O Governo Lula está finalizando a criação de um conselho especial para tratar de minerais críticos, com o objetivo de centralizar decisões estratégicas e coordenar a atuação do país no cenário internacional. A iniciativa surge em meio ao aumento do interesse global por esses recursos e à necessidade de alinhamento interno.
A proposta ganhou força após movimentações de estados brasileiros em negociações externas, o que gerou preocupação no Palácio do Planalto sobre a falta de coordenação nacional em temas considerados estratégicos.
De acordo com informações divulgadas pela mídia, o novo colegiado deverá atuar como órgão de assessoramento direto à Presidência da República, além de servir como ponte entre governo e setor privado.
Estrutura do conselho e disputa por vinculação
O formato do conselho ainda está em definição e depende de decisão do governo federal. O Ministério de Minas e Energia defende que o colegiado fique sob sua estrutura, argumentando que iniciou as discussões sobre o tema ainda em 2025.
Por outro lado, o Planalto articula para que o órgão seja vinculado à Casa Civil, o que reforçaria o caráter estratégico e interministerial da iniciativa.
O tema foi discutido em reunião com a participação de ministros e assessores, incluindo o titular da pasta de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o assessor especial Celso Amorim.
Função estratégica e relação com outros órgãos
O novo conselho não substituirá o Conselho Nacional de Política Mineral, que possui perfil técnico e foi reativado em 2025. A proposta é criar uma instância mais enxuta, com foco em decisões estratégicas e articulação geopolítica.
A estrutura pretendida segue modelo semelhante ao Conselho Nacional de Política Energética, responsável por orientar políticas no setor de energia.
A intenção é que o colegiado concentre a definição de diretrizes para negociações internacionais, além de alinhar interesses econômicos e industriais relacionados ao setor mineral.
Pressão internacional e interesse dos EUA
A criação do conselho também ocorre em meio a pressões externas, especialmente dos Estados Unidos. Em março, o diplomata Gabriel Escobar afirmou que Washington aguardava uma resposta brasileira sobre possíveis negociações envolvendo minerais críticos.
O governo brasileiro, por sua vez, indicou que não recebeu proposta formal, embora técnicos dos dois países mantenham diálogo sobre o tema.
A movimentação internacional reforça a necessidade de o Brasil estabelecer uma posição unificada diante de acordos estratégicos.
Importância dos minerais críticos na economia global
O foco do conselho inclui recursos como cobre, lítio, níquel, manganês e grafita, considerados essenciais para setores como transição energética, tecnologia e indústria de alta complexidade.
Apesar de possuir reservas relevantes, o Brasil ainda apresenta baixa participação na produção global, estimada em cerca de 0,09%, o que amplia o interesse em desenvolver políticas específicas para o setor.
A criação do conselho é vista como parte da estratégia para ampliar a presença brasileira nesse mercado e fortalecer sua posição em cadeias produtivas globais.
*Com informações da Sputnik News.








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