O tráfico internacional de drogas ilícitas, especialmente cocaína e substâncias sintéticas, registrou expansão em diversas regiões do mundo, segundo o Relatório Anual 2025 do Conselho Internacional de Controle de Narcóticos (INCB), órgão independente vinculado ao sistema das Nações Unidas. O documento aponta que, embora a cooperação internacional tenha produzido resultados relevantes na prevenção do desvio de substâncias controladas, a produção e a circulação de drogas ilícitas seguem em crescimento, com destaque para a expansão do mercado de cocaína na América do Sul, o aumento do consumo de opioides no Sul da Ásia e a disseminação de drogas sintéticas em várias regiões.
Cooperação internacional e controle de substâncias químicas
O relatório destaca que a coordenação entre governos e organismos internacionais tem sido um instrumento central no combate ao tráfico de drogas, especialmente na prevenção do desvio de substâncias químicas utilizadas na produção ilícita de narcóticos.
Um exemplo citado ocorreu em março de 2025, quando o sistema internacional de notificações do INCB permitiu interceptar três toneladas de um precursor químico usado na fabricação de fentanil. Caso o carregamento tivesse sido desviado para produção ilegal, poderia ter gerado entre 1,4 e 3,3 toneladas da droga, um opioide sintético altamente potente.
O mecanismo funciona com base nas três convenções internacionais de controle de drogas, que obrigam os governos a fornecer dados sobre cultivo, produção, fabricação, comércio e consumo de substâncias controladas. Essas informações permitem monitorar o fluxo global de produtos químicos sensíveis.
Segundo o INCB, graças ao sistema de estimativas e avaliações adotado pelos países, o desvio de substâncias produzidas legalmente para o mercado ilegal permanece relativamente baixo. O principal desafio permanece concentrado na produção e no tráfico de drogas ilícitas.
Expansão da cocaína e novas rotas do tráfico
O relatório identifica a América do Sul como a região de maior crescimento do mercado global de cocaína, impulsionado pelo aumento da produção e pela expansão das rotas internacionais de distribuição.
Esse crescimento tem provocado uma diversificação dos destinos do narcotráfico, com novos fluxos em direção à Ásia e ao continente africano. O aumento da oferta tem ampliado a presença da droga em mercados emergentes, onde as estruturas de controle muitas vezes são mais frágeis.
Na África, o documento observa que o consumo de diferentes tipos de drogas está em expansão, com destaque para o aumento da circulação de opioides farmacêuticos, frequentemente comercializados em versões de baixa qualidade.
Além disso, a região se tornou rota estratégica para o tráfico de cocaína, especialmente na ligação entre América do Sul e Europa.
América do Norte e drogas sintéticas
Na América do Norte, o relatório registra redução recente no número de overdoses associadas a drogas sintéticas.
De acordo com os dados apresentados:
- Canadá: queda de 17% nas mortes por overdose
- Estados Unidos: redução de 27%
Apesar da queda, o INCB afirma que ainda é prematuro considerar essa tendência como consolidada, sobretudo devido à elevada circulação de opioides sintéticos, incluindo derivados do fentanil.
A crise de opioides continua sendo uma das principais preocupações de saúde pública na região.
Metanfetamina domina mercado no Sudeste Asiático
O documento também aponta a metanfetamina como a principal ameaça entre as drogas sintéticas no Leste e Sudeste Asiático.
Nos últimos anos, as autoridades registraram níveis recordes de apreensões da substância, o que indica tanto aumento da produção quanto intensificação das operações policiais.
Já o Sul da Ásia concentra aproximadamente um terço de todos os consumidores de opioides do mundo, configurando o maior mercado regional dessas substâncias.
Essa concentração reforça preocupações sobre tratamento, dependência química e impactos sociais associados ao uso prolongado dessas drogas.
Aumento do tráfico de cocaína na Europa
Na Europa Ocidental e Central, o tráfico de cocaína apresentou crescimento expressivo nos últimos anos.
O relatório aponta dois indicadores principais dessa tendência:
- Aumento da disponibilidade da droga no mercado europeu
- Crescimento das apreensões pelas autoridades policiais
Ao mesmo tempo, a produção ilícita de drogas sintéticas dentro da própria Europa está se expandindo, criando novos desafios para as autoridades.
Outro fator destacado é a proliferação de novas substâncias psicoativas, compostos químicos frequentemente desenvolvidos para contornar legislações antidrogas.
Pacífico enfrenta expansão do consumo
A região da Oceania e dos Estados insulares do Pacífico também aparece no relatório como área de crescente preocupação.
O tráfico de drogas por rotas que passam pelos Estados Insulares do Pacífico rumo à Austrália e à Nova Zelândia atingiu níveis considerados sem precedentes.
O relatório destaca que o consumo de substâncias ilícitas aumentou significativamente em diversos países da região, configurando uma questão crítica de saúde pública.
Entre os países citados estão:
- Fiji
- Papua Nova Guiné
- Tonga
Nessas localidades, o impacto do tráfico se soma a desafios estruturais relacionados a sistemas de saúde, fiscalização e segurança pública.
Declaração da presidência do INCB
A presidente do Conselho Internacional de Controle de Narcóticos, Sevil Atasoy, afirmou que o combate às drogas ilícitas exige compromisso coletivo entre os países.
Segundo ela:
“Proteger a saúde das pessoas em todo o mundo dos perigos das drogas ilícitas é uma responsabilidade comum e compartilhada.”
A dirigente ressaltou ainda que o sistema internacional de controle de drogas depende diretamente da cooperação entre governos, tanto no intercâmbio de informações quanto na implementação de políticas públicas eficazes.








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