O Papa Leão XIV afirmou neste domingo (22/03/2026) que “a morte e a dor provocadas por essas guerras são um escândalo para toda a família humana”, ao comentar o avanço dos conflitos no Oriente Médio e em outras regiões. Ao final da oração do Angelus, diante de milhares de fiéis na Praça São Pedro, o Pontífice declarou que não se pode permanecer em silêncio diante do sofrimento de inocentes e renovou o apelo por cessação das hostilidades, oração e abertura de caminhos de paz baseados no diálogo e no respeito à dignidade humana.
A fala papal foi feita num momento de forte deterioração da situação regional. Neste domingo, a Reuters relatou a intensificação da guerra envolvendo Israel, Irã, Líbano e Estados Unidos, com novas ameaças contra infraestrutura energética e hídrica no Golfo, risco ampliado para o Estreito de Ormuz e aumento da pressão sobre civis e cadeias globais de abastecimento.
Também neste dia, Israel ampliou a ofensiva no sul do Líbano, atingindo uma ponte estratégica na costa e ordenando a destruição de travessias sobre o rio Litani, sob a alegação de impedir movimentações do Hezbollah. Autoridades libanesas classificaram a ação como punição coletiva, enquanto organismos internacionais e grupos de direitos humanos voltaram a questionar a legalidade de ataques contra infraestrutura civil.
A nova escalada se soma aos ataques registrados no sábado, 21/03/2026, quando a Reuters e a Associated Press noticiaram disparos iranianos nas proximidades de áreas sensíveis em Israel, inclusive perto de Dimona, e o uso de mísseis de maior alcance, indicando ampliação do teatro de operações e maior risco de arrasto regional.
“Não podemos permanecer em silêncio”
No Angelus, Leão XIV concentrou sua mensagem no custo humano da guerra. O Papa afirmou que “não podemos permanecer em silêncio diante do sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas desses conflitos” e acrescentou que o que fere essas populações “fere toda a humanidade”. O núcleo do pronunciamento foi, portanto, menos diplomático no detalhe e mais moral na substância: uma condenação direta da banalização do sofrimento humano em zonas de guerra. (Vatican News)
A posição mantém a linha histórica da Santa Sé de denunciar a guerra como fracasso da política e da convivência civilizada. Ao reiterar que os fiéis devem perseverar na oração “para que cessem as hostilidades”, o Pontífice procurou associar a dimensão espiritual a uma exigência objetiva de contenção militar e recomposição diplomática. (Vatican News)
Evangelho de Lázaro e crítica ao materialismo
Na mesma manifestação pública, o Papa comentou o Evangelho da ressurreição de Lázaro, proclamado no quinto domingo da Quaresma, e afirmou que a humanidade continua presa a “sepulcros” contemporâneos, como egoísmo, materialismo, violência e superficialidade. Segundo ele, esses ambientes produzem desorientação, insatisfação e solidão, em vez de vida autêntica.
Leão XIV também declarou que “nada de finito pode saciar a nossa sede interior”, associando a crise moral do presente à falsa promessa de satisfação por meio de fama, bens materiais, divertimentos e relações passageiras. A formulação desloca o discurso além do campo bélico e sugere que a violência armada está ligada a uma crise mais ampla de fundamentos espirituais e civilizatórios.
Infância, guerra e inteligência artificial
Em outra mensagem divulgada no mesmo contexto, dirigida aos redatores e leitores do encarte infantil Popotus, do jornal italiano Avvenire, o Papa afirmou que o olhar perdido das crianças diante da barbárie da guerra pode converter os adultos. A declaração amplia o foco do Vaticano ao tratar a guerra não apenas como tragédia geopolítica, mas como ruptura moral capaz de deformar a experiência da infância.
Leão XIV também advertiu que crianças não podem ser levadas a considerar chatbots de inteligência artificial como “melhores amigos” ou fonte absoluta de conhecimento. Na avaliação do Pontífice, a era digital exige educação permanente, mas também vigilância para que a tecnologia não atropele o intelecto, a criatividade e a capacidade de relação humana.
Ao final do Angelus, o Papa saudou os participantes da Maratona de Roma e definiu o evento como um “sinal de esperança”, afirmando que o esporte pode abrir caminhos de paz, inclusão social e espiritualidade. A referência parece secundária, mas cumpre papel simbólico: apresentar, em meio a um cenário de destruição, uma imagem pública de convivência, disciplina e encontro entre povos.
*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI, Sputnik e BBC Brasil.








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