O deputado estadual Niltinho rebateu críticas do ex-prefeito de Salvador ACM Neto ao governo de Jerônimo Rodrigues sobre o preço dos combustíveis na Bahia, afirmando que o aumento registrado no estado decorre, sobretudo, da privatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), realizada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o parlamentar, a Bahia apresenta atualmente os combustíveis mais caros do país em razão do novo modelo de precificação adotado após a venda da refinaria, localizada em Mataripe. Niltinho argumenta que as críticas da oposição desconsideram a mudança estrutural ocorrida no setor de refino e o impacto direto dessa decisão sobre o consumidor.
Privatização da RLAM e impacto nos preços
De acordo com o deputado, a refinaria passou a ser controlada pela empresa Acelen, que adota uma política de preços baseada na variação imediata das cotações internacionais do petróleo. Esse modelo, segundo ele, difere da política historicamente praticada pela Petrobras, que tende a amortecer oscilações externas para reduzir impactos no mercado interno.
O parlamentar sustenta que essa diferença explica a elevação mais acentuada dos preços na Bahia em comparação a outros estados. “O preço mais alto hoje é consequência direta da privatização. É preciso discutir o problema com base em fatos”, afirmou.
Ainda segundo Niltinho, o governo estadual tem atuado na fiscalização do mercado de combustíveis e busca medidas para mitigar os efeitos da alta sobre os consumidores, embora reconheça limitações diante da estrutura privatizada do setor de refino.
Críticas políticas e vínculo com o bolsonarismo
No campo político, Niltinho também direcionou críticas a ACM Neto, destacando que o ex-prefeito não teria se posicionado contra a privatização da refinaria no período em que a medida foi conduzida pelo governo federal.
O deputado associou ainda o líder oposicionista ao campo político bolsonarista, ao mencionar seu apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, interpretando essa aliança como indicativo de alinhamento ideológico e político.
Para Niltinho, essa vinculação enfraquece as críticas feitas ao atual governo estadual, uma vez que, em sua avaliação, o cenário atual dos combustíveis é resultado de decisões tomadas em âmbito federal no passado recente.
Política de preços e limitações do governo estadual
A discussão sobre o preço dos combustíveis na Bahia evidencia um ponto estrutural do setor energético: a diferença entre modelos de controle estatal e gestão privada na formação de preços.
Enquanto a Petrobras historicamente operou com mecanismos de compensação para reduzir a volatilidade, a política adotada pela Acelen segue parâmetros de mercado internacional, com repasses mais rápidos das oscilações do petróleo e do câmbio.
Nesse contexto, a atuação do governo estadual, segundo especialistas, tende a se concentrar em fiscalização, regulação e políticas complementares, sem controle direto sobre a formação de preços na refinaria privatizada.








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