O Pelourinho, em Salvador, passará a contar com um novo equipamento cultural a partir de abril de 2026. Localizado na Rua do Bispo, nº 35, o espaço Pé de Cobra será inaugurado após cinco anos de obras, ocupando um imóvel histórico que anteriormente funcionava como ponto de fiscalização do comércio ambulante.
O prédio, situado nas proximidades da Igreja de São Francisco, será dedicado à produção, reflexão e experimentação em artes visuais, com foco na fotografia contemporânea. A abertura oficial ocorrerá ainda neste mês, com a realização da primeira exposição.
A iniciativa propõe a ressignificação de um espaço marcado por funções de controle urbano, transformando-o em ambiente voltado à cultura e à construção de memória.
Histórico do imóvel e mudança de função
Com origem provável no período colonial, o edifício teve diferentes usos ao longo do tempo. Entre as décadas de 1960 e 1990, passou a operar como estrutura de fiscalização do comércio formal e informal no Centro Histórico.
O local, conhecido popularmente como “Rapa”, possuía celas e era utilizado para detenção temporária e ações de controle urbano, sem funcionar como uma delegacia formal.
A proposta do Pé de Cobra busca atribuir um novo significado ao imóvel, preservando sua memória e promovendo sua ocupação por atividades culturais.
Idealização e equipe responsável
O projeto é liderado pelo fotógrafo brasileiro Bruno Morais, com atuação voltada à fotografia documental e temas ligados aos direitos humanos.
Também integram a iniciativa a fotógrafa espanhola Cristina De Middel, integrante da agência Magnum Photos, e a argentina Julieta Lopresto, especializada na gestão de acervos fotográficos e audiovisuais.
A composição da equipe reúne profissionais com atuação internacional, voltados à investigação da imagem e à construção de memória coletiva por meio da fotografia.
Proposta cultural e conceito anual
O Pé de Cobra foi concebido como um espaço para reflexão e elaboração de ideias a partir da imagem, indo além de um ambiente expositivo tradicional.
A proposta inclui atividades que articulam prática e pensamento, com foco em encontros, debates e processos criativos. O espaço busca oferecer um ambiente voltado à escuta e à troca entre artistas e público.
Para 2026, o projeto adota o conceito “Esquina” como eixo central das atividades, abordando temas como encontros, deslocamentos e decisões.
Estrutura e funcionamento
O espaço contará com diferentes ambientes voltados à experimentação artística e ao estudo. Entre eles estão uma sala de exposições multidisciplinar, destinada a mostras e conferências.
Também será disponibilizada uma biblioteca com mais de 1.500 volumes especializados em fotografia contemporânea e artes visuais.
Outro destaque é o laboratório de fotografia em preto e branco, que poderá ser utilizado pelo público mediante agendamento.








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