Ana Flauzina lança álbum “Rabiscos para o Mar” com 13 faixas autorais e referências ao samba e à cultura negra de Salvador

A compositora e cantora Ana Flauzina lançou nesta semana o álbum “Rabiscos para o Mar”, primeiro trabalho fonográfico da artista, disponibilizado nas plataformas digitais com distribuição da Tratore. O projeto reúne 13 composições autorais e marca a consolidação do samba como principal matriz estética, política e musical da obra da cantautora.

O álbum foi desenvolvido ao longo de um processo criativo iniciado após anos dedicados à composição. Com mais de 40 canções escritas ao longo da carreira, Ana Flauzina já teve músicas interpretadas por nomes do samba brasileiro, entre eles Nelson Rufino, responsável pela gravação da canção “Jangadeiro”, lançada em 2023.

Segundo a artista, o projeto representa um novo momento de sua trajetória musical, marcado pela decisão de assumir também a interpretação das próprias obras, ampliando sua atuação artística para além da composição.

Samba, cultura negra e referências de Salvador marcam o álbum

Com direção musical da violonista Marília Sodré e do percussionista Tiago Nunes, “Rabiscos para o Mar” estabelece diálogo com diferentes vertentes do samba brasileiro e incorpora elementos culturais ligados à cidade de Salvador.

De acordo com Ana Flauzina, o samba esteve presente em diferentes momentos de sua formação pessoal e artística, influenciando diretamente a construção estética do disco. A artista também destacou que referências ligadas ao cotidiano de Salvador aparecem nas letras por meio de menções às ruas, feiras populares e blocos afros da capital baiana.

O álbum ainda apresenta referências ao universo simbólico dos orixás, especialmente à figura de Yemanjá, elemento recorrente na construção temática do projeto musical.

Projeto valoriza autoria feminina e produção artística independente

Ana Flauzina afirmou que o disco foi produzido com o objetivo de preservar características tradicionais do samba, ao mesmo tempo em que busca novas possibilidades sonoras e estéticas. Segundo a cantora, o trabalho prioriza uma proposta artística desvinculada das exigências de mercado e dos algoritmos das plataformas digitais.

A artista também ressaltou que o álbum integra uma tradição de mulheres negras que utilizam a música como espaço de afirmação de autoria, narrativa e identidade cultural.

Para Ana Flauzina, interpretar as próprias composições representou um processo de amadurecimento artístico e pessoal. A cantora declarou que o projeto contribuiu para fortalecer sua relação com a música e ampliar sua presença na cena cultural brasileira.

Trajetória acadêmica e atuação cultural

Nascida em Florianópolis e criada em Brasília, Ana Flauzina vive há mais de dez anos em Salvador, cidade que, segundo a artista, influenciou diretamente sua formação política e artística.

Além da atuação musical, Ana Flauzina é professora da Universidade Federal da Bahia nas áreas de Educação e Direito. A artista possui mestrado em Direito pela Universidade de Brasília e doutorado pela American University Washington College of Law.

Ela também é idealizadora do projeto Samba pra Rua, iniciativa cultural desenvolvida em Salvador há mais de quatro anos e que já contou com participações de Ilê Aiyê e Luedji Luna.

Reconhecimento na cena musical brasileira

A trajetória de Ana Flauzina inclui premiações e participações relevantes no cenário da música brasileira. A canção “7 Toques pra Ogum” recebeu prêmio na categoria de melhor intérprete no Festival de Música Educadora FM.

Outro marco da carreira ocorreu em 2023, quando Nelson Rufino gravou a música “Jangadeiro”, ampliando a projeção da compositora no samba nacional.

Com o lançamento de “Rabiscos para o Mar”, Ana Flauzina passa a apresentar oficialmente sua produção autoral também como intérprete, consolidando um novo ciclo de atuação artística.


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