O Partido Social-Democrata, liderado pela primeira-ministra Mette Frederiksen, ficou em primeiro lugar nas eleições parlamentares realizadas na terça-feira (25/03/2026), mas não garantiu maioria absoluta, segundo os resultados oficiais divulgados na quarta-feira (25/03/2026). Diante do cenário, a premiê apresentou renúncia formal ao chefe de Estado, iniciando o processo para formação de um novo governo.
A decisão abre caminho para negociações entre os partidos, conduzidas pela monarquia, com o objetivo de estabelecer uma nova coalizão. O partido Moderados, de centro, surge como peça-chave para definir o futuro político do país.
Com 21,9% dos votos, os social-democratas registraram seu pior desempenho eleitoral em mais de 100 anos, abaixo dos 27,5% obtidos em 2022, evidenciando perda de apoio popular mesmo permanecendo como maior força política.
Fragmentação do Parlamento amplia dificuldade de governabilidade
O bloco de esquerda conquistou 84 das 179 cadeiras do Parlamento, enquanto os partidos de direita somaram 77 assentos. O equilíbrio entre os dois grupos impede a formação automática de maioria e aumenta a dependência de alianças.
Os Moderados, liderados por Lars Løkke Rasmussen, conquistaram 14 cadeiras, tornando-se decisivos nas negociações. A tendência é de discussões prolongadas para definir a composição do próximo governo.
A atual coalizão, formada desde 2022 com participação de partidos de direita e esquerda, enfrenta obstáculos para continuidade. O líder do partido Liberal, integrante da base governista anterior, descartou nova aliança com a esquerda, reduzindo as possibilidades de recomposição.
Crescimento da oposição e avanço da extrema direita
O Partido Popular Socialista tornou-se a segunda maior força política, com 11,6% dos votos, consolidando espaço dentro do campo progressista.
Já o Partido Popular Dinamarquês, de extrema direita e com pauta anti-imigração, apresentou crescimento expressivo, alcançando 9,1% dos votos, após ter perdido relevância no pleito anterior.
O avanço reforça a presença de pautas migratórias no debate político e indica mudança no comportamento do eleitorado, especialmente em relação à segurança e políticas de fronteira.
Groenlândia e Ilhas Faroé podem influenciar maioria
Os territórios autônomos da Groenlândia e das Ilhas Faroé têm papel estratégico no Parlamento, com dois representantes cada, podendo impactar o equilíbrio de forças entre os blocos.
Até o momento, apenas os resultados das Ilhas Faroé foram confirmados, com a reeleição de representantes divididos entre esquerda e direita.
Na Groenlândia, o processo eleitoral registrou maior mobilização, com mais de 20 candidatos disputando duas vagas, refletindo o aumento do interesse político local e debates sobre independência e autonomia.
Temas centrais da campanha e cenário internacional
A campanha eleitoral foi marcada por temas internos, como custo de vida, políticas de bem-estar social e meio ambiente. A imigração voltou ao centro das discussões, com propostas de endurecimento defendidas pelos social-democratas.
No cenário externo, a liderança de Mette Frederiksen foi influenciada por sua posição contrária a propostas internacionais envolvendo a Groenlândia, o que teve impacto na percepção pública durante o processo eleitoral.
As negociações para formação de governo devem definir o rumo político da Dinamarca nas próximas semanas, com expectativa de acordos complexos e possível reconfiguração das alianças tradicionais.
*Com informações da RFI.








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