A III Teia Estadual dos Pontos de Cultura da Bahia iniciou sua programação no sábado (28/02/2026) com uma série de oficinas e diálogos formativos voltados ao fortalecimento da política Cultura Viva no estado, reunindo agentes culturais de mais de 100 municípios baianos no Teatro e Centro de Convenções de Feira de Santana. Promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), o encontro tem como tema “Vozes e territórios pela implementação da Lei Cultura Viva Bahia e pela Justiça Climática”, e busca ampliar ferramentas de atuação nos territórios, além de consolidar contribuições para o desenvolvimento de políticas culturais participativas.
No primeiro dia de programação foram realizadas sete atividades formativas, entre oficinas e rodas de diálogo, voltadas para temas como gestão cultural, bibliotecas comunitárias, memória, economia solidária, formalização institucional e justiça climática. As atividades foram estruturadas a partir de demandas apresentadas pelos próprios Pontos de Cultura e integram a agenda preparatória do Fórum Estadual dos Pontos de Cultura, espaço de debate estratégico sobre a implementação e a expansão da política Cultura Viva na Bahia.
De acordo com a diretora Thaís Pimenta, da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), a programação foi concebida para fortalecer as capacidades institucionais dos agentes culturais que atuam nos 27 territórios de identidade da Bahia. Segundo ela, o objetivo é oferecer ferramentas práticas que contribuam para a sustentabilidade das iniciativas culturais desenvolvidas pelas comunidades.
“As oficinas são espaços formativos nesse processo de reestruturação da rede Cultura Viva. A programação foi pensada para que os participantes saiam da Teia com mais ferramentas e elementos para desenvolver suas atividades nos 27 territórios da Bahia”, afirmou.
Formação e gestão cultural como eixo estratégico
Entre as atividades realizadas no primeiro dia da Teia, a oficina “Do coletivo ao CNPJ: formalização, gestão e captação de recursos para Pontos de Cultura” destacou-se por abordar aspectos administrativos fundamentais para a consolidação das organizações culturais comunitárias.
A formação buscou orientar participantes sobre estruturação jurídica, elaboração de projetos culturais, organização documental e estratégias de captação de recursos, temas considerados essenciais para a ampliação do acesso a editais e programas públicos de financiamento.
A agente cultural Wilma Rodrigues, que representou em Feira de Santana o Grupo de Capoeira Lendário de Palmares, do município de Serrinha, afirmou que o conteúdo apresentado contribuiu para ampliar sua compreensão sobre os desafios da gestão cultural.
Segundo ela, o grupo já possui certificação como Ponto de Cultura, mas enfrenta o desafio de consolidar sua organização institucional após mudanças na coordenação pedagógica. A oficina, segundo relatou, ofereceu orientações práticas para estruturar melhor a documentação e fortalecer a elaboração de projetos.
Preservação da memória e das manifestações culturais
Outro tema central das atividades formativas foi a preservação das manifestações culturais tradicionais, discutida durante a oficina “Patrimonialização e Salvaguarda”.
A atividade reuniu representantes de iniciativas culturais voltadas à preservação de saberes e práticas populares, incluindo capoeira, samba de roda e outras expressões culturais presentes nos territórios baianos.
A Mestra Nzinga, integrante do Ponto de Cultura da Associação Cultural Mestre Edmilton, no município de Conceição da Feira, ressaltou a importância de discutir estratégias para garantir a continuidade dessas manifestações, especialmente diante da perda de mestres e referências tradicionais.
Com 40 anos de atuação na capoeira e certificação como Ponto de Cultura desde 2014, a associação desenvolve atividades voltadas para crianças, adolescentes, idosos e comunidades da zona rural, incluindo capoeira, hip-hop, oficinas de instrumentos musicais e iniciativas de inclusão digital.
Segundo ela, o intercâmbio entre os participantes da Teia permite identificar desafios comuns enfrentados pelos Pontos de Cultura em diferentes regiões do estado.
“Muitos mestres antigos estão partindo e precisamos encontrar formas de preservar essa cultura. Aqui percebemos que, seja numa cidade pequena ou maior, as dificuldades são parecidas. Essa troca fortalece a Teia e nos dá mais fôlego para ampliar o trabalho no município”, destacou.
Diversidade temática nas atividades formativas
Além das oficinas voltadas à gestão cultural e à preservação da memória, a programação da III Teia incluiu uma série de diálogos e formações temáticas, abordando diferentes dimensões da política Cultura Viva.
Entre as atividades realizadas estão:
- “Filmes na Tela: uma conversa sobre exibição e difusão”, voltada para estratégias de circulação audiovisual;
- “Como organizar e dinamizar uma Biblioteca Comunitária”, com foco no acesso à leitura e à informação nos territórios;
- “Cultura Viva e Justiça Climática: Agroecologia e Economia Solidária nos Territórios”, discutindo relações entre cultura, sustentabilidade e desenvolvimento comunitário;
- “Cultura Viva Educa: métodos e práticas dos Pontos de Cultura na atuação com escolas”, dedicada à integração entre cultura e educação;
- “Noções básicas de organização, preservação e difusão em espaços de memória”, voltada para iniciativas comunitárias de preservação histórica.
Essas atividades buscam qualificar a atuação dos agentes culturais e ampliar a capacidade organizativa das redes comunitárias, consideradas fundamentais para a implementação da Lei Cultura Viva Bahia, marco legal que reconhece e apoia iniciativas culturais de base comunitária.
A III Teia como espaço de articulação territorial
A III Teia Estadual dos Pontos de Cultura constitui um dos principais espaços de articulação da rede Cultura Viva na Bahia, reunindo representantes de coletivos, associações culturais e iniciativas comunitárias que atuam em diferentes áreas artísticas e sociais.
O encontro promove intercâmbio de experiências, formação técnica e debates sobre políticas públicas culturais, além de fortalecer a cooperação entre organizações que atuam em contextos territoriais diversos.
A presença de agentes culturais de mais de 100 municípios evidencia a capilaridade da política Cultura Viva no estado e a importância dos Pontos de Cultura como estruturas de promoção cultural, inclusão social e preservação da diversidade cultural brasileira.








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