ONU alerta para retrocesso no desenvolvimento global e destaca déficit de US$ 4 trilhões para metas sustentáveis

A Organização das Nações Unidas abriu na segunda-feira (20/04/2026) a Semana de Financiamento para o Desenvolvimento e o Fórum do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc), com alertas sobre retrocesso no progresso global e ampliação do déficit para cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Durante a abertura, o secretário-geral António Guterres afirmou que o mundo enfrenta um déficit anual de aproximadamente US$ 4 trilhões para atingir as metas da Agenda 2030, valor que segue em crescimento.

O encontro reúne autoridades, ministros e especialistas com o objetivo de discutir soluções financeiras e estratégias para impulsionar o desenvolvimento sustentável em um cenário de instabilidade econômica.

Pressão de custos e impactos geopolíticos

Guterres destacou que conflitos no Oriente Médio têm impactado diretamente os preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos, com efeitos sobre comércio, transporte e turismo.

Segundo ele, o aumento dos custos de energia pressiona orçamentos públicos já comprometidos, especialmente em países com crescimento econômico reduzido e desvalorização cambial.

O secretário-geral também afirmou que há aumento de gastos militares ao mesmo tempo em que a ajuda internacional diminui, agravando os desafios financeiros globais.

Queda da ajuda internacional e aumento da dívida

Dados apresentados no fórum indicam que a Assistência Oficial ao Desenvolvimento caiu 23% em 2025, enquanto o serviço da dívida atingiu níveis elevados.

Em 2024, os custos com dívida externa ultrapassaram 20% das receitas governamentais em 14 países em desenvolvimento, comprometendo investimentos públicos.

Além disso, as taxas de juros para países de baixa renda chegaram a 8,4% em 2025, ampliando as dificuldades de financiamento.

Credibilidade internacional e compromissos globais

A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, destacou a necessidade de implementar acordos já firmados, como o Compromisso de Sevilha.

Segundo ela, a falta de execução de promessas compromete a credibilidade internacional e reduz a confiança em iniciativas multilaterais.

O evento reúne representantes de governos e instituições para acelerar a implementação da Agenda 2030 e reforçar compromissos com países de baixa renda.

Estagnação econômica e riscos estruturais

Relatório apresentado no Fórum de Alto Nível aponta que o progresso do financiamento sustentável está estagnado e, em alguns casos, em retrocesso.

O crescimento global do Produto Interno Bruto foi estimado em 2,8% em 2025, abaixo da média de 3,2% registrada entre 2010 e 2019.

Além disso, mais de um em cada quatro países em desenvolvimento ainda apresenta renda per capita inferior aos níveis de 2019, evidenciando recuperação desigual.

Impactos em setores essenciais e fragmentação econômica

As limitações financeiras afetam diretamente áreas como saúde, educação e infraestrutura, consideradas essenciais para o desenvolvimento.

O relatório também destaca a fragmentação econômica global, com aumento de barreiras comerciais e redução da integração internacional.

Esses fatores elevam a incerteza econômica e aumentam os riscos de instabilidade nos mercados financeiros.

Investimentos, energia e financiamento global

Apesar do cenário desafiador, o relatório aponta crescimento em investimentos sustentáveis. Os aportes em energia renovável atingiram US$ 2,2 trilhões em 2024, superando investimentos em combustíveis fósseis.

Por outro lado, o Investimento Estrangeiro Direto caiu 11% em 2024, totalizando US$ 1,49 trilhão, refletindo a desaceleração econômica global.

A arrecadação tributária em países em desenvolvimento apresentou crescimento limitado, atingindo 14% do PIB, abaixo da meta de 15% estabelecida em acordos internacionais.

Perspectivas e agenda do fórum

Ao longo da semana, os debates incluem temas como reforma da arquitetura financeira global, ampliação do comércio internacional e fortalecimento de sistemas de monitoramento de dados.

A expectativa é que as discussões resultem em propostas concretas para enfrentar desafios estruturais e ampliar o financiamento ao desenvolvimento sustentável.

O objetivo central do fórum é estabelecer diretrizes para um novo ciclo de políticas financeiras globais, alinhado às demandas atuais da economia internacional.

*Com informações da ONU News.


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