A realização da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, com jogos também no México e no Canadá, tem gerado preocupação entre torcedores devido ao aumento dos custos com ingressos, transporte, hospedagem e exigências migratórias. Na terça-feira (28/04/2026), relatos indicam que os gastos totais podem superar edições anteriores, afetando a presença de público internacional.
Entre os principais fatores está o custo do deslocamento até os estádios, que pode chegar a US$ 100 por trajeto em cidades como Nova York e Boston, além de despesas com alimentação e serviços, incluindo gorjetas que podem atingir 20% do valor consumido.
Apesar da proximidade geográfica para o público brasileiro, especialistas apontam que o custo total da viagem pode ser superior ao de edições recentes, como as realizadas no Catar (2022) e na Rússia (2018).
Custos de transporte e impacto no planejamento
O transporte público para os estádios, que em edições anteriores era gratuito, passou a ser cobrado nesta edição. Em Boston, por exemplo, o deslocamento até o estádio em Foxborough pode custar até US$ 80 de trem ou US$ 95 em ônibus especial.
Em Nova York, o trajeto entre Manhattan e o MetLife Stadium pode chegar a US$ 100 ida e volta, elevando significativamente o custo total para os torcedores.
A mudança no modelo de transporte tem sido apontada como um dos fatores que mais impactam o orçamento dos visitantes.
Ingressos com preços elevados
Os ingressos também apresentam valores elevados. A partida final, prevista para 19/07/2026, tem preços a partir de US$ 11 mil (cerca de R$ 54 mil), podendo atingir valores ainda maiores em categorias superiores.
O modelo de preços dinâmicos adotado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) permite variações conforme a demanda, o que pode elevar os custos ao longo do período de venda.
Especialistas indicam que essa política busca maximizar receitas, mas também levanta questionamentos sobre o acesso do público ao evento.
Exigências de visto e restrições migratórias
Outro fator relevante é o processo de entrada nos Estados Unidos. Torcedores de diversos países enfrentam custos adicionais com vistos, que podem chegar a US$ 435, além de possíveis recusas na concessão do documento.
Para cidadãos de alguns países, há ainda a exigência de caução entre US$ 5 mil e US$ 10 mil, como forma de garantia migratória.
Mesmo sem estar na lista de restrições mais severas, brasileiros também relatam dificuldades no processo, incluindo negativas de visto após aquisição de passagens e ingressos.
Impacto global e reação de torcedores
Os custos elevados têm levado torcedores de diferentes países a reconsiderar a viagem para a Copa. Relatos indicam que grupos maiores enfrentam maior dificuldade para viabilizar a participação, devido ao aumento das despesas.
Entidades ligadas a torcedores também manifestaram preocupação com os preços, apontando falta de transparência na venda de ingressos e valores considerados elevados.
Além disso, sindicatos e organizações locais nos Estados Unidos levantaram questões relacionadas à logística e ao acesso de torcedores estrangeiros.
Contexto econômico e modelo da competição
A Copa do Mundo é uma das principais fontes de receita do futebol internacional, concentrando arrecadação em um curto período. O modelo atual inclui custos operacionais elevados e dependência de infraestrutura dos países-sede.
Especialistas apontam que o cenário atual combina fatores como conflitos geopolíticos, inflação global e políticas migratórias, influenciando diretamente a experiência dos torcedores.
A edição de 2026 será a primeira com três países-sede e também apresenta novos desafios logísticos e financeiros.
*Com informações da RFI.











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