No sábado (04/04/2026), durante a celebração da Vigília Pascal na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o Papa Leão XIV afirmou que a Ressurreição de Cristo representa a possibilidade concreta de transformação da humanidade, ao convocar os fiéis a superar o medo, o egoísmo e as divisões que marcam o mundo contemporâneo. Em homilia marcada por referências à tradição cristã e aos desafios atuais, o pontífice destacou que a fé pascal pode inspirar um novo horizonte de paz e reconciliação entre indivíduos e nações.
Vigília Pascal: tradição e centralidade na fé cristã
O Papa ressaltou que a Vigília Pascal é considerada “a mãe de todas as vigílias”, sendo a celebração mais antiga da tradição cristã. Segundo ele, a liturgia revive o núcleo da fé: a vitória da vida sobre a morte, simbolizada na Ressurreição.
Ao recordar os acontecimentos da Paixão de Cristo, o pontífice enfatizou o caráter sacrificial e redentor do evento, destacando que a cruz representa a manifestação máxima do amor divino. Para ele, a Ressurreição não é apenas um acontecimento histórico, mas um chamado contínuo à renovação espiritual e moral da humanidade.
Nesse contexto, a celebração foi apresentada como um percurso que une sofrimento, redenção e esperança, reafirmando a continuidade da tradição cristã ao longo dos séculos.
História da salvação e o papel da misericórdia
A homilia também percorreu episódios centrais da história bíblica, como a criação, o sacrifício de Isaac e a libertação do povo de Israel do Egito, interpretados como etapas de um processo contínuo de reconciliação entre Deus e a humanidade.
O Papa destacou que, mesmo diante do fracasso humano decorrente do pecado, Deus responde com misericórdia e perdão, revelando um projeto de salvação baseado na restauração dos vínculos rompidos.
Segundo ele, a narrativa bíblica evidencia que o amor divino atua como força capaz de transformar a desordem em harmonia e de restaurar a dignidade humana.
Ressurreição como ruptura das barreiras humanas
Ao abordar o episódio das mulheres que foram ao sepulcro de Jesus, o pontífice interpretou o gesto como símbolo de superação do medo e da desesperança. Ele afirmou que o pecado funciona como uma barreira que separa o homem de Deus, mas que é vencida pela força da Ressurreição.
O Papa destacou que o amor de Deus é superior a qualquer forma de mal, sendo capaz de “dissipar o ódio” e superar as limitações impostas pela morte.
Essa leitura reforça a ideia de que a Ressurreição não se restringe ao plano espiritual, mas possui implicações concretas na vida social, ao estimular atitudes de coragem, fé e compromisso com a verdade.
Crítica às divisões contemporâneas: guerra, injustiça e isolamento
Em um dos trechos centrais da homilia, Leão XIV mencionou as “pedras” que ainda pesam sobre a humanidade, identificando-as como:
- Desconfiança
- Medo
- Egoísmo
- Rancor
- Guerra e injustiça
- Fechamento entre povos e nações
Segundo o Papa, esses elementos não apenas afetam o indivíduo, mas comprometem as relações coletivas e a estabilidade global.
Ele afirmou que, ao longo da história, homens e mulheres foram capazes de superar essas barreiras com base na fé e na ação concreta, contribuindo para avanços sociais e espirituais que ainda produzem efeitos no presente.
Convocação à ação: fé como compromisso público
O pontífice concluiu sua homilia convocando os fiéis a assumirem um papel ativo na disseminação da mensagem da Ressurreição, comparando-os às mulheres que anunciaram a ressurreição de Cristo.
Ele enfatizou que a fé cristã implica responsabilidade prática, sobretudo na promoção da paz, da concórdia e da unidade.
A mensagem final reforçou a necessidade de transformar a experiência religiosa em ação concreta, capaz de influenciar positivamente a sociedade contemporânea.








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