Israel intensifica ataques contra Irã e Líbano, enquanto EUA adia ultimato ao setor energético e negociações seguem em aberto

Israel realizou, na sexta-feira (27/03/2026), novos ataques contra alvos no Irã e no Líbano, ampliando a ofensiva iniciada no conflito que começou em 28 de fevereiro. Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu adiar em dez dias o ultimato contra o sistema energético iraniano, indicando continuidade de negociações indiretas.

De acordo com o Exército israelense, os ataques atingiram instalações utilizadas para produção e armazenamento de armamentos, incluindo mísseis balísticos e lançadores, em diferentes regiões do Irã. No Líbano, explosões foram registradas no sul de Beirute, área associada ao Hezbollah.

A escalada ocorre em meio a tentativas de mediação conduzidas por intermediários internacionais, enquanto o cenário permanece marcado por ações militares simultâneas e articulações diplomáticas.

Ataques ampliam alcance regional do conflito

As forças israelenses informaram ter atingido infraestruturas ligadas ao poder de fogo iraniano, incluindo depósitos e plataformas de lançamento no oeste do país.

Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã declarou ter realizado ataques com mísseis e drones contra alvos militares em Israel e em países do Golfo, onde há presença de bases americanas.

Autoridades do Kuwait confirmaram danos materiais em portos estratégicos, após ataques atribuídos a drones, sem registro de vítimas. A região do Golfo tem sido alvo recorrente de ações retaliatórias desde o início do conflito.

Tensões atingem infraestrutura e rotas estratégicas

Os ataques também impactam áreas sensíveis para o comércio internacional, especialmente o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

O governo dos Estados Unidos pressiona aliados internacionais a contribuir para a reabertura e manutenção da segurança da via marítima, considerada essencial para o fluxo energético global.

Após o anúncio do adiamento do ultimato, os preços do petróleo apresentaram recuo, embora permaneçam acima dos níveis registrados antes do início do conflito.

Irã ameaça ampliar alvos e acusa presença militar em hotéis

O Exército iraniano afirmou que poderá atingir hotéis no Oriente Médio que abriguem militares dos Estados Unidos, ampliando o escopo potencial dos ataques.

Autoridades iranianas acusam forças americanas de utilizarem estruturas civis como base operacional, alegação negada por países do Golfo, que reiteram não autorizar o uso de seus territórios para ofensivas militares.

O Irã também enviou alertas a estabelecimentos em países como Emirados Árabes Unidos e Bahrein, segundo agências locais, em meio à intensificação das tensões regionais.

Trump adia ultimato e mantém pressão diplomática

O presidente Donald Trump anunciou o adiamento, por dez dias, do prazo para possíveis ataques ao setor energético iraniano, estabelecendo nova data para 06/04/2026, às 20h (horário de Washington).

Segundo o governo norte-americano, a decisão atende a pedidos do Irã e busca manter espaço para negociações indiretas, conduzidas com mediação internacional.

Trump afirmou que as discussões seguem em andamento, enquanto autoridades iranianas indicam que responderam a propostas americanas por meio de intermediários, sem reconhecer formalmente negociações diretas.

Impasse diplomático e continuidade das operações

Apesar dos sinais de diálogo, o governo iraniano considera as propostas dos Estados Unidos unilaterais e insuficientes, mantendo posição de resistência e condicionando um cessar-fogo ao atendimento de suas exigências.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos indicam que mantêm opções diplomáticas e militares, enquanto Israel prossegue com operações no território iraniano.

O conflito já apresenta efeitos regionais ampliados, com envolvimento indireto de outros países e impactos na segurança, na economia e nas rotas energéticas internacionais.

*Com informações da RFI.


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