A cidade de Salvador e o município de Santo Amaro celebram mais uma edição do Bembé do Mercado, manifestação reconhecida como patrimônio cultural brasileiro e considerada o maior candomblé de rua do mundo. A programação da festa foi intensificada nesta quarta-feira (13/05/2026), com rituais religiosos, xirês, cerimônias públicas e atividades culturais que seguem até domingo (17/05/2026).
O evento reúne mais de 60 comunidades tradicionais de matriz africana, além de lideranças religiosas, pesquisadores, artistas e moradores da região. Entre os momentos centrais da programação estão a lavagem do busto de João de Obá, fundador do Bembé do Mercado, e a entrega de presentes para Iemanjá e Oxum na praia de Itapema.
Criado em 1889, um ano após a assinatura da Lei Áurea, o Bembé surgiu como um ato de celebração pela abolição da escravidão no Brasil e, desde então, se consolidou como uma das principais expressões culturais e religiosas de matriz africana no país.
Programação do Bembé reúne rituais e cerimônias públicas
A programação oficial do Bembé do Mercado teve início no último domingo (10/05/2026), com uma missa realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, em homenagem ao babalorixá João de Obá.
Nesta quarta-feira (13/05/2026), a lavagem do busto de João de Obá ocorreu nas primeiras horas da manhã, enquanto o xirê de abertura em honra a Xangô está programado para ocorrer às 20h, no Largo do Mercado.
As celebrações seguem na quinta-feira (14/05/2026), também às 20h, com novo xirê no mesmo espaço. Já na sexta-feira (15/05/2026), está previsto o ebó para Oxalá às 6h. No sábado (16/05/2026), o xirê principal e a chegada dos presentes destinados a Oxum e Iemanjá ocorrerão às 20h.
Entrega de presentes a Iemanjá e Oxum encerra celebração
O encerramento do Bembé do Mercado ocorrerá no domingo (17/05/2026), com a entrega dos presentes para Iemanjá e Oxum na praia de Itapema, em Santo Amaro.
Segundo a organização, o horário da cerimônia dependerá da tábua de maré. O ritual é considerado um dos momentos mais aguardados da programação e marca o encerramento das atividades públicas da celebração religiosa.
A Iabé do Bembé, Ana Rita Machado, professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), explicou que os preparativos começam dias antes das atividades abertas ao público.
“Tem uma parte que começa a ser feita mais ou menos 8 ou 15 dias antes, que é a parte mais sigilosa e interna do candomblé. A parte pública começa com a alvorada, chamando as pessoas para irem para o mercado”, afirmou.
Festa mantém relação histórica com a diáspora africana
De acordo com Ana Rita Machado, o Bembé do Mercado representa não apenas um ato religioso, mas também uma expressão histórica da experiência das populações negras no Brasil a partir da diáspora africana.
Segundo ela, a festa preserva práticas religiosas e culturais reelaboradas ao longo dos séculos pelas comunidades afro-brasileiras na Bahia.
“Do ponto de vista religioso, o que as pessoas de matriz africana pedem é fortuna no sentido amplo, relacionada à saúde, prosperidade e dignidade”, declarou.
A celebração também funciona como espaço de fortalecimento das tradições afro-brasileiras e da preservação da memória coletiva das comunidades de terreiro.
Bembé do Mercado possui reconhecimento nacional e candidatura à Unesco
O Bembé do Mercado foi reconhecido como patrimônio imaterial da Bahia em 2012 e recebeu o título de patrimônio cultural do Brasil em 2019.
Além do reconhecimento nacional, a manifestação está em processo de candidatura para se tornar patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
A expectativa das comunidades envolvidas é ampliar o reconhecimento internacional da celebração e fortalecer ações de preservação das tradições religiosas e culturais ligadas ao evento.
Comunidades tradicionais mantêm celebração ancestral ativa
A edição de 2026 reafirma o papel do Bembé do Mercado como uma das principais manifestações públicas das religiões de matriz africana no Brasil.
A programação reúne cerimônias religiosas, práticas culturais e atividades comunitárias que movimentam Santo Amaro e fortalecem a relação entre ancestralidade, memória e patrimônio cultural.
Além dos rituais religiosos, a festa promove integração entre comunidades tradicionais, pesquisadores, artistas e visitantes interessados na história e nas práticas afro-brasileiras preservadas ao longo de mais de um século.
*Com informações da Agência Brasil.








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