Exposição de Milena Oliveira transforma bordado e memória em linguagem artística na Alban Galeria em Salvador

A artista baiana Milena Oliveira inaugura, na próxima quinta-feira (21/05/2026), a exposição “A Largura dos Gestos Pequenos” na Alban Galeria, em Salvador. A mostra marca a primeira exposição individual da artista no espaço e apresenta um conjunto de trabalhos em suportes têxteis, incluindo desenhos sobre tecido e instalação.

Com visitação aberta até 27 de junho de 2026, a exposição reúne obras que investigam temas como memória, afeto, intimidade e experiência feminina contemporânea, utilizando práticas associadas ao ambiente doméstico como linguagem visual. A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h.

A produção artística de Milena Oliveira utiliza a agulha como elemento central de pesquisa, articulando desenho, costura e bordado em composições que dialogam com experiências pessoais, narrativas sociais e relações afetivas. Segundo a proposta curatorial, os trabalhos exploram os limites da linguagem visual em meio às dinâmicas contemporâneas.

Exposição reúne memória, tecido e experiências femininas

Natural de Jacobina, no Piemonte da Chapada Diamantina, Milena Oliveira construiu sua trajetória artística a partir de referências ligadas ao interior da Bahia e às práticas manuais presentes em sua formação familiar. Atualmente radicada em Salvador, a artista conecta essas memórias ao contexto urbano e às experiências adquiridas durante sua formação acadêmica e profissional.

Formada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestre em Artes Visuais pelo PPGAV-UFBA, Milena desenvolve uma produção interdisciplinar que reúne desenho, instalação, escultura, fotografia e bordado.

Embora dialogue com práticas têxteis tradicionais, a artista afirma que suas obras não seguem técnicas rígidas de bordado. Em vez disso, utiliza materiais como algodão, feltro e voil como suporte para desenhos realizados com linha e agulha, aproximando o trabalho da linguagem do desenho contemporâneo.

Curadoria destaca reflexão sobre relações sociais e afetos

A exposição tem curadoria de Paulo Azeco, curador e fundador da galeria Nonada, com atuação no circuito de arte contemporânea brasileiro. Segundo ele, a mostra propõe uma reflexão sobre os impactos das relações sociais contemporâneas na experiência feminina.

De acordo com Azeco, a exposição funciona como um “manifesto poético e codificado” sobre os processos de rigidez impostos às vivências femininas no mundo atual. O curador afirma que as obras de Milena Oliveira não se limitam ao relato autobiográfico, mas investigam formas de comunicação do desejo, do afeto e da subjetividade.

Ainda segundo o curador, os trabalhos buscam questionar como o feminino se manifesta em meio à sobrecarga imagética e às estruturas sociais contemporâneas. A proposta estética da mostra utiliza o gesto repetitivo e o trabalho manual como ferramentas de construção simbólica.

Pesquisa artística passou pela cerâmica antes do campo têxtil

Antes de aprofundar sua pesquisa no campo dos tecidos, Milena Oliveira desenvolveu trabalhos em cerâmica, utilizando a agulha como instrumento de inscrição sobre diferentes superfícies. Durante o período da pandemia, o espaço doméstico ganhou maior relevância em sua produção artística.

Esse processo levou à incorporação mais intensa do bordado e da costura como elementos centrais da pesquisa visual da artista. A partir dessa mudança, a produção passou a explorar temas ligados ao tempo, intimidade e construção de memória.

A exposição “A Largura dos Gestos Pequenos” representa uma nova etapa da trajetória da artista, consolidando a utilização de suportes têxteis como parte estruturante de sua linguagem visual.

Trajetória reúne exposições no Brasil e no exterior

Ao longo da carreira, Milena Oliveira participou de exposições em instituições e espaços culturais como Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), Goethe Institut Salvador, Casa do Povo, em São Paulo, Solar dos Abacaxis, no Rio de Janeiro, além de galerias e museus em Recife, Brasília, Lisboa e Vitória.

A artista também possui obras em acervos do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, da Galeria ACBEU e do Instituto Solar dos Abacaxis, além de coleções particulares.

Já o curador Paulo Azeco possui atuação em galerias como Fortes D’Aloia & Gabriel, Millan e Houssein Jarouche, além de projetos curatoriais em instituições culturais brasileiras. Atualmente, ele dirige a galeria Nonada, com sedes no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.


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