Bahia debate tecnologia para água salobra e regulação hídrica no campo em evento da SEAGRI

A utilização de água salobra para irrigação agrícola e as regras para concessão de uso dos recursos hídricos estiveram entre os principais temas debatidos nesta quarta-feira (27/05/2026), durante o 6º Fórum Estadual dos Gestores Municipais da Agropecuária da Bahia (Feagri), promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), em Salvador.

O encontro reuniu gestores municipais, representantes do setor agropecuário e especialistas para discutir soluções relacionadas à irrigação agrícola, sustentabilidade hídrica e gestão do uso da água no estado. Entre os destaques da programação esteve a apresentação de uma tecnologia israelense voltada ao aproveitamento de águas consideradas inadequadas para produção rural.

O equipamento apresentado, denominado Alvatec, atua por meio de energização da água e promove a dissolução de sais presentes em águas salobras ou com excesso de bicarbonatos, cálcio e magnésio. A proposta busca ampliar o aproveitamento de poços artesianos descartados por produtores devido à baixa qualidade da água.

Tecnologia busca ampliar uso de poços artesianos na irrigação

O consultor em agricultura irrigada Luiz de Mestayne, responsável pela apresentação da tecnologia, afirmou que o sistema permite transformar água de poços artesianos em recurso utilizável para irrigação agrícola.

Segundo o consultor, a tecnologia já está em operação em propriedades rurais da Bahia, principalmente em regiões onde produtores enfrentam limitações relacionadas à qualidade hídrica e ao acesso à água adequada para lavouras.

“Essa tecnologia pode mudar a realidade de produtores. O mais importante é que ela já está em uso na Bahia, com resultados comprovados no campo”, declarou Luiz de Mestayne durante o evento promovido pela Seagri.

Equipamento trata água com excesso de sais e minerais

De acordo com a apresentação realizada no fórum, o sistema atua sobre águas com presença elevada de bicarbonatos, cálcio, magnésio e sais minerais, elementos que normalmente comprometem o uso agrícola da água subterrânea.

A utilização da tecnologia pode representar uma alternativa para produtores localizados em áreas afetadas por escassez hídrica ou por restrições relacionadas à qualidade da água disponível em poços artesianos.

O debate sobre novas tecnologias para irrigação integrou a programação do Feagri, evento voltado à discussão de políticas públicas, gestão agropecuária municipal e soluções para o desenvolvimento da produção rural na Bahia.

Política de outorga hídrica foi tema de palestra no Feagri

A programação do fórum também incluiu debates sobre a política de outorga hídrica da Bahia, apresentada pelo diretor-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), Eduardo Topázio.

Segundo Topázio, a outorga não possui caráter restritivo, mas funciona como instrumento de controle e equilíbrio do uso da água entre diferentes setores e usuários.

“O objetivo da outorga não é impedir o uso da água, mas equilibrar esse uso e garantir o direito de todos”, afirmou o diretor-geral do Inema durante a palestra.

Estado monitora aquíferos e media conflitos pelo uso da água

De acordo com Eduardo Topázio, a legislação estadual estabelece critérios técnicos para captação de água superficial e subterrânea. No caso dos aquíferos, o monitoramento considera os níveis das reservas hídricas subterrâneas.

O diretor informou que o uso da água subterrânea pode ser suspenso temporariamente em situações de redução excessiva dos níveis dos aquíferos, como forma de preservar os recursos hídricos e garantir o abastecimento coletivo.

Topázio acrescentou que a água é considerada um bem público, cabendo ao Estado atuar na mediação de conflitos relacionados ao uso dos recursos hídricos. Segundo ele, os comitês de bacias hidrográficas funcionam como espaços de negociação entre produtores rurais, comunidades e demais usuários.


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