A Embraer anunciou, na quarta-feira (04/03/2026), uma parceria com a empresa Valkyrie Aero para integrar ao A-29 Super Tucano o sistema Gunslinger, tecnologia baseada em inteligência artificial voltada à detecção e neutralização de drones. A iniciativa busca ampliar as capacidades da aeronave no combate a sistemas aéreos não tripulados, conhecidos como C-UAS (Counter-Unmanned Aerial Systems).
Segundo a empresa brasileira, o novo sistema permitirá identificar, rastrear e reagir a ameaças aéreas não tripuladas com maior rapidez, apoiando decisões táticas durante operações militares.
A integração do sistema também deve aperfeiçoar as capacidades antidrones já presentes no A-29, que atualmente utiliza sensores integrados empregados em missões de combate e vigilância.
Sistema Gunslinger amplia capacidade de combate a drones
De acordo com informações divulgadas pela Embraer, o Gunslinger utiliza algoritmos de inteligência artificial para analisar dados de sensores e apoiar a tomada de decisões em tempo real no campo de batalha.
O sistema foi desenvolvido para identificar e acompanhar drones hostis, permitindo que a aeronave reaja de forma rápida e coordenada diante de ameaças aéreas não tripuladas.
Após a identificação do alvo, o A-29 Super Tucano pode ajustar sua velocidade e posição para interceptação, possibilitando o uso de armamentos como mísseis guiados, metralhadoras e outros sistemas de ataque aéreo.
Segundo a Embraer, a combinação entre o sistema antidrones e as características operacionais do Super Tucano pode oferecer soluções de combate com custos operacionais menores em comparação a plataformas mais pesadas.
A-29 Super Tucano amplia papel em operações de defesa
O A-29 Super Tucano é utilizado por forças aéreas de diversos países em missões de ataque leve, vigilância, reconhecimento e treinamento avançado.
A aeronave acumula mais de 60 mil horas de voo em operações de combate, segundo dados divulgados pela Embraer Defesa & Segurança.
De acordo com Marcio Monteiro, vice-presidente de Inteligência de Mercado da Embraer Defesa & Segurança, a parceria busca expandir o papel da aeronave no combate a drones.
Segundo o executivo, a integração do novo sistema permite aprimorar a capacidade de resposta contra sistemas aéreos não tripulados, que têm sido cada vez mais utilizados em cenários de conflito.
Marinha apresenta novas tecnologias e integração de drones
Também na quarta-feira (04/03/2026), o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil apresentou iniciativas voltadas à modernização tecnológica da força durante evento realizado na Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro.
Entre as novidades divulgadas está a criação do Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, primeira unidade dedicada ao emprego de drones em operações militares da corporação.
A força também anunciou a implantação de uma Escola de Drones no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo, destinada à formação de militares para operação de sistemas não tripulados.
Segundo o vice-almirante Renato Rangel Ferreira, a instituição pretende concentrar conhecimento sobre emprego tático, técnicas operacionais e análise de cenários envolvendo drones em conflitos contemporâneos.
Novos equipamentos militares e reorganização da força
Durante o evento, também foram apresentados equipamentos voltados à proteção do litoral e apoio a operações militares, incluindo as Embarcações de Desembarque Litorâneo (EDLit).
As embarcações são projetadas para operações em áreas costeiras e ribeirinhas, possuem velocidade máxima aproximada de 74 km/h e capacidade para transportar até 13 militares.
Outro sistema apresentado foi a viatura do sistema ASTROS equipada com o Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP), que possui alcance estimado de 70 quilômetros e velocidade próxima de 1.000 km/h.
Também foi exibido o míssil MSS 1.2 MAX, armamento guiado a laser destinado à neutralização de veículos blindados terrestres, marítimos e aéreos, com alcance entre 2 e 3 quilômetros.
Mercado de drones cresce no Brasil
Dados do Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT) indicam que o Brasil registrava 133 mil drones cadastrados na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) até fevereiro de 2026.
O número confirma a expansão do setor desde a regulamentação das operações civis de drones no país, implementada em 2017.
Naquele ano, o país possuía cerca de 16,5 mil drones registrados, enquanto em 2022 o total alcançou 93.729 aeronaves, representando crescimento acumulado superior a 460% em cinco anos.
O relatório também aponta que 44% dos drones registrados são utilizados para atividades profissionais, incluindo aplicações no agronegócio, inspeções industriais, energia, segurança e monitoramento.
Nos últimos anos, o setor também registrou aumento nas importações de drones e na demanda por autorizações de voo, refletindo a expansão de aplicações associadas a inteligência artificial, redes 5G e automação tecnológica.
*Com informações da Sputnik News.








Deixe um comentário