Movimentações partidárias do ex-prefeito Colbert Martins e do ex-vereador Fernando Torres redesenham cenário político em Feira de Santana e antecipam disputa entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues 

As recentes movimentações partidárias do ex-prefeito Colbert Martins Filho, voltadas à consolidação de sua pré-candidatura a deputado federal, e do ex-vereador Fernando Torres, que se projeta para disputar uma vaga de deputado estadual e articula a possibilidade de assumir a presidência do MDB em Feira de Santana, neste início de abril de 2026, evidenciam um processo mais amplo e estruturado de reorganização política local. Trata-se de um realinhamento estratégico diretamente condicionado ao cenário estadual, marcado pela crescente polarização entre ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT), ambos posicionados como polos centrais na disputa pelo Governo da Bahia a partir de 2027.

A leitura das trajetórias partidárias de ambos os atores, aliada às suas recentes filiações e reposicionamentos, permite uma compreensão mais precisa não apenas de seus alinhamentos atuais, mas sobretudo do padrão histórico de comportamento político que orienta suas decisões. Esse histórico, longe de ser episódico, revela uma lógica recorrente de adaptação estratégica às correlações de força, elemento decisivo para antecipar os apoios e articulações que devem se consolidar no próximo ciclo eleitoral.

Trajetória de Colbert Martins revela coerência no campo oposicionista

Colbert Martins construiu sua carreira política a partir de uma base tradicional no PMDB (atual MDB), partido pelo qual exerceu mandato como deputado estadual e posteriormente consolidou sua atuação no cenário local.

Ao longo dos anos, passou por diferentes siglas, incluindo o PPS (atual Cidadania), retornando posteriormente ao MDB, onde alcançou maior projeção como vice-prefeito e, em seguida, prefeito de Feira de Santana. Em momento posterior, também registrou passagem pela Democracia Cristã (DC).

A filiação mais recente ao PSDB, já no ciclo pré-eleitoral de 2026, representa um movimento de reposicionamento dentro do campo oposicionista. Trata-se de uma decisão que preserva a coerência de sua trajetória recente, marcada pela vinculação ao grupo político liderado pelo prefeito José Ronaldo (União Brasil), historicamente alinhado à oposição ao PT na Bahia.

Esse percurso indica que Colbert:

  • Mantém inserção no campo de centro-direita tradicional
  • Atua em consonância com estruturas políticas consolidadas no município
  • Apresenta baixo grau de volatilidade ideológica, apesar das mudanças partidárias

No atual cenário, a tendência política se consolidou: Colbert Martins deve apoiar ACM Neto, acompanhando o bloco oposicionista estadual com o qual mantém alinhamento histórico.

Fernando Torres acumula filiações e adota postura pragmática com inclinação governista

Em contraste, a trajetória de Fernando Torres é marcada por maior mobilidade partidária e flexibilidade estratégica. Sua carreira teve início no PTdoB (atual Avante), quando foi eleito vereador em Feira de Santana.

Posteriormente, transitou por siglas como:

  • PRTB, pelo qual se elegeu deputado estadual
  • DEM, onde conquistou mandato como deputado federal
  • PSD, partido pelo qual manteve atuação política relevante nos últimos anos

Mais recentemente, em 2026, formalizou sua filiação ao MDB, legenda historicamente conhecida por sua capacidade de articulação e posicionamento de centro.

Esse histórico evidencia um perfil político caracterizado por:

  • Alta mobilidade partidária
  • Capacidade de diálogo com diferentes campos ideológicos
  • Estratégia baseada em cálculo eleitoral e negociação política

Apesar da postura tradicionalmente flexível, os movimentos recentes indicam uma direção mais definida: Fernando Torres deve apoiar Jerônimo Rodrigues, acompanhando a aliança PT com MDB, representada pela continuidade de Jerônimo e Geraldo Junior como protagonistas nas Eleições.

Disputa estadual influencia diretamente o tabuleiro feirense

A reorganização partidária ocorre em meio à consolidação de dois polos políticos na Bahia:

  • Jerônimo Rodrigues (PT), representante da continuidade do grupo governista iniciado com Jaques Wagner e Rui Costa
  • ACM Neto (União Brasil), principal liderança da oposição e candidato competitivo ao governo estadual

Neste contexto, Feira de Santana assume papel estratégico. Como segundo maior colégio eleitoral da Bahia e historicamente vinculada a forças oposicionistas, o município funciona como peça-chave na definição do equilíbrio político estadual.

Reposicionamento revela padrões distintos de atuação

A análise conjunta das trajetórias e movimentos recentes permite identificar dois perfis claramente distintos:

  • Colbert Martins representa a continuidade de um grupo político estruturado, com alinhamento previsível e inserção consolidada no campo oposicionista
  • Fernando Torres atua como agente político flexível, preservando margem de negociação, mas com sinais recentes de aproximação ao campo governista

Essa diferença reflete dois modelos clássicos da política brasileira:

  • O modelo tradicional, ancorado em grupos históricos e alianças estáveis
  • O modelo pragmático, orientado por oportunidades e rearranjos estratégicos

Polarização estadual ganha corpo em Feira de Santana e antecipa disputa de 2026

As recentes movimentações políticas envolvendo Colbert Martins e Fernando Torres evidenciam, com crescente nitidez, a antecipação do embate eleitoral de 2026 no plano municipal. O cenário local passa a refletir, de forma cada vez mais orgânica, a polarização estadual entre os campos liderados por ACM Neto e Jerônimo Rodrigues, com sinais de consolidação de alianças nos próximos meses.

De um lado, Colbert Martins reforça sua inserção no bloco oposicionista, alinhando-se de maneira mais explícita ao projeto político de ACM Neto. Trata-se de um movimento que não apenas redefine seu posicionamento pessoal, mas também reorganiza parcelas relevantes da oposição em Feira de Santana, tradicional reduto de disputas estratégicas na Bahia.

Em direção oposta, Fernando Torres, ainda que historicamente marcado por uma atuação política flexível, passa a emitir sinais consistentes de aproximação com o grupo governista estadual. Sua inclinação ao campo liderado por Jerônimo Rodrigues sugere uma tentativa de reposicionamento dentro de uma estrutura de poder que, atualmente, detém a máquina administrativa estadual e capacidade ampliada de articulação institucional.

No pano de fundo dessas movimentações, reafirma-se uma constante histórica: Feira de Santana mantém seu papel central na engenharia política baiana. O município, pela sua densidade eleitoral, capilaridade econômica e tradição de liderança regional, continua a funcionar como um dos principais termômetros para a definição dos rumos políticos do estado.

Persistem, contudo, pontos de indefinição que podem influenciar decisivamente o equilíbrio local. Entre eles, destaca-se o posicionamento do vice-prefeito Pablo Roberto (PSDB). Embora tenha anunciado a desistência de disputar as eleições de 2026, sua aliança consolidada com Colbert Martins o mantém inserido nas articulações estratégicas, podendo atuar como elemento de coesão ou de reacomodação dentro do campo oposicionista.

Paralelamente, o prefeito José Ronaldo demonstra inclinação para apoiar o pré-candidato a deputado federal pelo União Brasil, José Francisco Pinto (Zé Chico). No entanto, a eventual consolidação de Colbert Martins nesse mesmo espectro político tende a alterar o equilíbrio interno do grupo, abrindo espaço para disputas por protagonismo e possíveis reconfigurações de alianças.

Nesse contexto, o que se observa não é apenas a movimentação isolada de lideranças, mas a reedição de uma lógica clássica da política baiana, na qual alianças locais funcionam como extensão direta dos embates estaduais. A antecipação desse processo sugere que Feira de Santana voltará a desempenhar papel decisivo na definição do tabuleiro eleitoral de 2026, como historicamente sempre o fez.


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