Na terça-feira (14/04/2026), data em que se celebra o Dia Mundial do Café, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a Bahia deverá registrar a quarta maior produção de café do Brasil, com estimativa de 227,9 mil toneladas na safra de 2026, correspondendo a 5,9% da produção nacional, projetada em 3,848 milhões de toneladas. Apesar da relevância no cenário nacional, o estado enfrenta queda de 12,9% em relação a 2025, quando foram produzidas 261,6 mil toneladas, evidenciando oscilações no desempenho do setor.
A Bahia permanece entre os principais polos produtores de café do Brasil, ficando atrás apenas de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. O desempenho reafirma o papel estratégico da cafeicultura na economia agrícola estadual, ainda que o recuo na produção indique desafios conjunturais.
Nos últimos dez anos, a produção baiana consolidou a predominância do café canephora, que deve representar 58,4% da safra em 2026, com cerca de 133 mil toneladas. Já o café arábica responde por 41,6%, com estimativa de 94,8 mil toneladas, mantendo participação relevante, sobretudo em regiões específicas.
Essa divisão reflete características geográficas e climáticas distintas dentro do estado, que favorecem diferentes variedades. Enquanto o canephora predomina em áreas mais quentes e de menor altitude, o arábica se concentra em regiões de clima mais ameno e relevo elevado.
Municípios concentram produção e especialização por variedade
Dados mais recentes da Produção Agrícola Municipal (PAM) indicam que os principais municípios produtores de café na Bahia são:
- Itamaraju: 26,1 mil toneladas
- Prado: 22,7 mil toneladas
- Barra da Estiva: 15,6 mil toneladas
- Porto Seguro: 15,0 mil toneladas
- Barra do Choça: 14,9 mil toneladas
O município de Itamaraju se destaca nacionalmente, ocupando a 15ª posição entre os maiores produtores do Brasil. A especialização produtiva também se evidencia: em Itamaraju, Prado e Porto Seguro, a produção é integralmente de café canephora, enquanto Barra da Estiva e Barra do Choça concentram-se no cultivo de arábica.
Essa segmentação reforça a organização territorial da cafeicultura baiana, com cadeias produtivas adaptadas às condições locais e às demandas de mercado.
Cafeicultura impulsiona economia agrícola estadual
Em termos econômicos, o café ocupa posição de destaque na Bahia. Em 2024, a atividade gerou R$ 4,023 bilhões, equivalente a 8,5% do valor total da produção agrícola do estado, estimado em R$ 47,347 bilhões.
O café foi o quarto produto agrícola mais relevante em valor, ficando atrás apenas de:
- Soja: R$ 14,433 bilhões
- Cacau: R$ 6,519 bilhões
- Algodão herbáceo: R$ 6,443 bilhões
O crescimento da cafeicultura foi expressivo: entre 2023 e 2024, houve aumento de 47,7% no valor gerado, configurando o maior patamar desde a implantação do Plano Real, em 1994. Trata-se também da quinta alta anual consecutiva, consolidando uma trajetória de valorização do setor.
Alta de preços impacta inflação e consumo
O avanço do valor da produção está diretamente relacionado à forte elevação dos preços do café nos últimos anos. O produto figurou entre os principais responsáveis pela pressão inflacionária, especialmente na Região Metropolitana de Salvador.
Em 2024, o café moído registrou alta de 42,68%, sendo o item com maior aumento entre os cerca de 200 produtos monitorados pelo IPCA. Já em 2025, a elevação foi de 42,91%, a segunda maior variação no índice.
Esse comportamento reforça o peso do café no orçamento das famílias e evidencia sua sensibilidade a fatores como clima, oferta global e custos de produção.
Queda de preços em 2026 sinaliza possível acomodação
Após dois anos consecutivos de forte alta, os dados mais recentes indicam uma inflexão no comportamento dos preços. No primeiro trimestre de 2026, o café apresentou queda acumulada de 1,03%, segundo o IPCA-15 para a Região Metropolitana de Salvador.
A retração pode sinalizar um movimento de ajuste após o período de pressão inflacionária, embora ainda seja necessário observar a evolução ao longo do ano para confirmar tendência mais consistente.










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