Uma operação integrada de combate ao crime organizado mobilizou nesta terça-feira (31/03/2026) forças de segurança em seis estados brasileiros para cumprir 33 mandados judiciais e desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.
Deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Ilhéus (FICCO/Ilhéus), com apoio do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), por meio do Gaeco, a Operação Midas alcançou simultaneamente municípios da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe. A investigação, iniciada há mais de dois anos em Camacan (BA), revelou uma estrutura criminosa com ramificações interestaduais e atuação coordenada em diferentes frentes ilícitas.
Ao todo, foram cumpridos 33 mandados judiciais, sendo 13 de prisão e 20 de busca e apreensão, em cidades estratégicas para a logística da organização. Na Bahia, a operação ocorreu em Camacan, Itabuna, Salvador, Irecê, Luís Eduardo Magalhães, Serrinha, Senhor do Bonfim e Andorinha. Fora do estado, as ações se estenderam a São Paulo, Rio de Janeiro, Unaí (MG), Petrolina (PE) e Aracaju (SE).
As investigações apontaram que o grupo criminoso operava com cadeia logística consolidada, responsável pela circulação de entorpecentes, armas e recursos financeiros entre estados. O eixo principal envolvia o envio de drogas e armamentos do Rio de Janeiro para a Bahia, enquanto o fluxo inverso incluía dinheiro e derivados de maconha com maior valor agregado.
A atuação integrada entre Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal foi determinante para o avanço da operação, evidenciando o papel estratégico da cooperação institucional no enfrentamento ao crime organizado de caráter interestadual.
Produção sofisticada de drogas e cultivo em larga escala no interior da Bahia
Um dos principais achados da investigação foi a identificação de três grandes fazendas de cultivo de maconha no município de João Dourado (BA). As áreas operavam com tecnologia avançada, incluindo sistemas permanentes de irrigação e planejamento produtivo que permitia até três colheitas anuais.
A produção utilizava variedades geneticamente modificadas, com alto teor de THC, o que indica um nível de sofisticação acima do padrão tradicional do cultivo ilícito. Essa característica aponta para a profissionalização da atividade e sua inserção em mercados ilícitos mais lucrativos.
Em uma das propriedades, foi localizado um laboratório equipado com máquinas importadas, destinado ao processamento da droga. O espaço era utilizado principalmente para a produção de “moonrock” e haxixe, substâncias de maior valor no mercado clandestino e destinadas a distribuição em outros estados.
Erradicação de plantações, destruição de estrutura e apreensão de bens
Durante a operação, as forças de segurança promoveram a erradicação e incineração de milhares de pés de maconha, totalizando mais de 15 toneladas da droga. A ação também incluiu a destruição completa do maquinário utilizado na produção ilícita.
Além da eliminação das plantações, foram apreendidos veículos utilizados no transporte de drogas, reforçando o impacto operacional da ofensiva sobre a logística da organização criminosa.
A intervenção direta nas áreas de cultivo e processamento indica uma estratégia voltada não apenas à repressão penal, mas também ao enfraquecimento estrutural da cadeia produtiva ilícita, reduzindo a capacidade de reposição imediata da atividade criminosa.
Esquema de lavagem de dinheiro e atuação a partir do sistema prisional
As investigações revelaram a existência de um complexo esquema de lavagem de dinheiro, com uso de múltiplas contas bancárias vinculadas a pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos ilícitos.
Outro aspecto relevante foi a constatação de que lideranças da organização continuavam a emitir ordens de dentro do sistema prisional, evidenciando falhas no controle interno e na contenção da atuação criminosa mesmo durante o cumprimento de pena.
Também foi identificada a dificuldade na captura de investigados que permanecem ocultos em áreas dominadas por organizações criminosas no Rio de Janeiro, consideradas de difícil acesso para as forças de segurança, o que reforça o desafio operacional no enfrentamento dessas estruturas.
Continuidade das investigações e ampliação do cerco ao crime organizado
As autoridades informaram que as investigações continuam em andamento, com o objetivo de identificar novos envolvidos e aprofundar a responsabilização penal dos integrantes da organização criminosa.
A Operação Midas integra uma estratégia mais ampla de combate ao crime organizado, baseada em inteligência, cooperação interinstitucional e atuação simultânea em diferentes estados, visando interromper fluxos financeiros, logísticos e operacionais das organizações criminosas.








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