I Encontro Náutico-Cultural do Museu do Recôncavo reúne cerca de 2 mil pessoas em Candeias e fortalece cultura náutica na Baía de Todos os Santos

O I Encontro Náutico-Cultural do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho reuniu cerca de 2 mil pessoas, com público estimado em mil por dia, durante programação realizada no sábado (21/03/2026) e domingo (22/03/2026), na Enseada de Caboto, em Candeias. O evento articulou cultura, esporte, lazer, formação e tradição, com atividades gratuitas que incluíram feira gastronômica e de artesanato, passeios de saveiro, oficinas, exposições, apresentações culturais e a I Regata do Museu, disputada por 64 embarcações e aproximadamente 200 velejadores.

A I Regata do Museu concentrou o principal eixo esportivo do encontro e movimentou a Baía de Todos os Santos no sábado. A competição reuniu participantes de diferentes gerações, do velejador mais jovem, com 9 anos, ao mais experiente, Fred Cardoso, de 80 anos, que recebeu homenagem durante a cerimônia de premiação.

Ao todo, foram disputadas nove categorias, com entrega de prêmios para os três primeiros colocados de cada uma. A composição etária dos participantes reforçou o caráter intergeracional do evento e evidenciou a permanência da tradição náutica como elemento de identidade cultural do Recôncavo baiano.

Durante a premiação, o secretário de Cultura do Estado, Bruno Monteiro, afirmou que a presença de velejadores, saveiristas e da comunidade expressa o simbolismo de manter o espaço cultural “aberto e vivo”, em uma integração entre cultura, lazer e esporte. A coordenadora do museu, Daniela Steele, ressaltou a iniciativa como instrumento de convivência, consciência e redução de barreiras sociais.

Cultura náutica e participação comunitária

Representando a comunidade náutica, o presidente da Associação Náutica da Bahia, Marcelo Froes, destacou a relevância do encontro para a valorização da cultura marítima da região. Segundo ele, a iniciativa amplia as oportunidades de integração entre gerações de velejadores e aproxima o público do esporte.

A proposta do evento foi além da competição esportiva e buscou consolidar o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho como um espaço cultural conectado ao território e à memória local. Nesse sentido, a dimensão náutica funcionou como eixo de mobilização, mas também como porta de entrada para atividades educativas, artísticas e comunitárias.

A combinação entre tradição naval, programação cultural e participação popular deu ao encontro um perfil de ocupação ampla do equipamento cultural, com circulação de moradores, visitantes, famílias, crianças, artistas, educadores e praticantes de esportes náuticos ao longo dos dois dias.

Programação gratuita teve oficinas, exposições e atrações cênicas

A programação ocorreu de forma contínua, das 10h às 16h30, contemplando diferentes faixas etárias. A Vila Infantil reuniu brinquedos infláveis, pintura facial e esculturas em balões, enquanto a feira de gastronomia e artesanato abriu espaço para a participação de empreendedores locais e para a valorização da produção do território.

No campo formativo, houve forte adesão às oficinas promovidas durante o encontro. Entre os destaques esteve “Contra-Brasões: Memória, Trabalho e Fogo”, ministrada pela artista Luiza Nery, além das atividades organizadas pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Sul da Bahia (IDES), como “Barquinhos do Futuro” e a oficina de produção audiovisual “Lugares de Memória”.

Essas ações articularam educação ambiental, memória e práticas criativas, ampliando o alcance pedagógico do evento. Ao incorporar atividades de formação, o encontro ultrapassou o modelo de programação exclusivamente recreativa e reforçou o papel do museu como espaço de mediação cultural e educacional.

Artes visuais e performances integraram a programação

A exposição “Arandu – Caminhar com a Própria Sombra”, de Luiza Nery, permaneceu aberta durante todo o evento, reunindo trabalhos em cerâmica e ação performática voltados a temas como ancestralidade e pertencimento. A iniciativa ampliou o diálogo entre arte contemporânea e memória social no espaço do museu.

Também fizeram parte da agenda a performance “Casa de Reza” e a exposição fotográfica do IDES, com registros de experiências socioeducativas desenvolvidas no território. O conjunto das mostras contribuiu para dar densidade simbólica ao encontro e reforçou o vínculo entre produção artística e identidade local.

Na programação cultural, o público acompanhou ainda atrações musicais e cênicas, como o aulão de pagode baiano, que encerrou as atividades no domingo, além do show interativo do Grupo Stripulia e do espetáculo de teatro de fantoches “Era uma vez, o menino, o velho e o burro”, apresentado pelo Grupo Ereoatá.

Acesso, inclusão e recursos de acessibilidade ampliaram alcance do evento

Entre os atrativos mais procurados estiveram os passeios gratuitos no saveiro Sombra da Lua, embarcação centenária que realizou saídas regulares durante os dois dias de programação. A atividade ampliou a experiência do público com a cultura náutica da Baía de Todos os Santos e aproximou visitantes de uma tradição histórica do Recôncavo.

No domingo, o evento também marcou o lançamento do novo site do Museu do Recôncavo, iniciativa voltada à ampliação do acesso ao acervo e às informações institucionais. A plataforma passou a oferecer recursos como tour virtual, audioguia multilíngue, Libras e audiodescrição, em linha com diretrizes de acessibilidade cultural.

A ação integra a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e foi acompanhada da realização da oficina de acessibilidade cultural, ministrada pela especialista Sandra Rosa. O reforço à acessibilidade indica uma ampliação da função pública do museu e responde a uma exigência contemporânea de democratização do acesso aos bens culturais.

Incentivo à leitura também integrou a agenda

A Biblioteca Móvel (BIBEX), da Fundação Pedro Calmon, participou do encontro com atividades de incentivo à leitura, contação de histórias e distribuição de livros em ações interativas. A presença da unidade móvel acrescentou um componente literário à programação e ampliou a oferta de atividades educativas para o público infantil e familiar.

Com isso, o encontro reuniu, em um mesmo espaço, práticas esportivas, experiências artísticas, ações pedagógicas e atividades de lazer. A diversidade da programação funcionou como elemento de atração e ajudou a consolidar o evento como uma experiência cultural multifacetada.

Ao final, a iniciativa reforçou o papel do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho como equipamento cultural ativo, capaz de articular memória, formação, patrimônio, esporte e convivência comunitária em torno de uma agenda pública de grande alcance.

Organização e articulação institucional

O evento foi realizado pela Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA), por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), e pela Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA), em parceria com a Trevo Produções e com apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

A composição institucional demonstra uma estratégia de articulação entre cultura, turismo e patrimônio, com foco na ocupação qualificada de espaços históricos e na ativação de iniciativas voltadas à integração comunitária. Nesse formato, o museu deixa de atuar apenas como local de preservação e passa a operar também como polo de convivência e dinamização territorial.

A experiência de Candeias sinaliza um modelo de evento cultural que associa patrimônio, economia criativa, educação, acessibilidade e esporte, com potencial para fortalecer a presença do museu no circuito cultural baiano e ampliar seu vínculo com o público.


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