Irã mantém estoque de 2 mil mísseis e produção diária de drones, mas enfrenta limitações aéreas e navais em guerra com Israel e EUA

A escalada da guerra no Oriente Médio ganhou novos desdobramentos terça-feira (03/03/2026), após o Irã advertir países europeus contra envolvimento direto no conflito, enquanto o Israel relatou a detecção de mísseis disparados do território iraniano e registrou explosões em Jerusalém. A análise de especialistas aponta que, apesar de desgastes recentes, Teerã ainda dispõe de capacidade militar para sustentar ataques por semanas.

Estimativas de analistas de defesa indicam que os estoques de armamentos iranianos permanecem operacionais, com potencial de alcance a alvos israelenses e também a países do Golfo Pérsico. O cenário ocorre após confrontos anteriores que já haviam reduzido parte do arsenal.

A avaliação estratégica considera principalmente o volume de mísseis balísticos e drones, que seguem como os principais instrumentos de projeção de força do país, diante de limitações tecnológicas em outras frentes militares.

Estoque de mísseis e produção de drones

Relatórios técnicos estimam que o Irã possua entre 1.500 e 2.000 mísseis, número considerado suficiente para manter uma campanha de ataques intermitentes. O país também consolidou capacidade industrial voltada à produção de veículos aéreos não tripulados de uso militar.

Entre os equipamentos citados estão os drones da série Shahed, empregados em missões de longo alcance. Esses dispositivos são fabricados em larga escala e utilizados como alternativa de menor custo em comparação a mísseis convencionais.

A produção diária é estimada em cerca de 50 unidades, além de milhares de aparelhos já armazenados, fator que amplia a autonomia operacional iraniana em conflitos prolongados.

Fragilidades na Força Aérea e na Marinha

Apesar do volume de armamentos, analistas apontam vulnerabilidades estruturais. A Força Aérea iraniana conta com aproximadamente 200 caças, muitos fabricados entre as décadas de 1980 e 1990, o que limita desempenho tecnológico diante de sistemas mais modernos.

A Marinha também apresenta restrições, com frota composta majoritariamente por embarcações de pequeno porte. O país dispõe de cerca de 30 submarinos e dezenas de navios de guerra, parte deles afetada por ataques recentes. Informações militares indicam que nove embarcações teriam sido afundadas em bombardeios norte-americanos.

Esses fatores reduzem a capacidade de defesa integrada do território e ampliam a dependência de estratégias assimétricas, como uso de mísseis e drones.

Declarações oficiais e preparação para conflito prolongado

Na segunda-feira (02/03/2026), autoridades iranianas afirmaram estar preparadas para um confronto de longa duração contra Estados Unidos e Israel. O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, declarou que o país se defenderá “a qualquer custo”.

O governo também reiterou que manterá a continuidade institucional durante a crise e que medidas internas foram adotadas para monitorar suspeitas de colaboração com forças estrangeiras.

As manifestações públicas ocorreram paralelamente a ataques aéreos e trocas de mísseis registradas em diferentes pontos da região.

Danos ao complexo nuclear de Natanz

A Agência Internacional de Energia Atômica informou que houve danos aos edifícios de entrada da instalação subterrânea de enriquecimento de combustível em Natanz, após bombardeios atribuídos a forças israelenses e americanas.

Segundo o comunicado, não são esperadas consequências radiológicas, e o impacto teria se concentrado em estruturas externas. O complexo já havia sido atingido em confrontos anteriores.

Imagens de satélite divulgadas por empresas privadas indicam a destruição de pelo menos três edificações na área do complexo nuclear.

Explosões em Teerã e ofensiva regional

Relatos de campo apontaram explosões na zona oeste de Teerã, enquanto o Exército israelense informou ataques simultâneos contra alvos na capital iraniana e em Beirute. Entre os alvos citados estariam estruturas administrativas e prédios ligados ao Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Israel declarou ter atingido instalações estratégicas do governo iraniano como parte da ofensiva iniciada dias antes. A ação integra uma série de operações destinadas a reduzir capacidades militares e logísticas do adversário.

O contexto mantém elevada a tensão regional, com risco de ampliação do conflito para outros países do entorno do Golfo Pérsico.

*Com informações da RFI.


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