Na madrugada desta segunda-feira (02/03/2026), Israel lançou novos ataques aéreos contra alvos no Irã e no Líbano, ampliando significativamente o conflito que se intensificou após a ofensiva militar conjunta de Estados Unidos e Israel contra Teerã, realizada dias antes e que resultou na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. A escalada militar também envolveu o Hezbollah, aliado estratégico do Irã no Oriente Médio, que afirmou ter disparado mísseis e drones contra território israelense em retaliação ao ataque.
O aumento das hostilidades ocorre em um momento de grande instabilidade regional, marcado por ataques cruzados, interrupções no tráfego aéreo internacional, impactos nos mercados de energia e crescente mobilização militar em diversos países do Golfo. Ao mesmo tempo, o governo dos Estados Unidos sinalizou que a campanha militar contra o Irã pode se prolongar por semanas, ampliando as preocupações com uma guerra regional de maior escala.
Autoridades militares israelenses afirmaram que os bombardeios mais recentes tiveram como alvo posições estratégicas do Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute, região historicamente controlada pelo grupo xiita libanês. Segundo relatos locais, mais de uma dúzia de explosões foram registradas na capital libanesa, provocando pânico entre moradores e congestionamento nas ruas durante a madrugada.
Ataques no Líbano ampliam a guerra indireta entre Israel e Irã
Israel declarou que as operações no Líbano foram conduzidas em resposta direta ao lançamento de mísseis e drones pelo Hezbollah, que assumiu publicamente a autoria da ofensiva contra Israel. As Forças Armadas israelenses informaram ter interceptado ao menos um projétil disparado a partir do território libanês, enquanto outros caíram em áreas abertas.
O Hezbollah é considerado um dos principais aliados militares e políticos do Irã na região, formando parte de uma rede de grupos armados que compõem o chamado “eixo de resistência” contra Israel e os interesses ocidentais no Oriente Médio.
A ofensiva israelense ocorre apesar de um cessar-fogo firmado em 2024 entre Israel e Líbano, mediado pelos Estados Unidos após mais de um ano de confrontos que enfraqueceram significativamente as forças do Hezbollah. Autoridades israelenses, contudo, afirmaram que o grupo libanês seria “totalmente responsável por qualquer escalada do conflito”.
Além dos bombardeios em Beirute, Israel também afirmou ter atingido militantes de alto escalão do Hezbollah próximos à capital libanesa, embora detalhes sobre possíveis vítimas não tenham sido divulgados oficialmente.
Operações militares atingem Teerã e ampliam pressão sobre o Irã
Paralelamente aos ataques no Líbano, Israel manteve operações aéreas contra instalações militares e centros de comando no Irã, incluindo alvos localizados em Teerã.
Segundo o comando militar israelense, a força aérea do país teria alcançado superioridade aérea sobre a capital iraniana, permitindo uma série de bombardeios direcionados a estruturas de inteligência, segurança e coordenação militar.
Os ataques ocorrem em meio a um cenário político delicado no Irã, que enfrenta um vácuo de liderança após a morte de Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian anunciou que um conselho provisório de liderança, formado por ele próprio, pelo chefe do Judiciário e por um membro do Conselho dos Guardiães, assumiu temporariamente as funções associadas ao cargo de líder supremo até que seja definido um novo arranjo institucional.
Especialistas observam que a ausência de Khamenei representa um dos momentos mais críticos para o sistema político iraniano desde a Revolução Islâmica de 1979, embora ainda seja cedo para determinar os efeitos de longo prazo sobre o regime.
Primeiras mortes de militares americanos ampliam pressão política nos EUA
A escalada militar também resultou nas primeiras baixas entre militares dos Estados Unidos desde o início da ofensiva.
Segundo autoridades americanas ouvidas sob condição de anonimato, três soldados dos EUA morreram em uma base militar no Kuwait, após ataques atribuídos às forças iranianas ou a grupos aliados de Teerã.
O presidente Donald Trump prestou homenagem aos militares mortos, classificando-os como “verdadeiros patriotas americanos”, mas indicou que novas perdas podem ocorrer à medida que as operações militares se intensificam.
O Exército dos Estados Unidos afirmou que mais de mil alvos militares iranianos já foram atingidos desde o início das operações principais no sábado, incluindo instalações navais, centros de comando e infraestrutura estratégica.
Ao mesmo tempo, o presidente americano afirmou que a campanha militar continuará até que os objetivos estratégicos sejam alcançados, sem detalhar quais seriam esses objetivos.
Pesquisas de opinião nos Estados Unidos indicam que apenas cerca de 25% da população apoia a operação militar, o que pode representar um desafio político para o governo às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato.
Retaliação iraniana atinge bases e infraestrutura na região do Golfo
Como resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado mísseis e drones contra bases militares americanas no Kuwait e no Bahrein, além de atingir navios petroleiros americanos e britânicos no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.
Dados de navegação marítima indicaram que centenas de embarcações comerciais e petroleiros interromperam suas rotas e permaneceram ancorados na região, diante do risco de novos ataques.
A escalada militar provocou também uma das maiores interrupções recentes no transporte aéreo internacional, com o fechamento de espaços aéreos em vários países do Oriente Médio.
Entre os países que anunciaram restrições totais ou parciais ao tráfego aéreo estão:
- Irã
- Israel
- Catar
- Iraque
- Emirados Árabes Unidos
- Síria
- Kuwait
Companhias aéreas internacionais como Emirates, Qatar Airways, Lufthansa, Air France, British Airways e Turkish Airlines suspenderam voos para diversas cidades da região.
Dados da plataforma FlightAware indicaram mais de 6.700 voos atrasados e cerca de 1.900 cancelados em todo o mundo até a manhã de domingo.
Tensão internacional aumenta após apelos de Trump por mudança de regime
Em um vídeo divulgado no domingo, o presidente Donald Trump pediu que forças militares e policiais do Irã abandonem o regime, prometendo imunidade aos que se renderem e advertindo que aqueles que resistirem enfrentariam “morte certa”.
Trump também fez um apelo direto à população iraniana para que se levante contra o governo, afirmando que os Estados Unidos apoiariam uma eventual mudança política no país.
A posição foi interpretada por analistas como um sinal de que Washington pode buscar uma transformação estrutural do regime iraniano, embora autoridades americanas ainda não tenham detalhado objetivos estratégicos de longo prazo para o país.
Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, indicou que Teerã estaria aberto à desescalada diplomática, embora mensagens posteriores tenham reiterado a disposição iraniana de continuar respondendo militarmente.
Impactos econômicos e estratégicos
A intensificação do conflito já provoca efeitos significativos nos mercados globais.
Operadores do setor de energia alertam para possíveis aumentos nos preços do petróleo, diante do risco de interrupção do fluxo de exportações através do Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Além disso, a paralisação de aeroportos estratégicos, incluindo Dubai — um dos maiores centros de transporte aéreo internacional —, representa um impacto relevante para cadeias logísticas globais e viagens comerciais.








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