Produção de mudas certificadas e incentivo a derivados marcam primeira reunião da Câmara Setorial do Dendê em 2026 na Bahia

A produção de mudas com garantia fitossanitária e o incentivo à fabricação de derivados do dendê foram os principais temas debatidos nesta quinta-feira (26/02/2026) na primeira reunião da Câmara Setorial do Dendê da Bahia em 2026, realizada de forma virtual e coordenada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri). O encontro reuniu representantes da cadeia produtiva e discutiu estratégias para modernização do cultivo, ampliação da produção, acesso a crédito via Plano Safra e elaboração de um plano de ações para fortalecer o setor no estado.

A reunião marcou o início das atividades do colegiado neste ano e teve como foco a identificação de gargalos técnicos, sanitários e industriais que impactam o desenvolvimento da cultura do dendê na Bahia. Entre as prioridades apontadas estão a renovação do parque de palmeiras, a ampliação do processamento industrial do fruto e a adoção de tecnologias que aumentem produtividade e sustentabilidade da cadeia produtiva.

Renovação do parque produtivo e combate a doenças

Um dos principais pontos discutidos foi a produção de mudas certificadas e livres de doenças, considerada essencial para garantir a longevidade e a expansão da cultura do dendê no estado.

O diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, Assis Pinheiro Filho, destacou que grande parte das plantações atualmente em produção é composta por palmeiras antigas, o que reduz produtividade e aumenta a vulnerabilidade a pragas.

Segundo ele, a renovação das áreas produtivas exige viveiros especializados capazes de produzir mudas com certificação sanitária, garantindo maior segurança para os produtores.

“Hoje há uma grande preocupação com a doença do anel vermelho, que destrói o dendê. A produção de mudas isentas de doenças é fundamental para evitar que uma praga possa comprometer toda uma cultura”, explicou.

A doença mencionada é considerada uma das principais ameaças fitossanitárias à dendeicultura, podendo provocar perdas significativas quando não há controle adequado.

Nesse contexto, a criação de viveiros certificados e sistemas de controle sanitário rigorosos foi apontada como medida estratégica para proteger a produção e ampliar a competitividade do setor.

Diversificação industrial e agregação de valor

Outro tema central da reunião foi a necessidade de expandir o processamento industrial do dendê, ampliando a produção para além do tradicional azeite de palma.

Representantes do setor defenderam políticas de incentivo à instalação de agroindústrias voltadas à fabricação de derivados, capazes de agregar valor ao fruto produzido no estado.

Entre os produtos que podem ser desenvolvidos a partir do dendê destacam-se:

  • Margarinas
  • Bolachas e produtos alimentícios
  • Sabonetes
  • Cosméticos
  • Velas e insumos industriais

A estratégia envolve a formação de parcerias com universidades, institutos de pesquisa e organizações do terceiro setor, com o objetivo de desenvolver tecnologias e processos industriais adaptados à realidade da Bahia.

Segundo participantes da reunião, a diversificação da cadeia produtiva pode ampliar o mercado para os produtores, estimular investimentos e gerar novas oportunidades econômicas nas regiões produtoras.

Modernização da colheita e adoção de tecnologia

A modernização das técnicas de colheita também foi apontada como um dos desafios estruturais da dendeicultura baiana.

Atualmente, grande parte da colheita do fruto ainda ocorre de forma manual e artesanal, o que limita a eficiência produtiva e aumenta custos operacionais.

Assis Pinheiro Filho destacou a necessidade de desenvolver equipamentos ou técnicas que facilitem a retirada dos cachos, especialmente em palmeiras mais altas, onde a colheita se torna mais complexa.

A adoção de mecanização e tecnologias agrícolas pode contribuir para:

  • aumentar a produtividade;
  • reduzir o esforço físico dos trabalhadores;
  • melhorar a eficiência logística da produção.

Além disso, o setor também discutiu linhas de financiamento disponíveis no Plano Safra, que podem apoiar produtores na adoção de novas tecnologias e na modernização das propriedades.

Próxima reunião será realizada no Feagri

Ao final do encontro, os participantes definiram que a próxima reunião da Câmara Setorial do Dendê ocorrerá no dia 24 de março, desta vez em formato presencial.

O encontro será realizado dentro da programação do Fórum Estadual de Gestores da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Feagri), espaço destinado ao debate de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor agropecuário no estado.

A expectativa é que o evento permita aprofundar discussões técnicas, consolidar propostas e ampliar a participação de instituições públicas, produtores e representantes da indústria.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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