A Justiça da Argentina retomou nesta terça-feira (14/04/2026) o julgamento que investiga as circunstâncias da morte de Diego Maradona, ocorrida em 2020. O novo processo ocorre após a anulação do julgamento anterior, cancelado em 2025 devido a irregularidades envolvendo a participação de uma magistrada em uma produção audiovisual relacionada ao caso.
Sete profissionais de saúde, entre eles médicos, psiquiatra, psicólogo e enfermeiros, são acusados de negligência médica que pode ter contribuído para a morte do ex-jogador. O julgamento ocorre na cidade de San Isidro, região ao norte de Buenos Aires, com previsão de duração de aproximadamente três meses.
O caso analisa se houve falhas no atendimento domiciliar prestado ao ex-atleta durante o período de recuperação de uma cirurgia neurológica.
Acusações envolvem possível homicídio com dolo eventual
Os réus respondem por “homicídio com dolo eventual”, quando há entendimento de que se assume o risco de provocar a morte. As penas previstas variam entre oito e 25 anos de prisão.
A acusação sustenta que a equipe médica teria adotado condutas consideradas insuficientes durante a internação domiciliar, o que teria impactado o estado de saúde do ex-jogador.
Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, em decorrência de uma crise cardiorrespiratória associada a edema pulmonar, enquanto estava em recuperação em uma residência privada.
Debate judicial e versões apresentadas pelas partes
Na abertura do julgamento, o promotor Patricio Ferrari afirmou que a equipe médica teria atuado em condições inadequadas e com falhas no acompanhamento clínico.
Segundo a acusação, a internação domiciliar teria ocorrido sem estrutura considerada adequada, incluindo ausência de equipamentos como oxigênio e monitoramento cardíaco contínuo.
Os réus negam responsabilidade e afirmam que atuaram dentro dos limites técnicos de suas funções profissionais.
Anulação do primeiro julgamento e retomada do processo
O primeiro julgamento foi anulado em 2025 após mais de 20 audiências e depoimentos de 44 testemunhas. A decisão ocorreu após a constatação de que uma juíza envolvida no caso participou de uma produção documental sobre o processo.
Com a anulação, um novo colegiado de magistrados assumiu a condução do julgamento, reiniciando a análise das provas e depoimentos.
Durante a retomada do caso, familiares de Maradona estiveram presentes na audiência, incluindo suas filhas e irmãs.
Condições médicas e controvérsias sobre atendimento
O processo também analisa decisões tomadas no período de recuperação do ex-jogador, incluindo a opção por tratamento domiciliar em vez de internação hospitalar.
A autópsia indicou que Maradona teria passado por um período de cerca de 12 horas de agonia antes de ser encontrado morto, segundo registros periciais.
A investigação aponta ainda divergências sobre a condução do tratamento e sobre a comunicação entre a equipe médica e familiares.
Repercussão e acompanhamento do caso na Argentina
O julgamento ocorre sob acompanhamento público e reúne familiares, fãs e imprensa na região de San Isidro. Grupos de admiradores se concentraram em frente ao tribunal com manifestações simbólicas pedindo esclarecimento do caso.
O processo segue em andamento e deverá analisar depoimentos, laudos médicos e condutas profissionais ao longo das próximas semanas.
A decisão final dependerá da avaliação do colegiado responsável pelo julgamento.
*Com informações da RFI.








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