A ofensiva aérea conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã ampliou-se para o Líbano e atingiu países do Golfo que sediam bases americanas, enquanto Teerã intensificou mísseis e drones na regiãom nesta segunda-feira (02/03/2026). O conflito já provocou centenas de vítimas civis, fechamento de espaços aéreos, paralisação de portos estratégicos e disparada do petróleo, além de tensões diplomáticas com aliados. Avaliação de inteligência dos EUA aponta risco de retaliações cibernéticas e ataques direcionados após a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, confirmada por Teerã.
Conflito se expande ao Líbano e ao Golfo
A guerra ganhou nova frente quando o Hezbollah, aliado de Teerã no Líbano, lançou mísseis e drones contra Israel. Em resposta, Israel realizou bombardeios nos subúrbios ao sul de Beirute, área de influência do grupo. A agência estatal libanesa NNA informou ao menos 31 mortos e 149 feridos.
Nos países do Golfo, ataques iranianos atingiram áreas próximas a instalações energéticas e diplomáticas. No Kuwait, três caças F-15E dos EUA foram abatidos por engano durante um ataque iraniano; os seis tripulantes ejetaram e foram resgatados, segundo o Comando Central americano. A Arábia Saudita fechou sua maior refinaria após incêndio provocado por drones, e o Qatar interrompeu a produção de gás natural liquefeito diante da insegurança no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado por via marítima.
O Pentágono informou ter atingido mais de 1.250 alvos no Irã e afundado 11 embarcações iranianas. Seis militares americanos morreram em ataques de retaliação no fim de semana.
Impacto econômico e transporte global
O fechamento de espaços aéreos lançou o transporte internacional em desordem, com milhares de passageiros retidos. Em Dubai, mísseis e destroços de interceptores atingiram o aeroporto internacional, hotéis e o porto de Jebel Ali; três mortos e 58 feridos foram reportados pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos (EAU). As bolsas de Abu Dhabi e Dubai suspenderam negociações nos dias 2 e 3 de março, medida inédita.
A reputação de Dubai como porto seguro financeiro foi colocada à prova. O modelo econômico do emirado — baseado em comércio, turismo, imóveis e serviços financeiros — cresceu com estabilidade regulatória e atração de capital internacional. Especialistas alertam que a persistência do conflito pode elevar o prêmio de risco geopolítico e estimular realocação de ativos. Não há, até o momento, dados consolidados de saída de capitais.
Nos EUA, o preço médio da gasolina superou US$ 3 por galão, em parte pressionado pela guerra, ampliando o desgaste político interno do presidente Donald Trump.
Washington: justificativas e avaliação de ameaças
Trump afirmou que a operação pode durar quatro a cinco semanas ou mais e que o objetivo é neutralizar o programa nuclear e o avanço de mísseis balísticos iranianos. O governo sustenta que agiu de forma preventiva diante de ameaça iminente; parlamentares pedem evidências públicas adicionais.
Avaliação de 28 de fevereiro do Departamento de Segurança Interna (DHS) indica que ataques físicos em larga escala nos EUA são improváveis, mas considera provável a intensificação de ciberataques e ações de “hacktivistas” alinhados ao Irã, como desfiguração de sites e ataques de negação de serviço. A secretária Kristi Noem declarou monitoramento contínuo e coordenação com agências federais.
Teerã, protestos e risco de escalada
O Irã nega buscar armas nucleares e afirma que o ataque ocorreu enquanto negociava um acordo com enviados americanos. Ali Larijani, alto responsável de segurança, declarou que Teerã não negociará sob pressão. Dentro do país, há relatos de êxodo de moradores das grandes cidades; parte da população celebrou a morte de Khamenei, enquanto líderes clericais mantêm o controle.
Na Arábia Saudita, dois drones atingiram a embaixada dos EUA em Riad com danos limitados. No Paquistão, fuzileiros navais americanos abriram fogo durante invasão do consulado em Karachi; dez pessoas morreram no domingo, segundo autoridades locais. Investigações estão em curso para apurar responsabilidades.
Aliados divididos: Reino Unido e críticas de Trump
Em Londres, o primeiro-ministro Keir Starmer defendeu ter autorizado o uso limitado e defensivo de bases britânicas pelos EUA, mas recusou participação em “ataques ofensivos”. Starmer citou o direito internacional e os “erros do Iraque” como parâmetro decisório. Trump criticou a postura britânica, inclusive quanto ao uso da base de Diego Garcia.
Turquia, Rússia e China condenaram a guerra. O Departamento de Estado dos EUA recomendou que cidadãos americanos deixem mais de uma dezena de países do Oriente Médio, embora o fechamento de espaços aéreos dificulte a saída.
*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI e Sputnik.








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