aponta MDIC

O agravamento do conflito no Oriente Médio pode gerar efeitos distintos no comércio exterior brasileiro, com possível aumento nas exportações de combustíveis e impacto temporário nas vendas de alimentos para países da região. A avaliação foi apresentada na quinta-feira (05/03/2026) pelo diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Herlon Brandão, ao comentar dados recentes da balança comercial brasileira.

Segundo o diretor, tensões geopolíticas no Oriente Médio tendem a pressionar os preços internacionais do petróleo, fator que pode beneficiar países exportadores da commodity.

Nesse cenário, o Brasil, classificado como exportador líquido de petróleo, pode registrar aumento no saldo comercial do setor energético caso os preços internacionais se mantenham em alta.

Impacto nas exportações de combustíveis e alimentos

De acordo com Herlon Brandão, a elevação do preço do petróleo tende a ampliar o saldo da balança comercial de combustíveis do Brasil.

Ele explicou que, com a valorização do barril no mercado internacional, o valor das exportações brasileiras de petróleo e derivados tende a crescer, o que pode compensar eventuais perdas em outros setores.

Por outro lado, o diretor ressaltou que países do Oriente Médio também são importantes importadores de alimentos brasileiros, incluindo carne de frango, milho, açúcar e produtos halal, produzidos de acordo com normas alimentares islâmicas.

Participação do Oriente Médio nas exportações brasileiras

Dados do Ministério indicam que 32% das exportações brasileiras de milho têm como destino o Oriente Médio.

A região também responde por 30% das vendas externas de carne de aves, 17% das exportações de açúcar e 7% das exportações de carne bovina do Brasil.

Segundo Brandão, eventuais interrupções logísticas ou instabilidades políticas podem provocar redução temporária no fluxo comercial, mas a tendência é de normalização da demanda no médio prazo.

Comércio com os Estados Unidos registra queda

Os dados da balança comercial também indicam mudanças nas relações comerciais com os Estados Unidos.

Em fevereiro de 2026, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 2,523 bilhões, queda de 20,3% em comparação com fevereiro de 2025.

As importações provenientes dos Estados Unidos totalizaram US$ 2,788 bilhões, recuo de 16,5%, resultando em déficit comercial de US$ 265 milhões no período.

Sobretaxa comercial e reflexos nas exportações

O recuo nas exportações para os Estados Unidos marca a sétima queda consecutiva nas vendas brasileiras para o país.

O movimento está associado à sobretaxa de 50% aplicada pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros em meados de 2025.

A medida foi posteriormente derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos no final de fevereiro de 2026, porém os efeitos da decisão ainda não foram refletidos nos dados comerciais mais recentes.

Exportações para a China registram crescimento

Em direção oposta, o comércio com a China apresentou crescimento nas exportações brasileiras.

Em fevereiro de 2026, as vendas brasileiras para o país asiático somaram US$ 7,220 bilhões, aumento de 38,7% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações brasileiras provenientes da China caíram 31,3%, totalizando US$ 5,494 bilhões, o que resultou em superávit de US$ 1,73 bilhão na balança comercial bilateral.

Compra de plataforma influencia estatísticas comerciais

Um dos fatores que influenciaram os dados de importação foi a aquisição de uma plataforma de petróleo avaliada em cerca de US$ 2,5 bilhões.

O equipamento foi comprado da Coreia do Sul, operação que impactou as estatísticas comerciais regionais do período.

Segundo o Mdic, transações de grande porte como essa podem gerar variações temporárias nos dados mensais da balança comercial.

União Europeia e Argentina também influenciam balança comercial

As exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 4,232 bilhões em fevereiro, crescimento de 34,7% em comparação com o mesmo mês de 2025.

As importações provenientes do bloco recuaram 10,8%, atingindo US$ 3,301 bilhões, o que resultou em superávit de US$ 931 milhões para o Brasil.

No comércio com a Argentina, houve retração tanto nas exportações quanto nas importações. As vendas brasileiras caíram 26,5%, totalizando US$ 1,057 bilhão, enquanto as importações recuaram 19,2%, para US$ 850 milhões, gerando superávit de US$ 207 milhões.

Principais parceiros comerciais do Brasil

China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina estão entre os principais parceiros comerciais do Brasil e exercem influência direta no desempenho da balança comercial.

Alterações nos fluxos comerciais com esses mercados costumam refletir mudanças na demanda global, políticas comerciais e variações econômicas internacionais, fatores que afetam o resultado das exportações brasileiras.

*Com informações da Agência Brasil.


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