A Petrobras informou que pagou R$ 277,6 bilhões em tributos e participações governamentais em 2025, segundo dados do Relatório Fiscal divulgado na quinta-feira (12/03/2026). O valor corresponde a uma média de R$ 1,1 bilhão por dia útil e mantém a companhia como a maior pagadora de tributos do país, responsável por cerca de 7% da arrecadação nacional.
O montante representa crescimento de quase 3% em relação a 2024, quando a empresa recolheu R$ 270,3 bilhões. Os valores divulgados pela estatal não consideram a inflação do período, que foi de 4,26% segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Apesar do aumento anual, o resultado permanece ligeiramente abaixo do registrado em 2022, quando a companhia contribuiu com R$ 279 bilhões em tributos e participações governamentais.
Evolução da contribuição da Petrobras nos últimos anos
Os dados apresentados pela companhia indicam variações no volume de tributos e compensações financeiras pagas nos últimos cinco anos.
Em 2025, o valor total chegou a R$ 277,6 bilhões. Em 2024, foram R$ 270,3 bilhões, enquanto 2023 registrou R$ 240,2 bilhões. Em 2022, a arrecadação atingiu R$ 279 bilhões, e em 2021 o montante ficou em R$ 202,9 bilhões.
Segundo a estatal, os recursos incluem impostos, contribuições federais e estaduais, além de participações governamentais relacionadas à exploração de petróleo e gás natural.
Participações governamentais e royalties do petróleo
Do total pago em 2025, R$ 68,6 bilhões correspondem a participações governamentais, categoria que reúne compensações financeiras ligadas à produção de petróleo e gás.
Desse valor, R$ 39,7 bilhões foram pagos em royalties, enquanto R$ 21,5 bilhões correspondem à participação especial (PE), um mecanismo aplicado a campos com elevado volume de produção.
Esses recursos são repassados inicialmente à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável por distribuir os valores entre União, estados e municípios.
Segundo o relatório, 65% de todas as participações governamentais recebidas pela ANP em 2025 tiveram origem na Petrobras.
União concentra maior parte da arrecadação
A União recebeu R$ 161,9 bilhões em tributos pagos pela Petrobras, valor que representa cerca de 6% da arrecadação federal total.
Entre os principais tributos federais recolhidos pela empresa estão Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além de PIS e Cofins, que incidem sobre o faturamento da companhia.
De acordo com a estatal, parte dos valores também envolve tributos retidos de terceiros, já que a empresa atua como responsável tributária ou substituta tributária em determinadas operações da cadeia produtiva.
Estados receberam mais de R$ 113 bilhões em ICMS
Os estados brasileiros receberam R$ 113,8 bilhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pagos pela Petrobras em 2025.
Esse montante corresponde a cerca de 14% da arrecadação total das 27 unidades da federação. Considerando também repasses de participações governamentais, o valor destinado aos estados chega a R$ 132,9 bilhões.
Entre os estados que mais receberam recursos da estatal estão Rio de Janeiro (R$ 26 bilhões), São Paulo (R$ 24,4 bilhões) e Minas Gerais (R$ 15,3 bilhões). Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (R$ 8,1 bilhões), Paraná (R$ 7,9 bilhões), Santa Catarina (R$ 7,2 bilhões), Goiás (R$ 6,8 bilhões), Mato Grosso (R$ 6,8 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 5,3 bilhões) e Espírito Santo (R$ 4,7 bilhões).
Municípios também receberam recursos da estatal
A Petrobras informou que 271 municípios distribuídos em 22 estados receberam recursos tributários da empresa em 2025.
O total destinado às administrações municipais foi de R$ 1,9 bilhão, principalmente por meio do Imposto sobre Serviços (ISS) e do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).
Entre as cidades que mais receberam recursos estão Macaé (RJ), com R$ 395,9 milhões, Cubatão (SP) com R$ 141,7 milhões, e Caraguatatuba (SP) com R$ 125,1 milhões.
Pagamentos de tributos também ocorreram no exterior
Além das contribuições realizadas no Brasil, a Petrobras informou que pagou US$ 448,65 milhões em tributos no exterior, valor equivalente a cerca de R$ 2,3 bilhões.
Os principais países que receberam esses pagamentos foram Holanda, Estados Unidos, Colômbia, Singapura e Argentina, entre outros.
A estatal informou ainda que possui 477 filiais e operações distribuídas em 22 estados e 128 municípios brasileiros.
Petrobras registrou lucro e distribuiu dividendos em 2025
De acordo com o balanço divulgado anteriormente pela companhia, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 110 bilhões em 2025.
No mesmo período, foram distribuídos R$ 45,2 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas.
A maior parte desses valores foi destinada ao governo federal, que é o principal acionista da empresa por meio da União e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Governo discute importação de diesel com distribuidoras
Em paralelo à divulgação dos dados fiscais, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, informou na quinta-feira (12/03/2026) que distribuidoras de combustíveis sugeriram ampliar a importação de diesel pela Petrobras.
A proposta foi discutida em reunião realizada no Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília, com representantes do governo e das principais empresas do setor.
Segundo Alckmin, o encontro teve como foco garantir abastecimento e reduzir os impactos da volatilidade internacional nos preços do combustível.
Governo anuncia medidas para reduzir preço do diesel
No mesmo dia, o governo federal anunciou um pacote de medidas para reduzir o preço do diesel ao consumidor e evitar pressões inflacionárias.
Entre as ações está a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, o que deve diminuir o preço em cerca de R$ 0,32 por litro.
Além disso, uma Medida Provisória prevê subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores do combustível, valor que deverá ser repassado ao consumidor.
Fiscalização e impacto fiscal das medidas
Combinadas, as medidas devem gerar redução aproximada de R$ 0,64 por litro no preço do diesel nas bombas.
O governo também anunciou a ampliação da fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para garantir que a redução de custos seja efetivamente transferida ao consumidor final.
Segundo estimativas oficiais, o pacote terá impacto fiscal de cerca de R$ 30 bilhões, valor que deverá ser compensado com aumento do imposto de exportação sobre óleos brutos e sobre o próprio diesel.
*Com informações da Agência Brasil.








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