O Brasil participa de forma mais discreta da edição 2026 do Festival de Cannes, que acontece até próximo sábado (23/05/2026), em Cannes. Diferentemente de anos anteriores, o país não possui longas-metragens selecionados oficialmente na competição principal do festival. Ainda assim, mantém presença por meio de coproduções internacionais, participação no Mercado do Filme e exibição de curta-metragem brasileiro na mostra La Cinef.
O único cineasta brasileiro selecionado diretamente nesta edição é o paulistano Lucas Acher, que apresenta o curta-metragem “Laser-Gato” na mostra La Cinef, dedicada a produções de escolas de cinema. O Brasil também participa de quatro coproduções internacionais de longas-metragens exibidos em diferentes seleções paralelas do festival.
Entre elas está o thriller “Paper Tiger”, dirigido por James Gray e produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira. O longa, estrelado por Adam Driver e Scarlett Johansson, disputa a Palma de Ouro, principal prêmio do festival.
Coproduções internacionais mantêm Brasil presente em Cannes
Além de “Paper Tiger”, o Brasil participa da coprodução de “Elefantes na Névoa”, longa exibido na mostra Um Certo Olhar, voltada ao cinema emergente. O país também integra a produção de “Seis Meses no Prédio Rosa e Azul”, dirigido pelo mexicano Bruno Santamaría Razo, selecionado para a Semana da Crítica.
O ator Selton Mello também participa da programação do festival como protagonista de “La Perra”, longa dirigido pela chilena Dominga Sotomayor. O filme estreia na mostra paralela Quinzena dos Cineastas.
Apesar da presença reduzida nas seleções competitivas, representantes do setor audiovisual brasileiro avaliam que o país mantém relevância internacional por meio de acordos de produção, distribuição e circulação de obras em festivais internacionais.
Mercado do Filme concentra atuação brasileira em Cannes
Como ocorre anualmente, o Brasil participa do Mercado do Filme de Cannes, espaço voltado à negociação de projetos audiovisuais, coproduções e distribuição internacional. Após ter sido o país homenageado na edição anterior, o Brasil retorna em 2026 com delegação formada por mais de 200 profissionais do setor.
A participação brasileira é organizada pelo programa Cinema do Brasil, em parceria com a ApexBrasil, além do apoio da Spcine e da RioFilme.
Uma das novidades desta edição é a realização da “Matinée Brésil”, marcada para segunda-feira (18/05/2026). O evento reunirá debates e encontros sobre políticas públicas, mercado audiovisual e estratégias de internacionalização do cinema brasileiro.
RioFilme aponta necessidade de continuidade nas políticas públicas
O diretor-presidente da RioFilme, Leonardo Edde, afirmou que o objetivo da participação brasileira em Cannes é fortalecer a presença do audiovisual nacional no cenário internacional.
Segundo ele, o setor busca consolidar um período de crescimento do cinema brasileiro e evitar interrupções nas políticas públicas de incentivo ao audiovisual. Leonardo Edde também declarou que mudanças administrativas ocorridas em anos anteriores ainda impactam a produção cinematográfica nacional.
Para o dirigente, a participação reduzida do Brasil nas seleções competitivas deste ano reflete consequências de descontinuidades em mecanismos de financiamento e promoção cultural, cujos efeitos aparecem anos depois no mercado audiovisual.
Produtores relatam dificuldades de financiamento e previsibilidade
Produtores brasileiros presentes no Mercado do Filme também relataram dificuldades relacionadas à distribuição de recursos e à previsibilidade dos editais públicos destinados ao audiovisual.
A produtora Sara Silveira, que participa da edição com três filmes e um projeto, defendeu maior apoio ao cinema autoral brasileiro e afirmou enfrentar dificuldades para captar recursos destinados a produções de médio porte.
Segundo Sara Silveira, parte dos recursos arrecadados pelo setor audiovisual deveria retornar de forma mais estruturada às produções nacionais. Ela também abordou temas relacionados à inclusão e ao etarismo no mercado cinematográfico brasileiro.
Produtores apontam impacto da falta de previsibilidade dos editais
O produtor Lucas Pelegrino afirmou que a principal dificuldade enfrentada por produtores independentes está relacionada à imprevisibilidade na abertura de editais públicos.
Segundo ele, a indefinição sobre prazos compromete negociações internacionais e dificulta o fechamento de parcerias iniciadas em mercados audiovisuais como Cannes. O produtor relatou que projetos discutidos anteriormente deixaram de avançar por ausência de editais esperados no Brasil.
Lucas Pelegrino também destacou que o setor possui fontes relevantes de financiamento, como o Fundo Setorial do Audiovisual, a Lei Aldir Blanc e o ProAC, mas afirmou que a falta de calendário previsível reduz a credibilidade internacional de produtores brasileiros durante negociações no exterior.
Mercado do Filme segue até 20 de maio em Cannes
O Mercado do Filme de Cannes termina em terça-feira (20/05/2026), três dias antes do encerramento oficial da 79ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes.
O espaço é considerado um dos principais centros de negociação da indústria audiovisual mundial, reunindo produtores, distribuidores, plataformas de streaming, exibidores e representantes institucionais de diversos países.
Mesmo com presença mais limitada nas competições oficiais, o Brasil mantém atuação estratégica em coproduções internacionais, negociações de mercado e debates sobre políticas públicas voltadas ao setor audiovisual.
*Com informações da RFI.











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