Na quinta-feira (09/04/2026), a reflexão sobre os mecanismos estruturais da corrupção no Brasil ganhou novo destaque com a repercussão do artigo “A força do ‘Sistema’”, de Joaci Góes, publicado na Tribuna da Bahia, em Salvador. No texto, o autor sustenta que a corrupção no país não se manifesta de forma isolada, mas sim como um sistema organizado e interligado, envolvendo agentes dos três poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — e operando com alto grau de eficiência e proteção institucional.
Conceito de sistema e sua aplicação à corrupção
O artigo inicia com uma definição conceitual de “sistema”, descrito como um conjunto ordenado de elementos interligados que operam de forma coordenada. Para fundamentar a análise, Góes menciona a Teoria Geral dos Sistemas, desenvolvida pelo biólogo austríaco Ludwig von Bertalanffy, destacando seu caráter interdisciplinar e sua aplicabilidade tanto às ciências naturais quanto às estruturas sociais.
A partir desse conceito, o autor argumenta que a corrupção no Brasil deve ser compreendida como um sistema estruturado, dotado de lógica própria e sustentado por interações entre agentes públicos e instituições. Segundo ele, essa dinâmica permite não apenas a apropriação indevida de recursos públicos, mas também a manutenção de poder político e institucional.
Corrupção como estrutura interligada de poder
No desenvolvimento do texto, Góes sustenta que o fenômeno da corrupção ocorre, sobretudo, por meio de desvios de recursos dos orçamentos públicos — federal, estadual e municipal — em benefício de agentes que, paradoxalmente, deveriam zelar pelo interesse coletivo.
O autor afirma que a impunidade é um elemento central desse sistema, permitindo que figuras públicas — incluindo prefeitos, governadores e presidentes — permaneçam em posições de destaque mesmo diante de acusações. Ele também aponta que, mais recentemente, setores do Legislativo e do Judiciário teriam passado a integrar essa dinâmica, ampliando sua abrangência e complexidade.
“Predominantemente, ocorre pelo desvio fraudulento de recursos dos orçamentos […] em favor de agentes públicos que permanecem, na maioria das vezes, absolutamente impunes”, escreve o autor.
Críticas ao cenário político e institucional
O artigo avança para uma crítica mais incisiva ao cenário político contemporâneo, ao afirmar que há uma articulação entre diferentes esferas do poder com o objetivo de consolidar um sistema de dominação política. Góes menciona diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, associando sua trajetória política a episódios anteriores de corrupção investigados no país, como o Mensalão e a Operação Lava Jato.
Segundo o autor, esse sistema teria demonstrado sua força por meio de decisões judiciais e ações políticas que, em sua interpretação, contribuíram para a consolidação de poder e para a neutralização de opositores. Ele também sugere que tais ações teriam servido para desviar a atenção pública de investigações envolvendo irregularidades financeiras.
Alegações sobre novos casos e investigações
Góes menciona ainda episódios recentes, como investigações relacionadas ao Banco Master e denúncias envolvendo supostos desvios de recursos ligados ao INSS. Embora não apresente detalhamento técnico ou comprovação documental no texto, o autor utiliza esses exemplos para sustentar a tese de que o sistema de corrupção permanece ativo e adaptável.
Ele argumenta que agentes envolvidos estariam utilizando estratégias institucionais e políticas para retardar ou dificultar o avanço de investigações, preservando sua influência e evitando responsabilizações.
Diagnóstico sobre o momento nacional
Na conclusão do artigo, o autor afirma que o Brasil vive um momento de crise institucional, caracterizado por aquilo que define como uma “vergonha nacional”. Para Góes, a principal característica desse cenário é a existência de uma estrutura de poder que concentra influência e atua de forma coordenada para proteger interesses próprios.
“Parece fora de dúvida que a verdadeira matriz do crime organizado no Brasil reside num sistema que tem no seu comando figuras centrais da governança do País”, afirma.










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