O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que projetou a guerra contra o Irã para durar entre quatro e cinco semanas, mas declarou que o país possui capacidade para prolongar o conflito “por muito mais tempo”. A declaração foi feita em sua primeira aparição pública desde o início dos ataques, iniciados na madrugada de sábado (28/02/2026), em ofensiva conduzida em conjunto com Israel. O conflito já registra ao menos 555 mortos no Irã, segundo o Crescente Vermelho iraniano, e apresenta sinais claros de expansão regional, com envolvimento do Hezbollah, ataques a bases britânicas em Chipre e reações diplomáticas na Europa.
Declarações de Trump e objetivos militares
Durante evento na Casa Branca, Trump afirmou que os ataques estão “adiantados” em relação ao cronograma previsto e reiterou que os Estados Unidos estão preparados para sustentar a ofensiva “custe o que custar”. Em entrevistas a diversos veículos internacionais, o presidente afirmou que “a maior onda de ataques ainda está por vir” e que os EUA possuem “os melhores militares do mundo”.
Trump destacou quatro objetivos centrais da operação:
- Destruir as capacidades de mísseis do Irã
- Anular a Marinha iraniana
- Impedir o desenvolvimento de armas nucleares
- Cortar o financiamento a aliados regionais de Teerã
O presidente voltou a criticar o acordo nuclear firmado durante o governo de Barack Obama, classificando-o como inadequado. Reportagens internacionais, contudo, apontam que parte das justificativas apresentadas pela Casa Branca não possui comprovação independente.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os EUA “não começaram a guerra, mas irão encerrá-la”, prometendo resposta severa a qualquer ataque contra cidadãos americanos. Quatro militares dos EUA morreram desde o início da operação.
Hezbollah amplia caráter regional do conflito
A guerra deixou de se restringir ao eixo EUA–Israel–Irã após o Hezbollah, aliado de Teerã no Líbano, lançar foguetes e drones contra o norte de Israel. Tel Aviv respondeu com bombardeios em território libanês, que deixaram ao menos 52 mortos.
Israel reforçou sua fronteira norte e mobilizou cerca de 110 mil reservistas, elevando significativamente seu nível de prontidão militar. O governo israelense declarou que continuará a ofensiva “pelo tempo que for necessário”.
A escalada também atingiu outras frentes. O Kuwait registrou incidentes envolvendo ataques iranianos, uma refinaria saudita em Ras Tanura interrompeu operações após incêndio causado por destroços de drones, e o estreito de Hormuz — por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial — foi impactado por confrontos navais, pressionando o preço do barril Brent.
Chipre e Grécia entram na equação estratégica
A expansão do conflito alcançou o Mediterrâneo. Drones iranianos atingiram a base britânica de Akrotiri, em Chipre. Em resposta, a Grécia enviou fragatas e caças para defender a ilha e interceptou aeronaves não tripuladas.
O Reino Unido inicialmente vetou o uso de suas bases para ataques ofensivos dos EUA, permitindo apenas operações de caráter defensivo. A decisão gerou críticas públicas de Trump ao premiê britânico.
O episódio evidencia um cenário distinto de 2003, quando Londres apoiou integralmente a invasão do Iraque. Desta vez, Washington atua com apoio direto apenas de Israel.
Mortes no Irã e acusações de ataques a civis
O Crescente Vermelho iraniano informou que 555 pessoas morreram desde o início da ofensiva, com 131 cidades atingidas. Um dos episódios mais graves teria ocorrido em Minab, onde um bombardeio atingiu uma escola feminina. O número de vítimas relatado pelas autoridades iranianas não foi confirmado de forma independente.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país “não permanecerá em silêncio” diante de ataques a hospitais e escolas. A Organização Mundial da Saúde declarou que está verificando denúncias envolvendo danos a instalações de saúde.
Entre os mortos confirmados pelo regime iraniano estão integrantes da cúpula militar, incluindo o chefe da Guarda Revolucionária. A morte do líder supremo Ali Khamenei, ocorrida no primeiro dia da ofensiva, desencadeou rearranjos internos no poder iraniano.
França anuncia ampliação de escudo nuclear europeu
Diante do agravamento da guerra e do isolamento estratégico dos EUA, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou a ampliação do papel do arsenal nuclear francês, colocando-o à disposição de parceiros europeus “sob determinadas circunstâncias”.
A França possui cerca de 290 ogivas nucleares, enquanto o Reino Unido dispõe de aproximadamente 225. A medida ocorre em contexto de tensão com a Rússia e após o fim do último acordo de controle de armas estratégicas entre Washington e Moscou.
Macron afirmou que o cenário atual representa “um período de agitação geopolítica cheio de riscos”, reconhecendo o perigo de ultrapassagem dos limites nucleares.
Risco de escalada sistêmica e fragmentação estratégica
O conflito iniciado em 28/02/2026 apresenta características de guerra regional com potencial de escalada sistêmica. A entrada do Hezbollah, os ataques a instalações energéticas e o envolvimento indireto de membros da Otan indicam ampliação do teatro de operações.
A ausência de autorização formal do Congresso americano e de mandato internacional reforça críticas diplomáticas, inclusive de aliados tradicionais. O isolamento operacional dos EUA, comparado a conflitos anteriores, representa mudança significativa no equilíbrio político internacional.
Ao mesmo tempo, o anúncio francês de ampliação do escudo nuclear revela preocupação europeia com o enfraquecimento da arquitetura de segurança pós-Guerra Fria. A combinação entre guerra convencional de alta intensidade e fragilidade dos acordos de controle nuclear amplia o risco de corrida armamentista e instabilidade prolongada.
*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI e Sputnik.








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