Na quinta-feira (01/05/2026), entrou em vigor o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, estabelecendo uma nova etapa na relação econômica entre os blocos. A medida amplia o acesso do Brasil a um mercado com mais de 720 milhões de consumidores e PIB superior a US$ 22 trilhões, além de prever redução de tarifas em cerca de 92% das exportações.
O início da vigência do capítulo comercial representa mudança nas regras de comércio exterior, com impacto direto na competitividade de produtos brasileiros no mercado europeu. O tema foi discutido no Podcast do Associativismo, promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Especialistas apontam que o acordo exige adaptação das empresas brasileiras, principalmente micro e pequenas, para atender às exigências internacionais e aproveitar as oportunidades de expansão comercial.
Preparação de empresas e papel do associativismo
O processo de implementação do acordo destaca a necessidade de qualificação empresarial para atuação no comércio internacional. Entidades como a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) atuam na orientação de pequenos negócios.
Segundo o secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina, Paulo Bornhausen, empresas de grande porte já possuem estrutura consolidada, enquanto micro e pequenas empresas precisam de preparação técnica e institucional para competir no novo cenário.
O acesso ao mercado europeu também depende do cumprimento de normas ambientais, especialmente as previstas no Pacto Ecológico Europeu, que estabelece critérios de sustentabilidade para produtos importados.
Redução de tarifas e ampliação do comércio
Com a entrada em vigor do acordo, produtos brasileiros passam a contar com maior competitividade no mercado europeu, impulsionados pela redução de tarifas. Além disso, o Brasil amplia o acesso a insumos, máquinas e tecnologias, com 543 categorias de bens de capital com alíquota zero.
A medida estabelece regras para a circulação de bens, serviços e capitais, criando um ambiente mais previsível para negócios internacionais. A parte política e institucional do acordo ainda depende de aprovação em parlamentos europeus, mas a implementação comercial já está em curso.
De acordo com Bornhausen, o acordo representa uma oportunidade imediata para ampliação das relações econômicas entre os blocos, com efeitos progressivos ao longo do tempo.
Impactos no agronegócio e setores produtivos
O agronegócio está entre os setores com impacto direto. Produtos como uva e mel já registram mudanças tarifárias relevantes, com redução ou eliminação de impostos de importação.
No caso da uva, tarifas anteriores entre 8% e 9% foram zeradas, enquanto o mel teve ampliação do limite de exportação de 4 mil para até 44 mil toneladas.
A expectativa é que o acordo contribua para a expansão das exportações brasileiras e para a modernização da indústria, com maior integração ao comércio internacional.











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