A escalada da guerra no Oriente Médio tem impactado diretamente o cenário econômico global e deve levar o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, a manter os juros inalterados na decisão prevista para esta quarta-feira (18/03/2026). A expectativa do mercado é de adiamento no ciclo de cortes diante da pressão inflacionária.
O aumento dos preços do petróleo e do gás elevou os custos de energia, influenciando a inflação e alterando as projeções econômicas monitoradas pela autoridade monetária.
Nesse contexto, fatores geopolíticos passaram a ter peso relevante nas decisões, superando, em parte, os indicadores tradicionais da economia.
Impacto da guerra nas decisões monetárias
Analistas avaliam que o conflito modificou o cenário anteriormente previsto para a política monetária dos Estados Unidos.
A alta da energia cria um dilema para o banco central: ao mesmo tempo em que há sinais de desaceleração econômica, o aumento dos custos dificulta a redução dos juros.
A tendência é que o presidente do Fed, Jerome Powell, adote uma postura cautelosa, mantendo as taxas estáveis enquanto avalia os impactos do choque energético.
Expectativas do mercado e projeções
O cenário predominante entre economistas indica manutenção dos juros não apenas nesta reunião, mas também nos próximos meses.
As projeções apontam que um eventual corte pode ocorrer apenas a partir de setembro de 2026, dependendo da evolução do conflito e da inflação.
Enquanto isso, o preço do petróleo permanece próximo de US$ 100 por barril, sem sinais claros de estabilização, mantendo a pressão sobre os índices de preços.
Petróleo como fator central da inflação
O custo da energia tornou-se o principal elemento de preocupação para o Federal Reserve no curto prazo.
O aumento pode impactar não apenas a inflação cheia, mas também os chamados núcleos inflacionários, que excluem itens mais voláteis.
Caso a pressão se prolongue, a autoridade monetária poderá ser obrigada a manter juros elevados por mais tempo, prolongando o ciclo restritivo.
Riscos para crescimento econômico
Parte do mercado avalia que o choque atual é resultado de fatores externos, ligados à oferta, e não a um excesso de demanda interna.
No entanto, a duração do conflito será determinante para o impacto econômico: um cenário prolongado pode levar à redução do consumo, desaceleração da atividade e aumento do desemprego.
Dessa forma, o petróleo passa a representar não apenas um vetor de inflação, mas também um risco ao crescimento econômico global.
Crédito imobiliário e custo do financiamento
Os efeitos já são percebidos no mercado imobiliário dos Estados Unidos, com alta nas taxas de hipoteca.
Os financiamentos de longo prazo, como contratos de 30 anos, estão em torno de 6,1%, refletindo a expectativa de juros elevados por mais tempo.
Especialistas indicam que, no curto prazo, a decisão do Fed tende a manter o custo do crédito elevado, impactando diretamente consumidores e empresas.
Pressão política e cenário institucional
Além do ambiente econômico, o banco central enfrenta um momento de transição institucional.
O mandato de Jerome Powell se encerra em quinta-feira (15/05/2026), e há indicação de Kevin Warsh para assumir o comando da instituição.
O processo, no entanto, enfrenta entraves no Senado, em meio a investigações relacionadas à gestão atual, adicionando incerteza ao cenário.
*Com informações da RFI.








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