Guerra no Irã provoca maior choque do petróleo da história e acelera transição energética global, aponta AIE

A escalada da guerra no Oriente Médio já configura o maior choque do petróleo da história, segundo avaliação da Agência Internacional de Energia (AIE), com impactos diretos sobre preços, abastecimento e mercados globais. Nesta terça-feira (07/04/2026), o cenário segue marcado por incertezas, com o quase fechamento do Estreito de Ormuz e intensificação das ações militares na região.

Os mercados financeiros registraram reação moderada, com estabilização dos preços do petróleo após semanas de alta e recuperação das principais bolsas, mesmo diante do agravamento do conflito. Ainda assim, o fornecimento global de energia permanece sob pressão.

O Irã mantém resistência às exigências dos Estados Unidos, enquanto Israel amplia operações militares. A situação afeta diretamente infraestruturas energéticas no Golfo, ampliando o risco de interrupções prolongadas no fluxo de hidrocarbonetos.

Estreito de Ormuz e impacto no abastecimento global

O Estreito de Ormuz, responsável por parcela relevante do transporte mundial de energia, permanece no centro das tensões. O Conselho de Segurança da ONU discute medidas relacionadas à via marítima, quase totalmente fechada desde o início do conflito.

O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou que a crise atual representa uma interrupção sem precedentes no fornecimento energético, superando eventos históricos como as crises de 1973, 1979 e 2022. Segundo ele, a guerra afeta não apenas petróleo e gás, mas também fertilizantes, petroquímicos e outros insumos essenciais.

Dados da agência indicam que 75 infraestruturas energéticas foram atingidas, com mais de um terço em estado grave, comprometendo a capacidade de recuperação no curto prazo. Caso o bloqueio persista ao longo de abril, as perdas podem superar significativamente os níveis registrados em março.

Transição energética ganha força com crise

Apesar do impacto imediato, a AIE aponta que a crise pode acelerar a reconfiguração do sistema energético global. Segundo Birol, a geopolítica da energia tende a passar por mudanças estruturais nos próximos anos.

Entre as principais tendências, destacam-se a expansão de energias renováveis, como solar e eólica, com capacidade de implementação rápida. A crise também deve impulsionar o avanço da energia nuclear, incluindo pequenos reatores modulares, além do crescimento do uso de veículos elétricos.

No curto prazo, a recomendação é de uso mais eficiente da energia, com foco em conservação para mitigar os efeitos da escassez e da volatilidade nos preços.

Europa enfrenta vulnerabilidade energética

Na Europa, a crise reacende o debate sobre a dependência de combustíveis fósseis importados. O Banco Central Europeu (BCE) alertou que essa condição representa uma ameaça à estabilidade de preços.

Autoridades defendem investimentos em energia limpa e produção local, como forma de reduzir a exposição a choques externos. Em alguns países, os efeitos já são perceptíveis, com registros de escassez temporária de combustíveis em postos.

Governos europeus avaliam medidas emergenciais para conter os impactos econômicos e sociais, incluindo políticas de apoio a setores mais afetados.

Setor aéreo registra aumento de custos e cancelamentos

O setor de aviação enfrenta elevação significativa nos custos operacionais, impulsionada pelo aumento do preço do combustível e pelas restrições de espaço aéreo. Companhias relatam necessidade de reajuste nas tarifas e cancelamento de voos.

Dados do setor indicam que o preço do querosene passou de US$ 750 para US$ 1.900 por tonelada, elevando sua participação nos custos totais de 25% para 45%. Além disso, rotas mais longas, devido a desvios, aumentam o consumo de combustível.

A possibilidade de escassez de querosene nas próximas semanas é considerada, o que pode ampliar os impactos sobre o transporte aéreo global.

Conflito amplia incertezas no cenário internacional

Desde o início das ofensivas militares no fim de fevereiro, os preços do petróleo registram alta, impulsionados pela redução da oferta e riscos geopolíticos. O fechamento do Estreito de Ormuz intensifica preocupações com o abastecimento global.

A continuidade do conflito, sem perspectiva imediata de acordo, mantém elevado o nível de incerteza. Analistas apontam que a crise atual pode gerar efeitos duradouros sobre a economia global e o sistema energético internacional.

*Com informações da RFI.


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