Líbano acusa Israel de crime de guerra, denuncia ataque a jornalistas e retoma negociações em Washington sob tensão

Autoridades do Líbano acusaram Israel, nesta quinta-feira (23/04/2026), de cometer “crime de guerra” após a morte da jornalista Amal Khalil em ataque aéreo no sul do país. O episódio também deixou ferida a jornalista Zeinab Faraj e gerou denúncias de ataques contra equipes de resgate.

O presidente Joseph Aoun afirmou que Israel ataca jornalistas deliberadamente, enquanto o primeiro-ministro Nawaf Salam declarou que atingir profissionais da imprensa e dificultar resgates configura crime de guerra. O governo informou que levará o caso a instâncias internacionais.

O ataque ocorreu na quarta-feira (22/04/2026), em meio ao conflito envolvendo Israel e o Hezbollah, mesmo com um cessar-fogo em vigor desde 17 de abril. A ofensiva atingiu inicialmente um veículo e, posteriormente, uma residência onde as jornalistas estavam abrigadas.

Ataques sucessivos e denúncias de obstrução de resgate

Segundo autoridades libanesas, as jornalistas se refugiaram em uma casa no município de al-Tiri após um primeiro bombardeio atingir um carro nas proximidades. Dois ocupantes do veículo morreram, incluindo o prefeito de Bint Jbeil e outro homem.

Um segundo ataque aéreo atingiu o local onde as profissionais estavam. Equipes de resgate conseguiram retirar Zeinab Faraj com vida, mas o Ministério da Saúde informou que a ambulância foi alvo de novos bombardeios durante o transporte.

As autoridades afirmaram que foi necessário acionar forças de paz da Organização das Nações Unidas para concluir o resgate. O corpo de Amal Khalil só foi recuperado após horas de espera. O governo acusa Israel de obstruir operações de resgate e atingir veículo identificado com símbolo da Cruz Vermelha.

Versão israelense e investigação em andamento

O Exército de Israel declarou que os ataques tiveram como alvo veículos com indivíduos classificados como “terroristas” que teriam cruzado uma área considerada estratégica no sul do Líbano. A operação teria ocorrido dentro de uma zona de defesa avançada estabelecida pelas forças israelenses.

As autoridades israelenses negaram ter impedido o acesso de equipes de resgate e informaram que o caso está sob investigação, citando relatos iniciais de jornalistas feridos durante a ofensiva.

O episódio ocorre em um contexto de mais de 2.400 mortos no Líbano desde o início das hostilidades recentes, elevando a pressão internacional por mecanismos de responsabilização e contenção da escalada militar.

Negociações em Washington e pressão internacional

As tensões coincidem com a retomada das negociações entre Líbano e Israel, previstas para quinta-feira (23/04/2026), em Washington. O objetivo é discutir a manutenção do cessar-fogo e evitar novos confrontos.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, declarou que espera cooperação do governo libanês contra o Hezbollah. Já autoridades libanesas pretendem solicitar prorrogação da trégua por mais um mês e a suspensão de operações militares em áreas ocupadas.

O cessar-fogo atual, com término previsto para domingo (26/04/2026), enfrenta dificuldades diante de novos ataques registrados nos últimos dias, incluindo bombardeios que resultaram em mortes mesmo durante a vigência da trégua.

Impacto internacional e crise humanitária

A escalada do conflito também ampliou a pressão internacional após a morte de militares da Força Interina das Nações Unidas no Líbano. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que é necessário ampliar os esforços diplomáticos para evitar novos confrontos.

Dados oficiais indicam que mais de 62 mil residências foram destruídas ou danificadas em cerca de seis semanas de confrontos. O impacto humanitário inclui deslocamento de civis e restrições ao acesso a áreas afetadas.

O governo do Brasil também se manifestou, defendendo o respeito à soberania libanesa e a retirada de forças estrangeiras do sul do país, além do cumprimento integral de resoluções internacionais.

*Com informações da RFI.


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