Dom Zanoni concede bênção apostólica com indulgência plenária durante a 12ª Caminhada do Perdão em Feira de Santana

A 12ª edição da Caminhada do Perdão, realizada na manhã deste domingo (01/03/2026), segundo domingo da Quaresma, em Feira de Santana, foi marcada por um gesto de profundo significado espiritual para os fiéis da Igreja Católica. Ao término do percurso penitencial promovido pela Arquidiocese de Feira de Santana, o arcebispo metropolitano Dom Zanoni Demettino Castro concedeu aos participantes a bênção apostólica com indulgência plenária, reforçando a dimensão de comunhão entre a Igreja local e a Igreja universal.

O gesto litúrgico, que ocorre em ocasiões específicas previstas pela disciplina eclesiástica, foi incorporado à programação da caminhada como forma de aprofundar o sentido penitencial e espiritual do período quaresmal, marcado pela prática da oração, da conversão e da reconciliação sacramental. A concessão da bênção apostólica, nesse contexto, amplia o significado pastoral da iniciativa e fortalece a participação dos fiéis na preparação espiritual para a Páscoa.

Significado da bênção apostólica na vida da Igreja

Segundo o referencial da Pastoral Litúrgica da arquidiocese, padre Leonardo Almeida, a decisão de conceder a bênção apostólica durante a caminhada foi apresentada ao arcebispo em razão da relevância pastoral do evento.

“Dentro de sua diocese, o bispo pode conceder a bênção apostólica até três vezes ao ano. Considerando que a Caminhada do Perdão é um forte momento de comunhão de toda a Igreja particular de Feira de Santana, foi apresentada ao arcebispo a possibilidade de conceder, nessa ocasião, a bênção apostólica aos fiéis”, explicou o sacerdote.

Na tradição da Igreja Católica, a bênção apostólica é concedida pelo bispo em nome do Papa, como sinal da unidade entre a comunidade local e a Igreja universal. Trata-se de um gesto que expressa a comunhão eclesial e reforça o vínculo espiritual dos fiéis com o sucessor de São Pedro.

Indulgência plenária e as condições espirituais

A concessão da indulgência plenária está associada à bênção apostólica e pressupõe determinadas condições espirituais por parte dos fiéis. Para que seja obtida, é necessário que os participantes estejam verdadeiramente arrependidos, tenham recebido o Sacramento da Confissão, estejam em estado de graça mediante a Sagrada Comunhão e realizem orações pelas intenções do Santo Padre, do bispo e da Igreja.

De acordo com a doutrina católica, a indulgência plenária consiste na remissão da pena temporal decorrente dos pecados já perdoados quanto à culpa no Sacramento da Penitência.

Padre Leonardo Almeida recorda que essa definição encontra fundamento no Código de Direito Canônico, especificamente no cânon 992, que estabelece:

“Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa.”

Segundo a explicação pastoral, essa remissão é concedida ao fiel pela própria Igreja, entendida como dispensadora dos frutos da redenção de Cristo, que distribui espiritualmente os méritos de Cristo e dos santos aos fiéis.

Caminhada do Perdão reforça espiritualidade quaresmal

A realização da Caminhada do Perdão integra o calendário pastoral da Arquidiocese de Feira de Santana e reúne anualmente milhares de fiéis em um percurso marcado por momentos de oração, reflexão e penitência.

A prática se insere no contexto da Quaresma, período litúrgico de quarenta dias que antecede a celebração da Páscoa e que é tradicionalmente dedicado à conversão espiritual, à prática da caridade e ao aprofundamento da vida sacramental.

Ao associar a bênção apostólica à caminhada penitencial, a Arquidiocese destaca a dimensão comunitária da experiência cristã da reconciliação. Na tradição católica, o perdão não se limita a um ato individual de consciência, mas se realiza no interior da comunidade e sob a orientação pastoral da Igreja.

Esse enfoque pastoral reforça o entendimento de que a penitência cristã envolve não apenas práticas pessoais de devoção, mas também a vivência da fé em comunhão com a Igreja e com o seu pastor, especialmente em momentos litúrgicos significativos como o período quaresmal.


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