Domingo, 01/03/2026 — O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morreu aos 86 anos após um ataque militar conduzido por Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos em território iraniano no sábado (28/02/2026). A morte foi confirmada pela mídia estatal iraniana após ter sido anunciada inicialmente pelo presidente americano Donald Trump. A ofensiva militar, que atingiu centros de comando e instalações militares, desencadeou retaliações iranianas, protestos internacionais, turbulência nos mercados de energia e o início de um processo de transição na liderança da República Islâmica.
Ataque matou líder supremo e altos comandantes iranianos
A ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos atingiu múltiplos alvos em território iraniano, incluindo estruturas militares e instalações ligadas ao sistema de comando do regime.
Autoridades iranianas confirmaram que, além de Ali Khamenei, foram mortos diversos dirigentes militares e políticos de alto escalão, entre eles:
- Ali Shamkhani, ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional
- Mohammad Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária Islâmica
- Abdolrahim Mousavi, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã
A imprensa iraniana também informou que membros da família de Khamenei morreram durante os bombardeios.
De acordo com o Crescente Vermelho iraniano, a operação militar deixou pelo menos 201 mortos e cerca de 747 feridos em diferentes regiões do país.
Entre os episódios mais graves está o bombardeio de uma escola para meninas no sul do Irã, onde 85 estudantes morreram.
Operação teria sido planejada após detecção de reunião de Khamenei
Informações divulgadas pela Reuters indicam que Israel e Estados Unidos sincronizaram o início da operação com uma reunião de Khamenei com seu círculo de segurança.
Segundo duas fontes americanas e um funcionário dos EUA, serviços de inteligência detectaram que o líder iraniano se encontrava com seus principais assessores, o que teria levado à antecipação da ofensiva militar.
Fontes iranianas ouvidas pela agência afirmaram que Khamenei estava reunido com Ali Shamkhani e Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Um funcionário americano declarou que o plano militar previa atingir Khamenei logo no início da operação, para preservar o elemento surpresa e impedir que ele pudesse fugir ou se esconder.
Imagens de satélite analisadas posteriormente pela Reuters indicaram que o complexo de segurança associado ao líder supremo em Teerã foi destruído nos primeiros momentos da ofensiva.
Ataques ocorreram após rodada de negociações nucleares
A ofensiva ocorreu 48 horas após uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano.
Teerã insiste que seu programa nuclear tem finalidade civil e energética, enquanto Washington e Tel Aviv acusam o país de tentar desenvolver armas nucleares.
Ao justificar a operação, o presidente americano Donald Trump afirmou que a ação visava impedir que o Irã obtivesse capacidade nuclear militar e proteger interesses estratégicos dos Estados Unidos.
Em entrevista à rede CBS, Trump declarou que a morte de Khamenei pode abrir caminho para negociações.
“O caminho para um acordo com o Irã é muito mais fácil agora do que era ontem”, afirmou.
Irã promete retaliação militar
Após confirmar a morte do líder supremo, a Guarda Revolucionária Islâmica anunciou o início de uma operação militar contra Israel e bases militares americanas na região.
Em comunicado divulgado pela televisão estatal, a organização declarou que lançará “a ofensiva mais brutal da história das Forças Armadas iranianas”.
Nas primeiras horas após os ataques:
- mísseis iranianos foram disparados contra Israel
- sirenes de alerta foram ativadas em Tel Aviv e outras cidades
- um míssil atingiu uma área residencial no centro da capital israelense
Segundo os serviços de emergência israelenses, uma pessoa morreu e 121 ficaram feridas.
O Irã também lançou ataques contra países do Golfo que abrigam bases militares americanas, incluindo áreas próximas a Dubai, Doha e Manama.
Estrutura de liderança interina é criada em Teerã
Com a morte de Khamenei, o governo iraniano iniciou o processo de transição institucional previsto pela Constituição da República Islâmica.
O primeiro vice-presidente Mohammad Mokhber anunciou que um conselho interino assumirá temporariamente as funções do líder supremo.
O grupo será composto por:
- o presidente da República
- o chefe do Poder Judiciário
- um jurista do Conselho Guardião da Constituição
Esse conselho deverá conduzir o país até que a Assembleia de Peritos, órgão responsável por escolher o líder supremo, designe um sucessor definitivo.
Entre os nomes mencionados no debate político interno aparece Ali Larijani, figura influente do establishment iraniano e atual secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Protestos e reação internacional
A morte de Khamenei provocou manifestações em diversos países de maioria xiita, especialmente no Paquistão e no Iraque.
Na cidade de Karachi, manifestantes tentaram invadir o Consulado dos Estados Unidos, provocando confrontos com a polícia que deixaram nove mortos.
Protestos também ocorreram em Bagdá, nas proximidades da Zona Verde, onde está localizada a embaixada americana.
Diversos países condenaram os ataques militares, incluindo o Brasil, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu um cessar-fogo imediato na região.
Impactos econômicos e risco para o mercado de petróleo
A escalada militar provocou forte reação nos mercados internacionais, especialmente no setor energético.
Analistas alertam que o conflito pode gerar a maior perturbação no mercado de petróleo em décadas, já que o Oriente Médio responde por cerca de 20% do fornecimento global de petróleo.
O preço do petróleo Brent já havia alcançado aproximadamente US$ 70 por barril, o maior nível desde agosto de 2025.
O principal risco envolve o Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa grande parte do petróleo exportado pela região.
Mesmo sem danos confirmados à infraestrutura petrolífera, o risco de interrupção do transporte marítimo e ataques a navios-tanque já provoca forte instabilidade nos mercados.
Transporte aéreo global sofre impacto imediato
O conflito também provocou interrupções significativas no transporte aéreo internacional.
Dados da plataforma FlightAware indicam que milhares de voos foram cancelados ou desviados desde o início da ofensiva.
Entre os principais impactos estão:
- fechamento parcial do espaço aéreo no Oriente Médio
- danos registrados no Aeroporto Internacional de Dubai
- restrições operacionais em Abu Dhabi, Doha e Kuwait
Esses aeroportos funcionam como grandes centros globais de conexão entre Europa e Ásia, ampliando o impacto logístico da crise.
Ruptura estratégica no equilíbrio regional
A morte de Ali Khamenei, que liderava o Irã desde 1989, representa um evento de grande magnitude geopolítica no Oriente Médio. O líder supremo exercia autoridade direta sobre as forças armadas, a política externa e as principais decisões estratégicas do regime.
A ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel evidencia o colapso das tentativas recentes de negociação sobre o programa nuclear iraniano e inaugura um cenário de instabilidade regional com risco de confrontação prolongada.
Além do impacto militar imediato, a sucessão no comando da República Islâmica introduz incertezas institucionais e políticas, podendo fortalecer setores mais duros da Guarda Revolucionária. O desfecho desse processo será determinante para o futuro das relações entre Irã, Estados Unidos e aliados ocidentais, bem como para a estabilidade energética global.
*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI e Sputnik.








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