EUA e Irã suspendem ataques e retomam negociações sobre o Estreito de Ormuz enquanto Israel mantém ofensiva no Líbano

Estados Unidos e Irã iniciaram uma nova etapa de negociações para reduzir as tensões no Golfo Pérsico, após anunciarem a suspensão temporária dos ataques militares e a retomada do diálogo sobre o controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo e gás. Paralelamente, Israel manteve operações militares no sul do Líbano, apesar da assinatura de um acordo voltado à busca de uma solução diplomática para o conflito.

O encontro entre representantes do Irã e de Omã ocorreu na segunda-feira (29/06/2026), sendo a primeira reunião desde a assinatura do memorando entre Teerã e Washington. O objetivo central foi discutir aspectos técnicos relacionados à navegação no Estreito de Ormuz, por onde circula aproximadamente 20% dos hidrocarbonetos comercializados no mundo.

Segundo um representante americano próximo das negociações, as partes concordaram em interromper temporariamente os ataques, permitindo a livre circulação de embarcações enquanto prosseguem as discussões técnicas sobre o protocolo firmado entre os dois países.

Negociações buscam reduzir tensões no Estreito de Ormuz

O entendimento prevê a continuidade das negociações técnicas nos próximos dias, enquanto permanecem em discussão temas como segurança da navegação, administração da rota marítima e mecanismos para evitar novos confrontos militares.

O governo iraniano, entretanto, manifestou oposição à iniciativa apresentada por Omã para estabelecer um corredor marítimo temporário, desenvolvido em coordenação com a Organização das Nações Unidas (ONU) para retirar navios e tripulações que permaneceram bloqueados durante os confrontos recentes.

Apesar das divergências, dezenas de embarcações utilizaram a passagem alternativa ao longo da última semana, enquanto novas reuniões diplomáticas estão previstas para terça-feira (30/06/2026), no Catar, com o objetivo de buscar consenso sobre o funcionamento da rota estratégica.

Conflito recente elevou tensão na principal rota energética do mundo

A retomada das negociações ocorre após uma sequência de confrontos militares registrados desde a última semana.

Dois navios foram atingidos por projéteis de origem ainda não confirmada, episódio atribuído pelos Estados Unidos ao Irã. Em resposta, forças americanas realizaram bombardeios durante dois dias consecutivos contra alvos iranianos.

Na sequência, o governo iraniano lançou mísseis e drones contra países do Golfo, incluindo Kuwait e Bahrein, ampliando a instabilidade regional.

Divergências permanecem sobre controle da navegação

Outro ponto de divergência envolve a possibilidade de o Irã estabelecer taxas de passagem para embarcações que utilizem o Estreito de Ormuz, proposta rejeitada pelos Estados Unidos.

Para Washington, o estreito constitui uma via navegável internacional, enquanto Teerã sustenta possuir competência direta sobre sua administração em razão da localização geográfica da rota ao lado da costa iraniana e do território de Omã.

O governo omanense afirmou que nenhuma cobrança de tarifas está prevista nas negociações atuais e reiterou que o corredor marítimo temporário possui caráter exclusivamente operacional.

Direito internacional estabelece liberdade de trânsito

O Estreito de Ormuz é regulamentado pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), aprovada em 1982, que assegura o direito de passagem em trânsito para embarcações e aeronaves que utilizam estreitos destinados à navegação internacional.

Embora o Irã não tenha ratificado o tratado, o texto estabelece que navios em trânsito contínuo possuem liberdade de navegação sem restrições indevidas.

O estreito havia sido parcialmente bloqueado pelo Irã no início da guerra, em fevereiro, provocando impactos sobre o comércio internacional de hidrocarbonetos e contribuindo para a elevação dos preços do petróleo.

Teerã mantém exigências sobre gestão da rota marítima

Após o memorando firmado em 17 de junho, o governo iraniano autorizou a navegação por apenas um corredor marítimo ao longo de sua costa.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que somente o governo iraniano possui autoridade para administrar o estreito, advertindo que qualquer tentativa de interferência poderá provocar atrasos na normalização da navegação e ampliar as tensões regionais.

As declarações evidenciam que, apesar da suspensão temporária das hostilidades, permanecem diferenças relevantes sobre o modelo de gestão da principal rota energética do Golfo.

Israel mantém operações militares no sul do Líbano

Enquanto as negociações avançam em torno de Ormuz, Israel prosseguiu com operações militares no sul do Líbano durante domingo (28/06/2026).

Em comunicado conjunto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz informaram que as Forças Armadas israelenses destruíram um túnel atribuído ao Hezbollah na região sul do território libanês.

A Agência Nacional de Informação (ANI) registrou novos bombardeios, enquanto o Ministério da Saúde do Líbano informou que duas pessoas ficaram feridas após o lançamento de uma granada em uma localidade da fronteira.

Governo libanês e Hezbollah rejeitam acordo proposto

O presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, afirmou que o acordo negociado com Israel não será aceito na forma atual.

O Hezbollah também rejeitou o entendimento e declarou que continuará exercendo o direito de defender o território libanês diante das operações israelenses.

O acordo prevê que a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano esteja condicionada ao desarmamento do Hezbollah, exigência defendida por Israel há vários anos e cuja implementação enfrenta dificuldades políticas em Beirute.

A continuidade dos ataques demonstra que, apesar da retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã sobre Ormuz, os principais focos de instabilidade no Oriente Médio permanecem ativos, mantendo elevada a atenção internacional sobre a segurança regional e a circulação de energia no Golfo.

*Com informações da RFI.


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