Mediterrâneo registra alta de mortes de migrantes em 2026 e já soma quase mil vítimas, alerta OIM

O início de 2026 tem sido um dos períodos mais letais para migrantes no Mar Mediterrâneo desde 2014, segundo dados divulgados pela Organização Internacional para Migrações. Quase mil pessoas morreram ou desapareceram na região desde janeiro, incluindo mais de 180 vítimas em naufrágios recentes.

Somente no Mediterrâneo Central, cerca de 765 mortes foram registradas nos primeiros quatro meses do ano, representando um aumento superior a 150% em relação ao mesmo período de 2025. O número coloca 2026 entre os anos com início mais mortal da última década.

Os dados refletem a persistência de rotas migratórias perigosas, utilizadas por pessoas que tentam chegar à Europa, muitas vezes sob condições precárias e com apoio de redes de contrabando.

Naufrágios recentes e operações de resgate

Em abril, um barco com cerca de 120 pessoas virou após sair da Líbia, resultando no desaparecimento de mais de 80 migrantes no Mediterrâneo Central. Apenas 32 sobreviventes foram resgatados por embarcações comerciais e levados para Lampedusa pela Guarda Costeira italiana.

Em outro episódio, no início do mês, 19 corpos foram encontrados em uma embarcação próxima a Lampedusa, após três dias de travessia desde a Líbia. Os socorristas conseguiram salvar 58 pessoas, algumas em estado crítico.

Outros incidentes registrados no final de março reforçam o cenário. Em 28 de março, pelo menos 22 pessoas morreram ao largo de Creta, enquanto um naufrágio em 30 de março, próximo a Sfax, deixou 19 mortos e cerca de 20 desaparecidos.

Rotas migratórias e atuação de redes ilegais

De acordo com a diretora-geral da OIM, Amy Pope, as tragédias evidenciam que migrantes continuam se arriscando em trajetos de alto risco. Muitos atravessam regiões desérticas no norte da África antes de embarcar em travessias marítimas irregulares.

Essas rotas são frequentemente operadas por redes de tráfico de pessoas e contrabando, que exploram indivíduos em situação de vulnerabilidade. A travessia pelo Mediterrâneo Central é considerada uma das mais perigosas do mundo.

A OIM destaca que, apesar da redução no número de chegadas à Europa, o total de mortes continua em crescimento, indicando agravamento dos riscos enfrentados durante o percurso.

Pressão por políticas de salvamento e migração legal

A organização alerta que a capacidade de busca e salvamento permanece insuficiente, o que contribui para o aumento no número de vítimas. A entidade defende maior coordenação internacional para operações no mar.

Além disso, a OIM reforça a necessidade de expandir vias legais de migração, com o objetivo de reduzir a dependência de rotas irregulares e perigosas.

O debate sobre políticas migratórias na Europa segue em evidência, especialmente diante do aumento das mortes e das dificuldades enfrentadas por países na gestão dos fluxos migratórios.

*Com informações da ONU News.


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