Lideranças da extrema direita europeia se reuniram na segunda-feira (20/04/2026), em Milão, na Duomo de Milão, em um evento promovido pelo grupo “Patriotas pela Europa”, com foco em críticas à imigração e à política econômica da União Europeia. O encontro ocorreu sob o lema “Sem medo: na Europa, donos em nossa casa” e reuniu apoiadores e políticos de diferentes países.
O ato foi marcado pela repetição do termo “remigração”, associado à proposta de retorno de imigrantes aos países de origem. A manifestação também contou com forte presença policial, enquanto protestos organizados por grupos antifascistas ocorreram nas proximidades, reunindo milhares de pessoas.
Entre os principais temas abordados estiveram controle migratório, soberania nacional e revisão de políticas econômicas europeias, refletindo uma agenda comum entre partidos da direita nacionalista no continente.
Discursos políticos e articulação internacional
O líder da Liga italiana, Matteo Salvini, destacou a necessidade de reforçar o controle das fronteiras e elogiou o ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. Em seu discurso, afirmou que a cooperação entre líderes soberanistas deve continuar com foco em segurança e combate ao tráfico ilegal.
O político holandês Geert Wilders também criticou a imigração em massa, associando o tema a questões de identidade cultural e segurança. Já o francês Jordan Bardella declarou que uma eventual vitória de seu partido nas eleições presidenciais na França teria impacto em toda a Europa.
Bardella também mencionou a líder política Marine Le Pen como parte de um projeto político mais amplo, afirmando que o avanço eleitoral do grupo representaria mudanças no equilíbrio político europeu.
Participação de lideranças e cenário paralelo
Outros nomes participaram do evento, incluindo Afroditi Latinopoulou, Santiago Abascal e Andrej Babiš, este último por vídeo. O encontro reforça a articulação entre partidos de direita em diferentes países da União Europeia.
Simultaneamente, um evento com lideranças progressistas ocorreu em Barcelona, reunindo o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, o presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente do México Claudia Sheinbaum.
A realização paralela dos eventos evidencia a polarização política no cenário internacional, com agendas distintas sendo apresentadas por diferentes blocos ideológicos.
Críticas ao Green Deal e política econômica
Durante o evento, Salvini criticou o chamado “Green Deal” da União Europeia, classificando-o como um conjunto de regras que impacta empresas e economias nacionais. O discurso incluiu defesa da suspensão de normas fiscais para enfrentar efeitos da crise energética.
O líder italiano também pediu a revisão do Pacto de Estabilidade, mecanismo que limita déficits públicos nos países do bloco. Segundo ele, a flexibilização dessas regras seria necessária diante de cenários considerados excepcionais.
A proposta inclui a possibilidade de ação unilateral por parte dos países, caso não haja resposta rápida das instituições europeias, indicando tensão nas relações entre governos nacionais e órgãos da União Europeia.
Contexto político e desempenho eleitoral
O evento também ocorre em um momento de queda nas intenções de voto da Liga, partido de Salvini, que registra entre 6% e 8% nas pesquisas recentes. O desempenho contrasta com resultados anteriores, como os 17,35% nas eleições de 2018 e 8,8% em 2022.
A mobilização em Milão é interpretada como uma tentativa de reafirmação política do partido em seu principal reduto eleitoral, além de fortalecer alianças com outras lideranças europeias.
O cenário reflete um contexto mais amplo de reorganização política na Europa, com crescimento de movimentos nacionalistas e debates sobre imigração, economia e integração regional.
*Com informações da RFI.











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