Agentes culturais de mais de 100 municípios baianos participaram da abertura da III Teia Estadual dos Pontos de Cultura da Bahia, realizada no Teatro e Centro de Convenções de Feira de Santana, em evento promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). Com o tema “Vozes e territórios pela implementação da Lei Cultura Viva Bahia e pela Justiça Climática”, o encontro reúne representantes dos 27 territórios de identidade do estado, retomando o debate estadual da rede de Pontos de Cultura após 11 anos desde a última edição. A programação prossegue neste domingo (01/03/2026), com debates e a realização do Fórum Estadual dos Pontos de Cultura.
A iniciativa integra o calendário preparatório para a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, programada para ocorrer entre 24 e 29 de março de 2026, no município de Aracruz, no Espírito Santo, sob coordenação do Ministério da Cultura (MinC).
Rede Cultura Viva e articulação nacional das políticas culturais
Durante a mesa de abertura, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou que a realização das Teias estaduais contribui para fortalecer a articulação nacional da rede Cultura Viva e ampliar a implementação das políticas públicas voltadas para a cultura comunitária.
Segundo a ministra, os encontros estaduais funcionam como espaços de integração entre os diferentes coletivos culturais espalhados pelo país, além de estimular o intercâmbio de experiências e o fortalecimento institucional das iniciativas de base comunitária.
Ela ressaltou também que a Bahia está entre os estados com maior número de novos Pontos de Cultura reconhecidos no Brasil, resultado, segundo ela, da aplicação de recursos provenientes da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
“Na Política Aldir Blanc existe um percentual destinado exclusivamente à Cultura Viva. A Bahia apresenta bom aproveitamento desses recursos. Quando falamos de pontos de cultura, falamos de pessoas, memória, tradição e dos mestres e mestras da cultura”, afirmou.
Territorialização cultural e fortalecimento das comunidades
O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, enfatizou que os Pontos de Cultura desempenham papel estruturante nos territórios, atuando em diversas frentes comunitárias, como formação cultural, preservação de tradições e desenvolvimento de atividades artísticas locais.
De acordo com o secretário, o fortalecimento dessas iniciativas contribui para consolidar uma política pública baseada na territorialização cultural, aproximando ações governamentais das realidades locais.
Segundo ele, a retomada da Teia estadual após mais de uma década permite avaliar os avanços acumulados pela rede cultural e ampliar o reconhecimento institucional dessas iniciativas.
“Movimentamos a base da sociedade com iniciativas como os Pontos de Cultura. Um evento como este, realizado após 11 anos, permite avaliar avanços e consolidar o reconhecimento dessa rede em toda a Bahia”, afirmou.
Expansão dos Pontos de Cultura na Bahia
A superintendente de Desenvolvimento Territorial da Cultura, Amanda Cunha, destacou a dimensão alcançada pela política cultural no estado e afirmou que a Bahia tem potencial para atingir cerca de 1.800 pontos de cultura certificados distribuídos pelos municípios.
Segundo ela, além dos espaços formalmente reconhecidos, as ações desenvolvidas por esses coletivos culturais já alcançaram aproximadamente 50 mil pessoas em diferentes regiões da Bahia.
A expansão da rede Cultura Viva no estado ocorre por meio de políticas de reconhecimento institucional, financiamento de projetos culturais e articulação com organizações comunitárias que atuam na preservação de tradições locais, expressões artísticas e saberes populares.
Programação reúne debates, feira cultural e apresentações artísticas
A abertura da III Teia foi marcada por um cortejo anunciador, com participação de representantes de diversos Pontos de Cultura do estado, seguido de atividades voltadas ao debate sobre gestão colaborativa e implementação da Lei Cultura Viva Bahia.
A programação do primeiro dia incluiu:
- Debate sobre gestão colaborativa da política cultural
- Feira Territórios Criativos da Economia Solidária
- Palco Vozes e Territórios, com apresentações culturais
- Biblioteca de Extensão (Bibex) da Fundação Pedro Calmon
O encerramento do dia foi marcado por shows e apresentações artísticas, que celebraram a diversidade cultural dos territórios baianos.
Participação de comunidades tradicionais e coletivos culturais
Entre os participantes do encontro esteve Eliane Rodrigues, integrante da etnia Truká Tupan, que se deslocou do município de Paulo Afonso para acompanhar o evento.
Ela destacou a importância de iniciativas que promovam a valorização das culturas tradicionais e incentivem o reconhecimento identitário entre jovens das comunidades.
Segundo Eliane, encontros como a Teia fortalecem o sentimento de pertencimento e ampliam o diálogo entre diferentes expressões culturais existentes no estado.
“Ver tantas culturas reunidas mostra que não estamos sozinhos. Quando voltar para minha comunidade, quero compartilhar essa experiência com os jovens, para que eles se reconheçam na própria cultura”, afirmou.
Coletivos culturais defendem fortalecimento das políticas públicas
Outro participante do encontro foi Fabrício Brito, integrante do Grupo Apombagem, coletivo de arte popular da periferia de Salvador que atua desde 2009 com musicais, saraus e espetáculos de teatro de rua.
Para ele, a Teia representa um espaço de articulação entre coletivos que atuam diretamente nos territórios e que dependem de políticas públicas para garantir a continuidade de suas atividades culturais.
Segundo Brito, encontros como o realizado em Feira de Santana permitem discutir formas de ampliar o alcance das políticas culturais voltadas para comunidades periféricas, movimentos culturais e iniciativas de base comunitária.









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