Irã escolhe sucessor de Ali Khamenei em meio à guerra com EUA e Israel; Presidente Donald Trump ameaça novo líder supremo antes do anúncio oficial

A República Islâmica do Irã anunciou neste domingo (08/03/2026) que a Assembleia de Especialistas já escolheu o sucessor do líder supremo Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro durante a ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos no país. Embora o órgão clerical responsável pela decisão tenha confirmado que a votação foi concluída e que há consenso entre os membros, o nome do novo líder máximo iraniano ainda não foi divulgado oficialmente, em meio ao agravamento do conflito regional e a ameaças externas contra a nova liderança.

A confirmação foi feita por integrantes da Assembleia de Especialistas, composta por 88 aiatolás responsáveis por eleger e supervisionar o líder supremo do Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, marco que consolidou a atual estrutura político-religiosa da República Islâmica. O líder supremo exerce autoridade decisiva sobre o governo, as Forças Armadas, a política externa e os principais órgãos do Estado.

Segundo autoridades religiosas citadas por agências de notícias iranianas, o processo de votação já foi concluído e o nome será anunciado posteriormente pelo secretariado do órgão, após avaliações relacionadas à segurança e à estabilidade política do país.

Assembleia de Especialistas confirma decisão sobre sucessão

Ahmad Alamolhoda, membro da Assembleia de Especialistas, afirmou que a votação foi realizada e o novo líder supremo foi escolhido, embora o anúncio formal dependa da comunicação oficial do secretariado da instituição.

Outro integrante do colegiado, Mohsen Heydari, representante da província de Khuzistão, declarou que o candidato aprovado recebeu apoio majoritário dos membros da assembleia, indicando que houve consenso dentro da estrutura clerical responsável pela sucessão.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa estatal iraniana, a decisão foi tomada após consultas intensivas realizadas nos últimos dias, período marcado por forte instabilidade interna decorrente dos bombardeios estrangeiros e da morte de integrantes de alto escalão do regime.

O religioso Mohammad Mehdi Mirbagheri afirmou que uma “posição firme refletindo a opinião majoritária” foi alcançada, destacando que o processo foi conduzido com cautela devido ao contexto de guerra e às ameaças externas contra a liderança iraniana.

Mojtaba Khamenei e Hassan Khomeini aparecem entre os nomes cogitados

Embora o nome oficial ainda não tenha sido revelado, integrantes da Assembleia de Especialistas indicaram que o sucessor pode ser Mojtaba Khamenei, filho do líder morto e figura considerada influente dentro do establishment político e religioso iraniano.

Mojtaba já vinha sendo citado por analistas e por setores da elite clerical como um dos principais candidatos à sucessão, devido à sua proximidade com os centros de poder do regime e à sua atuação nos bastidores da política iraniana.

Outro nome mencionado em discussões internas é Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, figura simbólica para a legitimidade ideológica do regime.

Segundo declarações divulgadas por membros da assembleia, a decisão final preservaria a continuidade institucional do sistema político instaurado após a revolução de 1979, mantendo a autoridade clerical no comando do país.

Pressão externa e ameaças contra o novo líder

O processo sucessório ocorre sob forte pressão internacional e militar. Na quinta-feira (05/03/2026), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deveria participar da escolha do novo líder supremo iraniano e declarou que não aceitaria a ascensão de Mojtaba Khamenei.

Em entrevista ao canal ABC News neste domingo, Trump afirmou que o novo líder do Irã “não vai durar muito” caso não obtenha aprovação dos Estados Unidos, ampliando o tom de confronto diplomático entre Washington e Teerã.

A declaração provocou reação imediata do governo iraniano. O ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, respondeu que a escolha do líder supremo é uma decisão soberana do povo iraniano, rejeitando qualquer interferência externa no processo.

O chanceler também exigiu um pedido de desculpas do governo norte-americano pelos bombardeios que atingiram o território iraniano e desencadearam a atual escalada militar no Oriente Médio.

Israel declara novo líder iraniano como alvo militar

A tensão aumentou ainda mais após declarações de autoridades israelenses. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que qualquer líder escolhido pelo regime iraniano será considerado um alvo legítimo para eliminação militar.

Katz declarou que tanto ele quanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu determinaram às Forças Armadas israelenses que estejam preparadas para agir “por todos os meios necessários” contra a liderança do regime iraniano.

Nos últimos dias, o conflito também atingiu diretamente a estrutura política do país. Na terça-feira (03/03/2026), um prédio ligado à Assembleia de Especialistas na cidade de Qom foi alvo de ataque militar, segundo informações divulgadas pela imprensa israelense e confirmadas por meios estatais iranianos.

Militares israelenses afirmaram que pretendem perseguir sucessores e integrantes envolvidos na escolha do novo líder, intensificando a pressão sobre a cúpula do regime.

Guerra intensifica ataques e amplia crise regional

Enquanto o processo sucessório ocorre, os combates entre Irã, Estados Unidos e Israel continuam em escalada, com bombardeios e ataques cruzados em diferentes pontos da região.

Neste domingo, ataques israelenses atingiram depósitos de petróleo próximos à capital Teerã, provocando incêndios de grande proporção e deixando ao menos quatro mortos, incluindo motoristas de caminhões-tanque.

Segundo o Ministério da Saúde iraniano, mais de 1.200 pessoas morreram e mais de 10.000 civis ficaram feridos desde o início da guerra, embora os números não tenham sido verificados de forma independente por organizações internacionais.

O Exército israelense informou ter realizado mais de 3.400 ataques militares desde o início do conflito, enquanto Washington declarou ter conduzido cerca de 3.000 operações militares na região.

A ofensiva também se estendeu ao Líbano, onde Israel afirma responder a ataques do Hezbollah, aliado estratégico do Irã.

Ataques iranianos atingem bases e interesses dos EUA

O Irã tem respondido aos ataques com mísseis e drones lançados contra Israel e contra bases militares americanas instaladas em países do Golfo.

O porta-voz da Guarda Revolucionária, Ali Mohammad Naini, declarou que as forças iranianas têm capacidade de sustentar uma guerra intensa por pelo menos seis meses, mantendo o ritmo atual de operações militares.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian advertiu que qualquer país que permita o uso de seu território para ataques contra o Irã poderá sofrer retaliações.

Já o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, afirmou que os Estados Unidos teriam subestimado a capacidade de resistência iraniana.

Impactos econômicos e risco para o abastecimento global de energia

A escalada militar no Oriente Médio começa a produzir efeitos econômicos internacionais, especialmente no setor energético.

Os ataques contra instalações petrolíferas iranianas e a instabilidade na região do Golfo levantam preocupações sobre interrupções no abastecimento global de petróleo e gás natural, afetando mercados internacionais.

Alguns países já registram impactos indiretos. Bangladesh, por exemplo, iniciou medidas emergenciais de racionamento de combustível, citando dificuldades de abastecimento associadas à guerra.

Analistas apontam que o controle do fluxo energético na região pode se tornar um dos fatores centrais da disputa geopolítica, ampliando os riscos de uma crise econômica internacional.

*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI, Sputnik e BBC Brasil.

Base Aérea de Dover, Delaware, sábado (07/03/2026) — O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e a segunda-dama Usha Vance participam da cerimônia oficial de transferência dos restos mortais de seis militares americanos mortos em um ataque de drone atribuído ao Irã no Kuwait, em homenagem realizada na Base Aérea de Dover. (
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e a segunda-dama Usha Vance participam da cerimônia oficial de transferência dos restos mortais de seis militares americanos mortos em um ataque de drone atribuído ao Irã no Kuwait, em homenagem realizada na Base Aérea de Dover.

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