O secretário nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT), Éden Valadares, afirmou na sexta-feira (18/04/2026) que o ex-prefeito de Salvador e liderança do União Brasil, ACM Neto, estaria novamente evitando assumir publicamente uma aliança política com a família Bolsonaro na Bahia. A declaração foi concedida durante entrevista à rádio Baiana FM e ocorre em meio à movimentação pré-eleitoral no estado, marcada por disputas narrativas e reposicionamentos estratégicos de lideranças políticas.
Segundo Éden, a postura de ACM Neto repete um padrão observado nas eleições de 2018 e 2022, quando, de acordo com o dirigente petista, o político baiano teria evitado associar sua imagem ao então presidente Jair Bolsonaro, apesar de, posteriormente, admitir apoio. O secretário sustenta que o movimento atual indicaria uma tentativa de minimizar desgastes eleitorais decorrentes da rejeição ao bolsonarismo no estado.
Declarações e acusações sobre estratégia eleitoral
De acordo com Éden Valadares, ACM Neto estaria evitando confirmar apoio a Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, sinalizando publicamente uma possível inclinação por outros nomes nacionais, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Para o dirigente petista, essa estratégia não seria consistente com o histórico político recente do ex-prefeito.
O secretário afirmou que, em 2018, ACM Neto teria declarado apoio a Geraldo Alckmin, mas não teria demonstrado esse posicionamento na prática durante a campanha eleitoral. Ainda segundo Éden, o apoio a Jair Bolsonaro só teria sido reconhecido posteriormente, no segundo turno.
Em sua avaliação, a atual postura indicaria uma tentativa de manter flexibilidade política, evitando compromissos explícitos que possam gerar desgaste junto ao eleitorado baiano.
Rejeição ao bolsonarismo na Bahia
Éden argumentou que a rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro no estado da Bahia influencia diretamente o comportamento de lideranças políticas locais. Segundo ele, fatores como a condução da pandemia de Covid-19 e os episódios institucionais recentes contribuíram para consolidar uma percepção negativa entre eleitores baianos.
Nesse contexto, o dirigente do PT classificou o apoio ao bolsonarismo como um elemento de risco eleitoral, afirmando que políticos buscariam evitar associação direta com essa corrente para preservar competitividade nas disputas regionais.
A declaração incluiu a expressão “nem pai, nem filho e nem Neto”, utilizada como síntese da percepção, segundo ele, de parte do eleitorado baiano em relação a candidaturas vinculadas ao grupo político de Bolsonaro.
Disputa de narrativas no cenário pré-eleitoral
As declarações de Éden Valadares se inserem em um ambiente de intensificação do debate político na Bahia, onde diferentes grupos buscam consolidar posicionamentos antes do início formal das campanhas. A disputa envolve não apenas alianças locais, mas também a conexão com projetos nacionais e lideranças de alcance federal.
Nesse cenário, a vinculação ou distanciamento de figuras políticas nacionais torna-se um elemento estratégico relevante, especialmente em estados com histórico eleitoral definido e comportamento político consolidado.
Até o momento, não houve manifestação pública de ACM Neto em resposta direta às declarações do dirigente petista.








Deixe um comentário