O líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia, deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), afirmou nesta terça-feira (03/03/2026) que o discurso do pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), direcionado à região cacaueira, representa “pura demagogia” e não encontra respaldo em ações concretas da bancada federal de seu partido. A declaração ocorre às vésperas de reunião anunciada por Neto com produtores de cacau, prevista para sexta-feira (06), e reacende o embate político em torno dos investimentos no setor.
Segundo o parlamentar, a oposição “vive atacando o governo, mas não faz nada nem propõe para resolver os problemas do povo baiano”. Ele sustenta que a atuação da bancada do União Brasil no Congresso Nacional não contemplou a cadeia produtiva do cacau no período recente, mesmo diante da relevância econômica e social da cultura para o sul da Bahia.
Emendas parlamentares e dados oficiais
Com base em dados oficiais, Rosemberg afirmou que os parlamentares do União Brasil não destinaram recursos para o desenvolvimento da cadeia produtiva do cacau entre 2022 e 2026, período em que, segundo ele, foram empenhados R$ 700,6 milhões em 145 emendas parlamentares. De acordo com o líder governista, “não foi destinado um centavo” especificamente para o setor cacaueiro.
O deputado argumenta que, na condição de vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto poderia ter orientado a bancada federal do partido a priorizar ações voltadas à zona cacaueira. Para o parlamentar, a ausência de emendas direcionadas ao segmento compromete a consistência do discurso eleitoral do ex-prefeito de Salvador.
A crítica também se estende à agenda política do pré-candidato. Segundo Rosemberg, ACM Neto “só aparece na região para fazer promessas em período eleitoral”, sem apresentar, na avaliação do governista, iniciativas estruturadas ou compromissos orçamentários comprováveis.
Portaria sobre importação de cacau e disputa de narrativas
O debate também envolve a política de importação de cacau. Rosemberg associou a flexibilização da entrada de cacau africano no Brasil a uma portaria editada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político de ACM Neto. Para o deputado, a medida teria prejudicado produtores baianos ao ampliar a concorrência externa.
Ele destacou que a norma foi posteriormente revogada pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após pedido do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Na visão do líder do governo, a revogação representou uma resposta às demandas do setor produtivo estadual.
O tema da importação de cacau é sensível para a região sul da Bahia, tradicional polo produtor, que historicamente enfrenta desafios como oscilações de preço, pragas e dificuldades de financiamento.
Investimentos do Governo do Estado na cadeia do cacau
Em contraposição às críticas dirigidas à oposição, Rosemberg ressaltou os programas estaduais voltados ao fortalecimento da cacauicultura, entre eles o Cacau+, o Ater Biomas e o Bahia Produtiva. Segundo o parlamentar, os investimentos totais nessas iniciativas ultrapassam R$ 280 milhões.
De acordo com o líder governista, as ações incluem:
- Estruturação de programas de apoio à produção;
- Fortalecimento de cooperativas;
- Ampliação da assistência técnica rural;
- Incentivos ao desenvolvimento regional.
Na avaliação do deputado, há um contraste entre o que classifica como “discurso vazio” da oposição e a execução de políticas públicas com recursos já alocados e operacionalizados pelo Governo do Estado.
Ele afirma que, enquanto a gestão estadual direciona recursos e promove assistência técnica à cacauicultura, a bancada do União Brasil não teria destinado emendas com finalidade agrícola ou produtiva à zona cacaueira.








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