O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) informou nesta quinta-feira (12/03/2026) que cerca de 3,2 milhões de iranianos foram deslocados dentro do Irã desde o início da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. As estimativas indicam que entre 600 mil e 1 milhão de famílias deixaram temporariamente suas residências devido à intensificação do conflito no Oriente Médio.
Segundo Ayaki Ito, diretor da Divisão de Apoio a Emergências e Programas do ACNUR, grande parte da população deslocada está saindo de Teerã e de outros grandes centros urbanos, buscando refúgio em regiões do norte do país e áreas rurais. O órgão alerta que o número de deslocados pode continuar aumentando enquanto os confrontos persistirem.
O atual cenário começou após a ofensiva militar conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28/02/2026, que desencadeou uma guerra em diferentes pontos do Oriente Médio. Nesta quinta-feira (12/03/2026), ataques aéreos continuam sendo registrados no território iraniano, marcando o 13º dia de confrontos.
Deslocamento interno e impacto humanitário
O ACNUR informou que o deslocamento interno afeta principalmente famílias que buscam segurança e acesso a serviços básicos, diante da intensificação das hostilidades e da instabilidade nas cidades mais populosas.
De acordo com Ayaki Ito, o aumento do deslocamento populacional representa um desafio humanitário crescente, exigindo ações de monitoramento e assistência emergencial para atender às necessidades das famílias afetadas.
O órgão internacional declarou que está trabalhando em conjunto com autoridades nacionais e organizações parceiras para avaliar demandas emergenciais e fortalecer os mecanismos de resposta diante do aumento dos movimentos populacionais.
Refugiados e populações vulneráveis no Irã
O ACNUR também alertou para a situação de refugiados que vivem no Irã, principalmente afegãos, que enfrentam condições de maior vulnerabilidade diante da escalada do conflito. Segundo o organismo, essas famílias possuem redes de apoio limitadas e acesso restrito a serviços essenciais, o que amplia os riscos sociais e humanitários.
A agência afirmou que muitos refugiados estão deixando as áreas mais afetadas pela guerra em busca de segurança, agravando a pressão sobre comunidades que recebem deslocados internos e estrangeiros.
Em comunicado, o ACNUR destacou a necessidade de proteção aos civis, manutenção do acesso humanitário e garantia de fronteiras abertas para pessoas que buscam segurança, conforme estabelecido pelas obrigações internacionais.
Expansão da crise humanitária no Líbano
Além do Irã, o Líbano também enfrenta consequências do conflito regional. Autoridades locais informaram que cerca de 800 mil pessoas foram deslocadas no país em decorrência dos ataques relacionados à guerra.
A representante do ACNUR no Líbano, Karolina Lindholm Billing, declarou em Genebra, na terça-feira (10/03/2026), que o número de deslocados continua aumentando à medida que os confrontos se intensificam.
Segundo a representante, muitas famílias fugiram rapidamente de suas residências e estão buscando abrigo em Beirute, Monte Líbano, regiões do norte do país e áreas do Vale do Bekaa.
Os ataques israelenses no território libanês, direcionados ao movimento Hezbollah, já provocaram 687 mortes, de acordo com autoridades do país, ampliando os impactos humanitários da guerra no Oriente Médio.
*Com informações da RFI.











Deixe um comentário