Guerra entre EUA, Israel e Irã se intensifica no 5º dia de conflito; Presidente Donald Trump afirma que “tudo foi destruído” e militares relatam mais de 2 mil alvos atingidos

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã entrou em seu quinto dia de confrontos diretos nesta quarta-feira (04/03/2026), ampliando a instabilidade regional após o assassinato do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, em ataques militares iniciados no sábado (28/02). Segundo autoridades militares americanas, mais de 2 mil alvos estratégicos foram atingidos no território iraniano, incluindo bases de mísseis, centros de comando e ativos da marinha. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a infraestrutura militar do país foi praticamente destruída, enquanto o Irã respondeu com mísseis balísticos e drones contra Israel, bases militares e países do Golfo, ampliando o risco de um conflito regional de grandes proporções.

Escalada militar no quarto dia de guerra

Nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (03/03), as Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram novos ataques aéreos contra Teerã e contra áreas do sul de Beirute, no Líbano, com foco em alvos considerados estratégicos.

De acordo com os militares israelenses, a operação teve como objetivo atingir infraestrutura militar iraniana e posições do Hezbollah, grupo armado libanês apoiado por Teerã. Os bombardeios atingiram estruturas associadas à liderança iraniana, incluindo instalações do gabinete presidencial e do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

Simultaneamente, Israel conduziu ataques na cidade de Isfahan, a cerca de 435 quilômetros de Teerã, onde estariam localizados sistemas de mísseis balísticos e depósitos de armamentos.

Horas depois, as forças israelenses declararam concluída a fase inicial da ofensiva contra infraestrutura militar iraniana.

Ataque atinge edifício ligado à sucessão do líder supremo

Imagens registradas na cidade sagrada de Qom, aproximadamente 156 quilômetros ao sudoeste da capital iraniana, mostraram a destruição quase completa do prédio da secretaria da Assembleia de Peritos.

O órgão, composto por 88 clérigos de alto escalão, possui a atribuição constitucional de eleger o novo líder supremo do Irã após a morte de Khamenei.

Segundo a agência semioficial iraniana Mehr, o prédio atingido era uma estrutura antiga e não estava sendo utilizado para reuniões da assembleia. A emissora estatal IRIB afirmou que o local havia sido evacuado previamente, e não houve confirmação de vítimas.

EUA afirmam ter atingido mais de 2 mil alvos militares

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) divulgou que as forças americanas atingiram mais de 2 mil alvos dentro do território iraniano desde o início da operação militar.

Entre os objetivos da ofensiva estão:

  • instalações de mísseis balísticos
  • navios e submarinos da marinha iraniana
  • centros de comando militar
  • infraestrutura estratégica de defesa

Segundo o comunicado, as operações envolveram caças de combate, sistemas de mísseis e navios de guerra, em uma das maiores ações militares americanas no Oriente Médio nas últimas décadas.

O governo americano denominou a ofensiva de Operação Fúria Épica, cujo objetivo declarado é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e neutralizar capacidades militares consideradas ameaças diretas à segurança regional.

Mortes e danos civis se acumulam

Organizações humanitárias relatam um número crescente de vítimas.

Segundo o Crescente Vermelho do Irã, cerca de 787 pessoas morreram no país desde o início dos ataques. Já o grupo independente Human Rights Activists estima que o número de civis mortos pode ultrapassar 1.000 vítimas.

A escalada militar também provocou destruição significativa em cidades iranianas e em áreas atingidas no Líbano.

Retaliação iraniana amplia o conflito regional

Em resposta aos bombardeios, o Irã lançou mísseis balísticos e drones contra Israel e contra diversos países do Oriente Médio que abrigam bases militares americanas.

Entre os alvos dos ataques estão:

  • Israel
  • Catar
  • Bahrein
  • Jordânia
  • Emirados Árabes Unidos
  • Kuwait
  • Omã
  • Arábia Saudita

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos afirmou que suas defesas aéreas interceptaram 172 mísseis e 755 drones desde o início das hostilidades.

Um drone também atingiu a base aérea britânica de Akrotiri, no Chipre. Autoridades britânicas afirmaram que não houve vítimas.

Hezbollah abre nova frente de combate

Na segunda-feira (02/03), o grupo libanês Hezbollah, aliado estratégico do Irã, iniciou ataques contra Israel.

Em resposta, as forças israelenses bombardearam posições em Beirute e no sul do Líbano, provocando dezenas de mortos e feridos, segundo autoridades libanesas.

Israel também ordenou a evacuação de 50 vilarejos próximos à fronteira, alertando para a possibilidade de operações militares prolongadas na região.

Estreito de Ormuz sob ameaça e risco ao mercado global de energia

A escalada militar provocou uma grave interrupção no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais estratégicas do planeta.

Cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia passam pelo estreito, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.

O Irã anunciou o fechamento da passagem marítima e ameaçou atacar embarcações que tentassem cruzar a região.

Em resposta, Trump afirmou que a Marinha dos Estados Unidos poderá escoltar petroleiros, caso seja necessário garantir a segurança da navegação.

Tensões diplomáticas com aliados europeus

O conflito também gerou divergências entre Washington e aliados tradicionais da Europa.

Em entrevista ao jornal britânico The Sun, Trump criticou o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmando que o governo britânico não foi “prestativo” na ofensiva contra o Irã.

Inicialmente, Londres não autorizou o uso de bases militares britânicas para ataques contra o território iraniano, permitindo apenas operações classificadas como defensivas.

O presidente americano também criticou a Espanha, ameaçando romper relações comerciais após o governo de Pedro Sánchez recusar o uso de bases militares espanholas para operações contra o Irã.

Trump afirma que capacidade militar iraniana foi destruída

Após reunião na Casa Branca com o chanceler alemão Friedrich Merz, Trump declarou que o Irã perdeu praticamente toda a sua estrutura militar.

Segundo o presidente americano:

  • “A defesa aérea, a Força Aérea, a Marinha e a liderança deles desapareceram.”
  • “Praticamente tudo foi destruído.”

Trump afirmou ainda que Washington busca impedir que o Irã obtenha armas nucleares e que a ofensiva continuará até neutralizar completamente o aparato militar do país.

Sucessão do líder supremo iraniano

Com a morte de Ali Khamenei, o Irã enfrenta agora um processo delicado de sucessão política.

De acordo com a Constituição iraniana, a escolha do novo líder supremo cabe à Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos eleitos diretamente pela população.

O órgão deve escolher o sucessor o mais rapidamente possível, mas especialistas avaliam que o processo pode ser dificultado pelas condições de segurança durante os ataques.

Impactos na aviação e nas viagens internacionais

O conflito provocou uma das maiores interrupções no tráfego aéreo internacional desde a pandemia de covid-19.

Diversas companhias aéreas suspenderam voos para a região, entre elas:

  • British Airways
  • Lufthansa
  • Swiss International Air Lines
  • Emirates
  • Air India
  • Virgin Atlantic
  • Turkish Airlines
  • Wizz Air

Alguns países, como Iraque e Jordânia, fecharam completamente o espaço aéreo. Os Emirados Árabes Unidos adotaram restrições temporárias.

O Itamaraty também publicou alerta recomendando que brasileiros evitem viagens para diversos países da região, incluindo Irã, Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina e Síria.

*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI e Sputnik.


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