Brasileiros que participavam de um cruzeiro marítimo seguem sem previsão de retorno ao país após a escalada do conflito no Oriente Médio, iniciada no sábado (28/02/2026), quando ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã levaram ao fechamento do espaço aéreo regional. O grupo está a bordo do navio MSC Euribia, operado pela MSC Cruzeiros, atracado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Segundo a companhia, a embarcação transporta cerca de 5 mil passageiros e permanece no porto por determinação de segurança das autoridades regionais e internacionais, sem data definida para retomada do itinerário. O retorno do grupo ao Brasil estava previsto para domingo (01/03/2026), mas os voos foram suspensos.
A empresa informou que mantém assistência integral aos hóspedes e tripulantes, com suporte logístico, alimentação, hospedagem e monitoramento das rotas aéreas em parceria com companhias aéreas e autoridades diplomáticas.
Cruzeiro cancelado e apoio consular
Em nota, a MSC declarou que está em contato com embaixadas e ministérios das Relações Exteriores para garantir informações atualizadas sobre cidadãos a bordo e avaliar alternativas de repatriação. A próxima viagem do navio foi cancelada.
O roteiro cancelado incluía escalas em Doha, no Catar, e em Abu Dhabi. A decisão foi tomada após análise de risco relacionada à instabilidade regional.
A agência Strik Turismo, responsável por parte do grupo, afirmou que todos os passageiros estão em segurança, com reposição de medicamentos, atividades internas mantidas e acompanhamento contínuo.
Itamaraty acompanha repatriação
A agência informou ainda que mantém contato com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e com a Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes Unidos para organizar o retorno assim que houver liberação do espaço aéreo.
A Agência Brasil questionou a companhia sobre o número exato de brasileiros a bordo e aguarda atualização oficial. Até o momento, não há previsão de desembarque.
O fechamento de rotas aéreas ocorre em meio à troca de ataques militares na região, elevando restrições de mobilidade e afetando operações marítimas e aeroportuárias.
Haddad avalia impacto econômico limitado
Enquanto o impasse atinge viajantes, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou na terça-feira (03/03) que a escalada do conflito não deve alterar o ciclo previsto de redução da taxa básica de juros no Brasil.
A Selic está em 15% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil. A próxima reunião do colegiado está marcada para 17 e 18 de março.
Em entrevista ao programa da Rádio Nacional, Haddad afirmou que é prematuro prever reversão no ciclo de cortes, desde que a inflação permaneça controlada e o cenário econômico não apresente surpresas relevantes.
Petróleo, geopolítica e China
O ministro destacou que conflitos armados influenciam expectativas econômicas, especialmente no mercado de energia, mas avaliou que o Brasil possui amortecedores externos, como produção própria de petróleo, reservas cambiais e matriz energética diversificada.
Segundo ele, a autonomia energética foi fortalecida por investimentos na Petrobras durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Haddad também associou a tensão regional à disputa estratégica com a China, apontando o interesse em rotas de petróleo e influência geopolítica. O líder iraniano Ali Khamenei foi citado no contexto dos ataques recentes, enquanto o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi mencionado como exemplo de tensões envolvendo potências internacionais.
*Com informações da Agência Brasil.








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